Miniatura

Acadêmico
Ailton Krenak
Número de Cadeira
24 Patrono: Bárbara Heliodora
Data de Posse
03 de março de 2023
Posição na Cadeira
5º Sucessor
Status
Membro atual
Contato
ailtonkrenak@gmail.com
Descrição Biográfica
O escritor, filósofo, poeta e conferencista Ailton Alves Lacerda Krenak nasceu em 29 de setembro de 1953, no município de Itabirinha, então distrito de Itabira, Minas Gerais, na região do Vale do Rio Doce. Filho de Eunézio Pereira de Lacerda e de Lucy Alves de Souza, pertence ao povo indígena Krenak, originário do Córrego do Itabirinha, território tradicional de sua etnia. Ailton Krenak é uma das vozes mais influentes na defesa dos direitos dos povos indígenas no Brasil e no mundo, com atuação marcada pelo compromisso com a justiça socioambiental, a valorização dos saberes ancestrais e a articulação intercultural.
Sua trajetória começa fora dos espaços acadêmicos formais: foi alfabetizado apenas na adolescência, no estado do Paraná, e atuou como produtor gráfico e jornalista autodidata. Apesar disso, seu reconhecimento intelectual se consolidou por meio de um pensamento que articula cosmologias indígenas, crítica social e reflexão filosófica. Recebeu títulos honoríficos de diversas instituições brasileiras e internacionais: é Professor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2016) e pela Universidade de Brasília (2022), Doutor Honoris Causa em Direito pela Universidade Federal de Ouro Preto (2017), Biólogo Honorário pelo Conselho Federal de Biologia (2024) e Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra da República Francesa (2024). No mesmo ano, foi agraciado como Cidadão Honorário da cidade de Lyon, na França. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia – UFBA (2025).
Ao longo de mais de quatro décadas de ativismo, Ailton desempenhou papel crucial na organização do movimento indígena no Brasil. Foi um dos fundadores da União das Nações Indígenas (UNI), em 1982, onde também atuou como coordenador nacional entre 1984 e 1991. Nesse período, criou o Núcleo de Cultura Indígena e produziu programas jornalísticos na Rádio USP, fundando também a Coordenação de Publicações da UNI, que incluía a produção de jornais, fitas K7 e conteúdos radiofônicos. Sua atuação política foi determinante durante a Assembleia Constituinte de 1987–1988, especialmente na inclusão dos direitos dos povos indígenas no texto da Constituição Federal de 1988. Por essa e outras iniciativas, foi premiado com reconhecimentos internacionais, como o Prêmio Letellier Moffitt de Direitos Humanos (EUA, 1986 e 1987) e o Prêmio Onassis – Homem e Sociedade (Grécia, 1989).
Entre 1988 e 1996, fundou e coordenou o Centro de Formação de Apoio a Pesquisas Indígenas na Pontifícia Universidade de Goiás. Também idealizou projetos culturais relevantes como o Festival de Dança e Cultura Indígena na Serra do Cipó (1998–2003) e a Mostra ALDEIASP, primeira mostra de cinema indígena no CCSP (2014), que mais tarde evoluiu para a Bienal do Cinema Indígena. Em 2023 e 2024, atuou como curador da exposição “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak”, organizada pelo Instituto Tomie Ohtake e itinerante pelo CCBB. Em 2025 realizou a exposição “Ocupação (Men Am-Ním) Ailton Krenak”, no Itaú Cultural, em São Paulo (Fundação Itaú - Brasil).
No campo acadêmico e cultural, participou como docente e conferencista em universidades e fóruns no Brasil e no exterior. Foi professor no Curso de Especialização em Saúde Indígena da Universidade Aberta do Brasil, vinculado à Escola Paulista de Medicina (2013). Desenvolveu projetos como o Ciclo de Estudos Selvagem (2020), em parceria com o coletivo coordenado por Anna Dante, e participou da plataforma Teatro e os Povos Indígenas (TePI), idealizada com Andréa Duarte (2021). Em 2022, foi agraciado com o Prêmio Prince Claus – Impact Award, concedido pela Família Real Holandesa, e eleito para a cadeira 24 da Academia Mineira de Letras. No ano seguinte, tornou-se o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, assumindo o assento número 5.
Autor de extensa obra literária, Krenak publicou livros e artigos que dialogam com públicos diversos e foram traduzidos para múltiplos idiomas. Dentre suas publicações mais notáveis estão Ideias para Adiar o Fim do Mundo (2019), A Vida Não é Útil (2020), O Amanhã Não Está à Venda (2020), Futuro Ancestral (2022) e Um Rio Um Pássaro (2023). Sua produção alcançou leitores em países como Canadá, França, Itália, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Holanda e Argentina. Em 2024, lançou seu primeiro livro infantil, Kuján e os Meninos Sabidos, em coautoria com Rita Carelli.
Ailton também contribuiu como articulador e curador em eventos culturais, como o seminário “Desnaturada: Chamado Ancestral”, realizado em 2025 no Espírito Santo, e proferiu conferência no Collège de France, em Paris, intitulada For a florescidade and a florestania: inhabiting the Earth in the Anthropocene. Ao longo dos anos, colaborou como consultor artístico, mentor de jovens ativistas e participante em projetos audiovisuais com foco em povos originários, como o filme Antígona na Amazônia, dirigido por Milo Rau, no qual interpretou o personagem Tirésias.
Além das honrarias já citadas, foi premiado com o Jabuti (1993), o Prêmio Nacional de Direitos Humanos (2005), a Comenda da Ordem do Mérito Cultural (2008), o Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano (2020) e o Prêmio Faz Diferença – Categoria Brasil (2023). Ao longo de sua trajetória, participou de encontros internacionais, como o Fórum Social Mundial e diversas edições da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), tendo se consolidado como uma das principais vozes globais na discussão sobre crise ambiental, sustentabilidade e descolonização do pensamento.
Ailton vive com Irani Felix Viana Krenak, com quem compartilha sua trajetória pessoal. É fluente em português, possui domínio avançado do inglês e intermediário de francês. Suas competências transitam entre a escrita acadêmica e literária, curadoria, comunicação oral e atuação intercultural, consolidando-se como uma liderança intelectual de nosso tempo, cujas ideias transformam a maneira como habitamos o planeta.
Ailton Krenak ocupa a cadeira 24 da Academia Mineira de Letras, para a qual foi eleito em 14 de junho de 2022 e tomou posse em 3 de março de 2023.



