A poeta, ensaísta, dramaturga e professora, sob mediação de Musso Greco, Sérgio de Mattos, Olívia Viana, Cecília Lana, discute, a partir das noções lacanianas de materialidade da palavra e objeto voz, sua concepção de oralitura em que o corpo, assim como a escrita, também é um meio de inscrição de memória na disseminação de saberes.

No dia 12 de junho, quarta-feira, a Academia Mineira de Letras (AML), em parceria com a Escola Brasileira de Psicanálise, promove mais uma edição do Lacan na Academia – conversando com a literatura com a palestra “Escritos do corpo”, ministrada pela poeta, ensaísta, dramaturga e professora Leda Maria Martins. A mediação é de Musso Greco, Sérgio de Mattos, Olívia Viana, Cecília Lana (equipe da EBP). A programação ocorre no auditório da AML, a partir das 20h.

Com acessibilidade em Libras e entrada gratuita, a palestra acontece no âmbito do Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 235925), realizado mediante a Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Instituto Unimed-BH – por meio do incentivo fiscal de mais de cinco mil e seiscentos médicos cooperados e colaboradores.

Com Leda Maria Martins e sua concepção de oralitura – na qual oralidade poética, letra, rasura e voz se conjugam -, a grafia será investigada como sinônimo de uma experiência corporificada, na qual um saber encontra no corpo em performance seu lugar e ambiente de inscrição. “A oralitura rio acontece no gesto, na voz, na música, na dança que traz um corpo que gira e conta história. A resistência de um povo que foi escravizado pode ser transcrita por meio de uma manifestação cultural, que pela ausência da escrita dita “formal”, não é silenciada. O corpo opera como caminho de inscrição da memória na disseminação de saberes, funcionando como ação antiracista”, diz Leda Maria Martins.

Nesse contexto, a negrura se mostra também como determinante no fazer poético com um corpo que, ao prescindir dos significados atribuídos ao significante negro por um Outro que o nomeia, pode se reafirmar a partir da própria inserção de um corpo vivo na performatividade do escrito e da voz. Neste contexto, Leda dialoga com Lacan: “as noções lacanianas de moterialité (materialidade da palavra) e de objeto voz servem de guia nessa investigação. Como a voz participa dessa literatura atravessada pela literalidade? Como se dá o impacto da palavra no corpo? O que se cala e o que se evidencia nessas escritas do corpo?”, reflete.

Sobre Leda Maria Martins

Leda Maria Martins é poeta, ensaísta, dramaturga e professora. Atua nas áreas de teatro, performance e estudos literários. Doutora em Letras/ Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), 1991, e Mestre em Artes pela Indiana University, EUA, 1981; com pós-doutorado em Performances Studies pela New York University, Tisch School of the Arts, 1999-2000.  Professora da Universidade Federal de Minas Gerais, de 1993 a 2018; da Universidade Federal de Ouro Preto, de 1982 a 1992. Professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFF, 2023-2024, e da Tisch School of the Arts, em 2010. Tem vários ensaios publicados no Brasil e no exterior. Dentre seus livros, constam: Performances do tempo espiralar, poéticas do corpo-tela (Editora Cobogó, 2021); Afrografias da memória (Editoras Perspectiva/ Mazza, 2021 e 1997); A cena em sombras (Editora Perspectiva, 2023 e 1995); Os dias anônimos (Editora Sette Letras), 1999, O Moderno Teatro de Qorpo Santo (Editora UFMG, 1991); Cantigas de Amares (Edição Independente, 1981). Em 2022, recebeu o Prêmio Milú Villela da Fundação Itaú Cultural, e em 2023 o Prêmio Funarte de Mestre de Artes Integradas. Em seu pensamento e proposições teóricas cruzam-se epistemologias e cosmovisões de várias matrizes cognitivas, como as derivadas dos saberes africanos transcriados nas Américas. Sua obra já foi tema dos simpósios Spiraling Time: Intermedial Conversations in Latin American Arts (Universidade da Califórnia, Berkeley, 2013) e Leda Maria Martins: Pensamentos e poéticas (Universidade de Brasília/Universidade Federal da Bahia, 2021 e 2024. Leda é também Rainha de Nossa Senhora das Mercês, da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário no Jatobá, em Belo Horizonte.

Sobre Musso Greco  (coordenador da Escola Brasileira de Psicanálise)

Musso Greco, psiquiatra e psicanalista, mestre em Psicologia pela UFMG, doutor em Ciências da Saúde pela UFMG, autor dos livros Orates – contos clínicos (2013) , Galinhada (2022) e Uma história entre o eu e aterra (2022), organizador dos livros Fazer Caput (2018), Desembola na Ideia: Arte e Psicanálise implicadas na vulnerabilidade juvenil (2020) – finalista do Prêmio Jabuti 2021 – e Do infinito de fora ao ínfimo de dentro : Psicanálise e Prática Institucional (2022),

Instituto Unimed-BH 

O Instituto Unimed-BH completou 20 anos em 2023. A associação sem fins lucrativos foi criada em 2003 e, desde então, desenvolve projetos socioculturais e socioambientais visando à formação da cidadania, estimulando o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, fomentando a economia criativa, valorizando espaços públicos e o meio ambiente. Ao longo de sua história, o Instituto destinou cerca de R$ 190 milhões por meio das leis de incentivo municipal e federal, fundos do idoso e da criança e do adolescente, com o apoio de mais de 5,6 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH. Em 2023, mais de 20 mil postos de trabalho foram gerados e 2 milhões de pessoas foram alcançadas por meio de projetos em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

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