Miniatura

Acadêmico
Rui Mourão
Número de Cadeira
31 Patrono: Lucindo Filho
Data de Posse
29 de outubro de 2009
Posição na Cadeira
5º Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O romancista, poeta, escritor, professor e crítico literário Rui Mourão, nasceu em Bambuí, Minas Gerais, no dia 18 de abril de 1929. Foi o segundo filho de Benjamin Mourão, escrivão da coletoria federal, e de Edith Moreira Guimarães Mourão.
Em 1937, iniciou o primário no Grupo Escolar José Alzamora; em 1941, foi estudar em Formiga, e prestou o exame para admissão ao curso ginasial no Colégio Antônio Vieira. Ao final do primeiro semestre, mudou-se com a família para Divinópolis, onde continuou o ginasial no Colégio São Geraldo.
Em 1945, seu pai faleceu aos 51 anos de idade, de infarto, e no ano seguinte, sua mãe, Dona Edith, se muda para a casa do pai, Antônio Maria Moreira Guimarães, seu avô, juiz aposentado de Tiradentes, que morava em São João Del Rei, onde Rui Mourão foi matriculado no curso científico do Colégio Santo Antônio.
Em 1947, precisou trabalhar para continuar os estudos, e na metade do segundo ciclo, Rui Mourão, transferiu-se para a capital mineira, onde seu irmão mais velho Oto, o primogênito, cursava medicina. Conseguiu emprego, de salário simbólico, com José Pellegrino, médico que pesquisava sobre esquistossomose, e passou a dormir nas dependências do Colégio Marconi, para não ter que pagar hotel.
Pouco tempo depois, sua mãe mudou-se para Belo Horizonte com o caçula Irê, e para auxiliá-la com as despesas, nas férias de fim de ano, começou a trabalhar com o professor Santiago Americano Freire, no laboratório de Farmacologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.
Em 1948, Rui Mourão passou a estudar no Colégio Anchieta, onde havia a possibilidade de curso noturno, pois foi destacado para ajudar o otorrinolaringologista J. Silva Guimarães. No horário do almoço, treinava datilografia no laboratório e foi contratado pelo Serviço de Helmintologia da Secretaria de Estado da Saúde.
Em 1949, prestou concurso para o Banco Mineiro da Produção, depois Banco do Estado de Minas Gerais; neste mesmo ano, prestou vestibular e ingressou na Faculdade de Direito da UFMG. Começou a embrenhar-se pelo mundo literário, e publicou no jornal A Manhã, do Rio de Janeiro, o primeiro texto de crítica literária sobre Sagarana, de Guimarães Rosa.
Passou a integrar, a convite de Fábio Lucas, colega de faculdade, o grupo de escritores jovens que fundaram a revista Vocação. Assim, Rui Mourão começou a ser conhecido por publicações de ensaios e artigos em Vocação, no Suplemento Literário do Diário de Minas, no suplemento Letras e Artes, de A Manhã, no suplemento do Estado de São Paulo e outros.
Em 1952, foi requisitado, pelo Banco Mineiro, para servir como escriba no Palácio da Liberdade, junto ao escritor Cristiano Martins, secretário particular do governador Juscelino Kubitscheck; em 1953, diplomou-se bacharel em Direito; Rui Mourão permaneceu no Palácio da Liberdade no governo de Clóvis, o vice que assumiu quando JK candidatou-se à Presidência da República, e no governo de José Francisco Bias Fortes.
Em 1955, ganhou o Prêmio Cidade de Belo Horizonte com a novela As Raízes, em 1956, publicou seu livro de estreia; no ano seguinte, com seus amigos Affonso Ávila e Fábio Lucas, fundou a revista Tendência. Em 1958, casou-se com Elza Sampaio do Couto, com quem teve quatro filhos, Cristiano, André, Clarice e Raquel, e quatro netos.
