Parceria entre a AML e o movimento Quem Ama Não Mata, ciclo de debates segue até novembro, sempre com uma palestra mensal sobre questões relacionadas à pauta feminista.

No dia 15 de junho, sábado, a Academia Mineira de Letras (AML), em parceria com o movimento Quem Ama Não Mata, traz a palestra “Política e Feminismo: conquistas, desafios e violências” que propõe debate sobre a participação das mulheres na esfera pública da política com Branca Moreira Alves – feminista histórica e autora do clássico “Ideologia & feminismo: a luta da mulher pelo voto no Brasil”, de 1980, – e a Drª. Marlise Matos – professora e pesquisadora do Departamento de Ciência Política da UFMG e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (NEPEM/UFMG). O evento acontece no auditório da AML, a partir das 10h, com abertura de portões 30 minutos antes.

Com entrada gratuita e interpretação em Libras, a palestra acontece no âmbito do Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 235925), realizado mediante a Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Instituto Unimed-BH – por meio do incentivo fiscal de mais de cinco mil e seiscentos médicos cooperados e colaboradores.

Em alguns países como a Inglaterra, a luta pelo direito ao voto feminino consumiu as energias de várias gerações de mulheres enfrentando a violência social e policial. Hoje, esse direito se estende por quase todo o mundo. Mas como está efetivamente a participação das mulheres na esfera pública da política? Esta edição do Sábados Feministas conta com parceria do NEPEM/UFMG, que, neste ano, completa 40 anos de estudos sobre a mulher. Entre as ações de celebração, o NEPEM lançou a Cartilha Violência Política Contra as Mulheres em Perspectiva Interseccional, na qual enfatiza o que seja o maior obstáculo à participação das mulheres no espaço público: o aspecto racial. Elas enfrentam piadas, gestos, assédio, agressões de caráter verbal, intimidação sexual e, no limite, sendo assassinadas. Também no limite, a própria democracia sendo ameaçada, pois não há justiça social sem o reconhecimento da cidadania negra no país.

Em seu estudo clássico da luta pelo voto feminino no Brasil, Branca Moreira Alves mostra como as sufragistas se valeram de sua situação de classe burguesa para conseguir apoios e fazer alianças. Isso foi efetivo para o sucesso da luta – o direito ao voto, por aqui, foi alcançado em 1932 – mas custou uma não radicalização da luta, uma vez que se limitou à esfera jurídica e não abordou a necessidade de mudanças nos costumes e no papel da mulher, quase sempre restrito ao espaço doméstico, como mãe e esposa a desempenhar suas obrigações do cuidado do lar. Em certa passagem de seu livro, a autora afirma: “O sufragismo sufocou o feminismo”. E essa domesticação do feminismo em sua potencial rebeldia é cobrada hoje por movimentos feministas contemporâneos”, diz.

Já Marlise Matos vai mostrar como, nos dias atuais, esse direito é cerceado desde a manifestação do desejo de uma mulher a ser candidata, durante a campanha e, principalmente, depois de eleita: o desprezo pela palavra das parlamentares, a designação para comissões menos importantes, as ofensas pelas redes sociais sempre enfocando o sexo/gênero até ameaças de morte: em Minas Gerais, deputadas ameaçadas trabalham com escolta policial. A professora também vai falar das estratégias para enfrentar esses gigantescos obstáculos de intolerância política, trazendo dados sobre vereança e prefeituras de Minas, a fim de se reforçar a importância de mulheres votarem em mulheres, comprometidas com os direitos de gênero.

O debate com Branca Moreira Alves e Marlise Matos pretende demonstrar que essa luta é, interseccionalmente, de todas as mulheres, que, apesar dos insistentes desestímulos, não desistem: continuam na luta para exercer plenamente o direito de votar e de serem votadas; de participar da arena política de forma democraticamente crítica e igualmente assertiva.

Sobre as palestrantes:

Marlise Matos é Doutora em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas (SBI/IUPERJ) com formação complementar em Direito Internacional dos Direitos Humanos pela Universidad de la Republica e Universidad de Buenos Aires com apoio das Nações Unidas. É professora associada do Departamento de Ciência Política da UFMG e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher ( Nepem). Entre suas publicações destacam-se “O campo crítico-emancipatório das diferenças e a quarta onda latino-americana como experiência da descolonização acadêmica” e “A institucionalização acadêmica dos estudos de gênero e feministas na ciência política brasileira”. Organizou o I Seminário Internacional de Feminismo na UFMG, em 2006, marcando a retomada do feminismo massivo  em BH. Atualmente tem se dedicado à pesquisa da violência política contra as mulheres em perspectiva interseccional.

Branca Moreira Alves nasceu em Boston, Estados Unidos, em 1940. Formada em Direito e História pela Universidade da Califórnia, Berkeley, onde começou seu engajamento no movimento feminista. De volta ao Brasil, cursou Mestrado em Ciências Políticas e Direito. Em 1975, Ano Internacional da mulher, participou da organização do Seminário Pesquisa sobre o papel e o comportamento da mulher brasileira, na Associação Brasileira de Imprensa, considerado o marco inicial do feminismo da “segunda onda” como movimento político organizado no Brasil.   Em seu mestrado, concluído em 1976,  entrevistou grandes nomes do feminismo ao pesquisar o movimento sufragista brasileiro. Indicada pelo movimento feminista carioca, foi a primeira presidente , em 1987, do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher RJ. Em 1992 inaugurou e dirigiu o escritório para o Brasil e o Cone Sul do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher.    É autora do clássico “Política e ideologia: a luta da mulher pelo voto no Brasil ” e de  “O que é feminismo”, juntamente com Jacqueline Pitanguy.

Instituto Unimed-BH 

O Instituto Unimed-BH completou 20 anos em 2023. A associação sem fins lucrativos foi criada em 2003 e, desde então, desenvolve projetos socioculturais e socioambientais visando à formação da cidadania, estimulando o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, fomentando a economia criativa, valorizando espaços públicos e o meio ambiente. Ao longo de sua história, o Instituto destinou cerca de R$ 190 milhões por meio das leis de incentivo municipal e federal, fundos do idoso e da criança e do adolescente, com o apoio de mais de 5,6 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH. Em 2023, mais de 20 mil postos de trabalho foram gerados e 2 milhões de pessoas foram alcançadas por meio de projetos em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

Acesse www.institutounimedbh.com.br e saiba mais.