Miniatura

Acadêmico
Hindemburgo Pereira Diniz
Número de Cadeira
20 Patrono: Artur Lobo
Data de Posse
17 de junho de 2004
Posição na Cadeira
4° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O advogado e escritor Hindemburgo Chateaubriand Pereira Diniz nasceu no dia 16 de maio de 1932, em Campina Grande, Paraíba, filho de Antônio Pereira-Diniz, prefeito de Campina Grande, à época a maior cidade do interior de todo o Nordeste brasileiro, e de Maria das Neves Chateaubriand Diniz.
Em 1934, aos dois anos de idade, Hindemburgo Diniz, mudou-se para a capital do estado, João Pessoa, onde iniciou os seus estudos e concluiu a sua formação de nível médio no renomado Ginásio Marista.
Em 1950, transferiu-se com sua família, pois seu pai, eleito deputado federal pela União Democrática Nacional – UDN, mudou-se para o Rio de Janeiro, capital da República. Lá, iniciou o curso de Direito na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, no qual se graduou em 1954.
Na capital da República, Hindemburgo Diniz, ainda estudante, iniciou suas atividades profissionais como auxiliar de advogado da Divisão Regional do SESI, do Rio Janeiro, de 1951 a 1953. Foi ainda testemunha dos graves acontecimentos do segundo mandato do presidente Vargas, entre 1951 e 1954.
O jovem advogado assistiu seu pai, deputado federal da UDN, em obstinada atividade política em oposição ao governo, e nessa época foi convidado para atuar no gabinete do ministro da Viação e Obras Públicas, o seu conterrâneo José Américo de Almeida, um dos mais importantes políticos brasileiros do século passado, a par de grande literato.
Nesse ministério, foi Oficial de Gabinete, Secretário e Assistente, nas administrações de José Américo de Almeida, do mineiro Lucas Lopes e do carioca Rodrigo Octávio Jordão Ramos, entre 1953 a 1956. Assistiu, ainda, com muita proximidade, aos eventos ocorridos em 1954 e 1955.
Em 1956, ainda no Rio de Janeiro, participou de um curso de especialização na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe – Cepal, organismo de estudos econômicos das Nações Unidas para a América Latina. De 1957 a 1961 foi assistente jurídico e advogado da Central Elétrica de Furnas.
Em 1958, casou-se, em primeiras núpcias, com Maria Regina Uchôa Pinheiro, carinhosamente chamada de Gigi, uma das filhas do ex-governador de Minas Gerais, Israel Pinheiro, filho do ex-presidente do estado João Pinheiro e então responsável pela construção de Brasília. Nesse mesmo ano, lançou sua primeira obra, Da Desapropriação e no ano seguinte, Sociedade de economia mista, ambas da editora O Cruzeiro, Rio de Janeiro.
Em função de seu cargo de procurador federal, Hindemburgo Diniz mudou-se para Brasília antes mesmo da inauguração da nova capital federal; e de 1961 a 1965, foi diretor-secretário do Correio Braziliense, do grupo Diários dos Associados. A par de suas funções como procurador federal, iniciou sua atividade como jornalista e assumiu, ainda, a direção do Partido Social Democrático – PSD, partido de Juscelino, no Distrito Federal.
O golpe militar de 1964 levou a um desfecho diferente na vida de todos esses personagens políticos: Juscelino Kubitscheck foi cassado e Israel Pinheiro, sogro de Hindemburgo Diniz, assim, candidatou-se ao governo de Minas Gerais, nas eleições de 1965, pelo PSD, obtendo expressiva vitória.
Em 1966, a convite do sogro, Hindemburgo Diniz retornou para Belo Horizonte em busca de iniciar uma nova fase em sua vida. Tornou-se chefe da Assessoria Econômica do governador do estado de Minas Gerais, por sugestão do próprio JK, mas não pôde ser nomeado para o cargo em virtude do parentesco com Israel Pinheiro. Assim, assumiu a presidência do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais – BDMG).
Em sua gestão, de 1967 a 1970 e de 1991 a 1994, o BDMG alcançou grandes resultados que o colocaram no ranking de referência nacional entre outros bancos de fomento, em estreita parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, o BNDES; construiu também sua sede própria, ainda hoje na Rua da Bahia. Decorridos 50 anos de sua inauguração, o edifício é um ícone arquitetônico da capital mineira.
Em 1968, foi coordenador do Projeto Rondon em Minas Gerais; em 1969, em conjunto com outros dirigentes nacionais de bancos, criou a Associação Brasileira de Bancos de Desenvolvimento – ABDE, da qual foi presidente em 1969, e de 1993 a 1995. Foi o idealizador da Fundação João Pinheiro, entidade de planejamento e pesquisa do Estado, que presidiu por dois períodos, em 1970 e de 1984 a 1987.
No período entre 1971 e 1981, idealizou e concretizou a instalação de uma moderna e pioneira fábrica de semicondutores no Brasil, a primeira do hemisfério sul. Assim, a Transit foi criada em Montes Claros. Em 1980, foi diretor da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – ABINEE, e presidente da Associação Brasileira de Empresas do Nordeste.
Hindemburgo Diniz voltou ao exercício da atividade jornalística e assumiu a direção do Conselho Consultivo dos Diários Associados, publicou artigos periódicos na imprensa regional e na nacional, mais ainda, nesse contexto publicou Uma sentença de morte: multinacionais e abuso de poder, editado em 1982. Dois anos depois, lançou A monarquia presidencial, editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro.
Em 1986, publicou Microeletrônica e Sociedade: impactos de Tecnologias Emergentes, Fundação João Pinheiro, Belo Horizonte. Em 1991, casou-se, em segundas núpcias, com Glorinha Pereira-Diniz. De 1993 a 1995, foi presidente da Associação Latinoamericana de Instituições Financeiras de Desenvolvimento – ALIDE. De 1994 a 1995, presidiu a Chairman – World Federation of Development Financing Institutions –WFDFI (Federação Mundial de Instituições Financeiras de Desenvolvimento – FEMIDE.
Entre 1995 e 1998, foi consultor do governo do Estado de Minas Gerais. Em 2004, foi eleito para a Academia Mineira de Letras, em sucessão a Ariosvaldo de Campos Pires na cadeira nº 20, patrocinada por Artur Lobo.
Já no início deste século, lançou quatro obras também de referência: Financiamento do progresso, importância da tecnologia: o papel do Estado, em 2002; BDMG: histórico e desafios, em 2008; Federação hemiplégica e semidemocracia: a realidade do Brasil, em dois volumes, em 2009; Ciência e tecnologia: origem, evolução e perspectivas, em 2011.
Durante os anos em Minas Gerais, Hindemburgo Pereira Diniz assumiu importante protagonismo político, econômico, cultural e social. O advogado, político e escritor faleceu aos 92 anos, no dia 28 de maio de 2024, em Belo Horizonte.



