Miniatura

Acadêmico
Mario Casasanta
Número de Cadeira
26 Patrono: Evaristo da Veiga
Data de Posse
01 de abril de 1937
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O advogado e educador Mário Casasanta nasceu em Jaguari, hoje Camanducaia, Minas Gerais, em 15 de junho de 1898, filho de imigrantes italianos, Antônio Casasanta e de Mariana d’Orsini Casasanta, irmão do Acadêmico Manuel Casasanta. Casou-se, em primeiras núpcias, com Nair de Azevedo Casasanta, com quem teve cinco filhos e, em segundas, com Lúcia Schmidt Monteiro de Castro, com quem teve apenas uma filha.
Mário Casasanta cursou o secundário no Ginásio São José, de Pouso Alegre, Minas Gerais e, em 1920, formou-se em Farmácia na mesma cidade, pela Escola Superior de Farmácia. Pouco tempo depois, iniciou o curso de Direito pela Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais – FLDMG, atual Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais.
Em 1925, recebeu o grau de bacharel em uma turma da qual também faziam parte Gustavo Capanema, Abgar de Castro Araújo Renault, Gabriel de Resende Passos e Francisco Negrão de Lima. Logo depois de formado, exerceu a promotoria em Pouso Alegre e a advocacia nas cidades paulistas de Mineiros do Tietê e Campinas.
Em 1928, a convite do Presidente Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, retornou para Minas e assumiu as funções de Inspetor-Geral da Instrução Pública, cargo em que permaneceu até o fim de 1931. No exercício da função, durante o governo de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, juntamente com Francisco Campos, Mário Casasanta realizou importantes reformas no ensino primário público mineiro, que foram incorporadas à chamada Reforma Francisco Campos.
De novembro de 1930 a abril de 1931, ocupou a reitoria da Universidade de Minas Gerais, cargo posto sob intervenção dos governos Federal e Estadual. Ainda em abril de 1931, foi nomeado Diretor da Imprensa Oficial de Belo Horizonte, mas afastou-se do cargo em setembro do ano corrente, a fim de exercer o de Advogado-Geral do Estado.
Em 1932, Mário Casasanta foi um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros da educação nova, apresentando críticas ao sistema educacional brasileiro vigente à época e propostas para a reconstrução das Instituições de ensino segundo os moldes do funcionalismo e da escola ativa.
Em 1934, foi eleito para a Academia Mineira de Letras em sucessão a José Eduardo Teixeira, na cadeira nº 26, patrocinada por Evaristo da Veiga, tendo presidido essa instituição nos biênios 1945-1946, 1951-1952 e 1953-1954.
A longa carreira no magistério, que iniciou em Pouso Alegre e prosseguiu em Campinas, em 1936, foi retomada em Belo Horizonte, visto que assumiu a cátedra de Português do Ginásio Mineiro, mediante a defesa da tese A palavra “mesmo”. No ano seguinte, em setembro de 1937, até janeiro de 1938, voltou a dirigir a Imprensa Oficial. Nesse ínterim, dirigiu o Departamento de Educação do Rio de Janeiro, Distrito Federal, e lecionou Prática de Ensino no Instituto de Educação daquela cidade.
Em dezembro de 1938, realizou concurso em que defendeu a tese O poder de veto e ingressou no corpo docente da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, como professor de Direito Constitucional, cátedra na qual viria a ser nomeado titular na oportunidade da federalização da Universidade, em 1950.
Posteriormente regeu, na mesma Faculdade, a cadeira de Filosofia do Direito do curso de Doutorado. Foi também um dos fundadores da Faculdade de Filosofia de Minas Gerais, hoje pertencente à Universidade Federal de Minas Gerais. Regeu sua cátedra de Língua Portuguesa de 1939 a 1960.
Entre 1941 e 1944, foi novamente Reitor da UMG e professor de Teoria Geral do Estado na Faculdade de Direito da Universidade Católica de Minas Gerais e de Língua Portuguesa e História da Educação no Instituto de Educação de Minas Gerais, cuja direção exerceu, cumulativamente, com a do Centro Regional de Pesquisas Educacionais, nos anos de 1957 e 1958.
De 1945 a 1957, integrou a diretoria da Caixa Econômica Federal de Minas Gerais. Durante o governo de Abgar Renault, entre os anos de 1956 e 1958, Mário Casasanta dirigiu a Secretaria da Educação e firmou convênio entre o estado de Minas Gerais e o governo norte-americano, cujo resultado foi a instalação do Programa Brasileiro-Americano de Assistência ao Ensino Elementar (PABAEE) – nas dependências do Instituto de Educação, então sob sua direção.
De janeiro de 1963 até a véspera de morrer, desempenhou as funções de Secretário do Interior do governo José de Magalhães Pinto. Foi Vice-Presidente da seção mineira do PSP, ocupou a Secretaria-Geral da coligação deste partido com a UDN, o PTB e o PSB, a qual se organizou para coordenar, em Minas Gerais, a campanha plebiscitária de janeiro de 1963.
Mário Casasanta foi membro do Conselho Estadual da Educação, da Academia Nacional de Filologia e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais – IHGMG. Dedicado aos estudos machadianos e camilianos, publicou em jornais de Belo Horizonte, do Rio de Janeiro e de São Paulo numerosos artigos sobre temas filológicos e literários.
Mário Casasanta faleceu em Belo Horizonte, em 30 de março de 1963.
Deixou as obras São Francisco de Assis e as aves do céu, Pouso Alegre, de 1926; Responsabilidade do Estado em atos de guerra, tese de concurso, Belo Horizonte, pela Imprensa Oficial, de 1932; Minas e os mineiros na obra de Machado de Assis, Belo Horizonte, pela editora Os Amigos do Livro, também de 1932; Razões de Minas, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, mesmo ano; Machado de Assis e o tédio à controvérsia, Belo Horizonte, pela editora Os Amigos do Livro, de 1934; Notas de Raul Soares à Gramática de João Ribeiro, Belo Horizonte, pela Livraria Editora Paulo Bluhm, de 1941; Júlio Ribeiro e Maximino Maciel, Rio de Janeiro, Serviço de documentação do Ministério da Educação e Saúde, de 1946; Um caso de acumulação de cátedras, Belo Horizonte, de 1955; O poder de veto, tese de concurso, Belo Horizonte, Ed: Os Amigos do Livro; Machado de Assis, escritor nacional, Ed. Federação das Academias de Letras; A palavra “mesmo”, tese de concurso, Belo Horizonte, Oliveira e Costa; Jesuítas nos Lusíadas?, Rio de Janeiro, Ed. Verbum, e D. Bosco, educador, Niterói, Edição Salesiana.