Em 1960, assume a direção da revista Tendência, e foi nomeado diretor do curso de Administração do Estado de Minas Gerais, e trabalhou, em conjunto, na Companhia de Armazéns e Silos e na Folha de Minas. Em 1962, ingressou no Correio de Minas, em abril deste ano, foi transferido para Brasília, na condição de auxiliar de ensino, e lecionou Literatura Brasileira na Universidade criada por Darcy Ribeiro.
Em 1963, torna-se Mestre em Literatura Brasileira, e tornou-se coordenador do Instituto Central de Letras da Universidade Brasília; em 1965, devido às arbitrariedades cometidas pela ditadura militar, demitiu-se, ao lado de 270 professores, da UNB e mudou-se para os Estados Unidos, onde lecionou, como professor visitante, na Tulane University, em New Orleans, depois na University of Houston.
Em 1969, retornou ao Brasil e reassumiu o cargo de Técnico de administração, onde integrou a Comissão de redação do Suplemento Literário do jornal Minas Gerais, e foi nomeado editor do Suplemento Literário do Minas Gerais, em substituição a Murilo Rubião. Nesse mesmo ano, publicou Estruturas: ensaio sobre o romance de Graciliano, um marco teórico fundamental para a compreensão do texto literário de Graciliano Ramos,
Em 1970, foi admitido como diretor executivo da Fundação de Arte de Ouro Preto; em 1971, publicou o romance Curral dos Crucificados, que conquistou o Prêmio Cidade de Belo Horizonte. Em 1972, tornou-se membro da Comissão de Apreciação do Mérito das Publicações da Imprensa Oficial; em 1973, foi nomeado Chefe da Divisão de Assuntos Culturais da Imprensa Oficial, e publicou o romance Cidade Calabouço.
Em 1974, Rui Mourão foi nomeado diretor do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto; e membro do Conselho Estadual de Cultura, onde foi autor do projeto do Prêmio Guimarães Rosa, de ficção. Em concomitância, foi coordenador do Grupo de Museus e Casas Históricas de Minas Gerais; em 1979, publicou Jardim Pagão, em 1983, acumulou a função de coordenador do Programa Nacional de Museus e tomou posse como diretor do Museu da República, no Rio de Janeiro.
O professor-pesquisador, romancista e ensaísta, dirigiu por 43 anos o Museu da Inconfidência. Por sua atuação na área cultural e na história da literatura de Minas e do Brasil, recebeu todos os aplausos, prêmios internacionais várias condecorações. Em 2009, Rui Mourão foi eleito para Academia Mineira de Letras, em sucessão a Luís Carlos de Portilho, na cadeira nº 31, patrocinada por Lucindo Filho.
Dos numerosos prêmios e homenagens, destacam-se a medalha da Inconfidência, grau Insígnia; medalha de Honra, do Estado de Minas Gerais; medalha do Sesquicentenário da Independência; medalha do Aleijadinho, da Prefeitura Municipal de Ouro Preto; troféu Os Melhores de 1985; Prêmio ABL-Ficção; Especial Prêmio Pegaso de Literatura Latinoamérica, na Colômbia; Prêmio Centenário de Maria Helena Cardoso; medalha da Ordem do Mérito Diamantinense e título de Cidadão Honorário de Ouro Preto, dentre outras homenagens.
Rui Mourão faleceu no dia 18 de fevereiro de 2024, aos 95 anos, em Brasília. Publicou inúmeros livros, entre eles Monólogo do Escorpião, em 1983; Museu da Inconfidência, com a contribuição de Francisco Iglésias, em 1984; O Alemão que descobriu a América, em 1990; Boca de Chafariz, em 1991; A nova realidade do Museu, ensaio de 1994; Servidão em família, em 1996; Invasões no Carrossel, em 2001; Quando os demônios descem dos morros, em 2008; Mergulho na região do espanto, em 2015; O longo arco de esperança, em 2020.



