Miniatura

Acadêmico
Vivaldi Moreira
Número de Cadeira
38 Patrono: Beatriz Brandão
Data de Posse
02 de julho de 1959
Posição na Cadeira
2° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O autêntico humanista, escritor, magistrado, advogado, professor e jornalista Vivaldi Wenceslau Moreira, nasceu na Fazenda do Tanque, em São Francisco do Glória, distrito de Carangola, Minas Gerais, no dia 28 de setembro de 1912, filho de Pedro José Moreira e de Jacinta de Oliveira Moreira, fazendeiros e comerciantes da região, na Zona da Mata mineira.
Vivaldi Moreira aprendeu as primeiras letras e a ler com oito anos, com professor particular. Realizou o curso ginasial no Instituto Profissional de Muriaé, no Colégio Carangolense, em Carangola, e terminou no Instituto Evangélico do Alto-Jequitibá, atual Presidente Soares.
Em 1932, fixado com a família em Presidente Soares, ali bacharelou-se em Letras. Enquanto estudante, revelou um pendor para as letras e publicou seu primeiro artigo na Revista do Colégio Carangolense, intitulado “Estudando e Pensando”. Em 1933, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil.
Em 1934, estreou profissionalmente como repórter do Informação Comercial e Financeira e, depois, no diário A notícia. Em 1937, Vivaldi Moreira bacharelou-se em Direito. Durante o curso, colaborou com o Jornal do Comércio, com artigos de crítica literária e com a revista Pan, um semanário nacional de cultura, arte e política.
Em 1939, voltou para Minas e advogou em Resplendor, cidade interiorana onde serviu também como Secretário da Prefeitura. No ano seguinte, Vivaldi instalou-se definitivamente em Belo Horizonte e abraçou a profissão que muito lhe agradava – o jornalismo. Casou-se com Ibrantina Brandão Couto Moreira, com quem teve cinco filhos.
Na capital mineira, Vivaldi Moreira foi secretário da Revista da Associação Comercial, onde atuou como advogado e editor da entidade; editor do Anuário Comercial e Industrial de Minas, editorialista da Folha de Minas, fundador e redator-chefe do Minas em Foco, e colaborador do Diário de Minas e do Estado de Minas.
Em 1947, no governo de Milton Campos, foi convidado pelo Secretário de Finanças, José de Magalhães Pinto, para o cargo de Chefe de Gabinete, do qual saiu em 1949, pois foi nomeado Auditor do Tribunal de Contas do Estado. Em 1951, estreou com o livro Sociologia da Crise.
No magistério, lecionou Sociologia da Educação na Faculdade de Filosofia e Letras Santa Maria, incorporada posteriormente à Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-MINAS, e no Instituto de Educação de Minas Gerais. De 1953 a 1961, Vivaldi Moreira fundou e redigiu Minas em Foco, mensário sintético de notícias e orientação.
Em 1956, Vivaldi Moreira, sob a direção de Mário Casasanta, foi Secretário-Executivo do Centro de Pesquisas Educacionais de Minas Gerais, cargo que ocupou até 1958; no ano seguinte, em 1959, Vivaldi Moreira foi eleito membro da Academia Mineira de Letras, em sucessão a Honório Armond na cadeira nº 38, patrocinada por Beatriz Brandão.
Vivaldi Moreira foi, por muitos anos, colunista semanal do Diário da Tarde. E por dois anos consecutivos no Suplemento Literário do Diário de Notícias. No Rio, ocupou o cargo de Chefe da Divisão de Publicações do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais e também foi diretor da Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional.
De 1959 e 1960, foi membro da Comissão Central da Enciclopédia Brasileira, nomeado pelo Presidente Juscelino Kubitscheck, de onde saiu para ser Chefe do Gabinete do Secretário do Interior, junto ao Desembargador Martins de Oliveira, no governo de Bias Fortes. Em 1964, foi nomeado, pelo governador Magalhães Pinto, Ministro do Tribunal de Contas.
Vivaldi Moreira ocupou o cargo de Ministro do órgão que também presidiu e se aposentou em 1982, para ser, em seguida, nomeado Diretor da Imprensa Oficial do Estado, em 14 de julho de 1982, pelo governador Francelino Pereira. Em 1975, tornou-se presidente da Academia Mineira de Letras, cargo que ocupou por 26 anos, até falecer em 2001.
Além da participação na vida política do Estado, Vivaldi Moreira, enquanto presidente da Academia Mineira de Letras, conquistou a atual sede, o Palacete Borges da Costa, à rua da Bahia, e ainda construiu um prédio anexo para ampliar as instalações da Instituição. Em 1991, tornou-se Presidente Perpétuo da Casa, para a qual doou sua biblioteca particular de 20 mil volumes.
Publicou inúmeros ensaios em revistas especializadas sobre Ciências Sociais e Pedagógicas. Isso o levou a editar vários livros e a se tornar co-fundador da Livraria Itatiaia. Foi presidente do Rotary Club de Belo Horizonte, em cuja gestão se notabilizou por obras sociais de grande repercussão.
O escritor Vivaldi Wenceslau Moreira faleceu, aos 88 anos, em 26 de janeiro de 2001, em Belo Horizonte, sendo reverenciado com honras de Chefe de Estado no enterro. A sua incansável atividade à frente da política e do jornalismo lhe renderam mais de 25 condecorações e participações.
Foi Chanceler da Ordem da Inconfidência de 1982 a 1986, nomeado por Tancredo Neves; membro da Academia Paulista, Alagoana, Sergipana, Piauiense e Espiritossantense de Letras; membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
Foram mais de 20 livros publicados entre crítica literária, ensaios, memórias, estudos históricos e biográficos como A flauta de Mársias, Belo Horizonte, Itatiaia, em 1960; Navegação de cabotagem, São Paulo, Ed. EDART, em 1963; Uma passagem para Meípe, Belo Horizonte, Ed. Casa da Amizade de Belo Horizonte, em 1964; Figuras, tempos, formas, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1966; Daqui e dalém, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, em 1968; Mílton Campos, política e letras, Brasília, Ed. Senado Federal, em 1972; Volta a Meípe, Belo Horizonte, Ed. Rotary Club de Belo Horizonte, em 1973; O menino da Mata e seu cão Piloto, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, em 1981; Perfis contemporâneos e outros escritos, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, em 1982; O velocino de ouro; Personagens e situações; Memorial e destempo, ambos em 1986; Anatomia do matrimônio e outros estudos; Carta ao futuro, entre outros.



