Miniatura

Acadêmico
Salomão de Vasconcellos
Número de Cadeira
06 Patrono: Bernardo de Vasconcelos
Data de Posse
20 de novembro de 1952
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O intelectual mineiro Salomão de Vasconcellos foi um importante historiador, herdeiro de uma das famílias mais abastadas e ilustres do estado, com grande participação na vida política de Minas Gerais e do Brasil. Salomão nasceu no dia 2 de janeiro de 1877, na Fazenda São João de Castro, atual território de Mariana.
Filho de Francisco Diogo de Vasconcellos com Maria Madalena Vasconcellos, Salomão era o caçula dos três filhos do casal, além dele havia duas meninas. Seu batismo ocorreu em 3 de junho de 1877, na Paróquia de São Caetano de Mariana, sendo o Padre Marcos de Oliveira Lopes o responsável pelo ritual. Ainda criança, Salomão de Vasconcelos viu seu pai perder toda a fortuna da família em disputas políticas. Falidos, sua mãe decidiu mandá-lo, aos 15 anos de idade, a Ouro Preto para estudar e garantir seu próprio futuro. Desde então, ele passou a viver com seu tio Diogo de Vasconcellos, fato, inclusive, que se tornou decisivo na sua carreira enquanto historiador.
Entre 1892 e 1895, Salomão dedicou-se aos estudos de gramática, matemática e de literatura; nesse ínterim, aprendeu também a arte da taquigrafia, ofício que mais tarde, em 1895, em seus completos 18 anos, lhe renderia o trabalho de taquígrafo no Congresso do Estado de Minas Gerais. Em 1899 Salomão perdeu seu pai e tornou-se o suporte da família, ajudando suas irmãs - uma que se dedicou à vida religiosa, tornando-se Dominicana, e a outra professora.
No início do século XX, em 1902, enlaçado à arte, se dispôs a praticá-la na Academia de Direito em Ouro Preto. Em seguida, mudou-se para a nova capital mineira, Belo Horizonte, e ingressou na Faculdade de Direito. Neste período, viveu na República do Acre com outros jovens de famílias abastadas e dessa experiência na república escreveu Memórias de uma República de Estudantes. No segundo ano de direito, Salomão pediu transferência para a faculdade de São Paulo e formou-se em 1905. No ano seguinte, no dia 5 de maio, casou-se, com Branca Tereza de Carvalho, exímia violinista, de família tradicional fluminense. Eles tiveram sete filhos, quatro meninos e três meninas.
Em 1915, Salomão de Vasconcelos passou um período no Rio de Janeiro, onde estudou e concluiu o curso de medicina. Sua formatura foi noticiada no jornal marianense, O Germinal, que lhe teceu elogios por continuar a se aperfeiçoar, mesmo depois de constituir família. Além disso, integrou a Missão Médica do Exército Brasileiro na França, servindo em Paris, Alençon e Le Mans, começando como 1º tenente e vindo a ser promovido a Major médico entre 1914 e 1918. Essa participação na Grande Guerra rendeu-lhe duas condecorações dos governos francês e brasileiro.
Depois de anos atuando na medicina e no direito, Salomão foi convidado pelo prefeito de Mariana, Dr. Josafá Macedo, em 1938, para organização do Arquivo Colonial e Arquivo do 1º e 2º Império da Câmara Municipal de Mariana, hoje Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Mariana. Em seu trabalho de arquivista, Salomão entrou em contato com diversos registros produzidos no passado, tais como sessões da Câmara, deliberações da coroa, a mediação entre poder local e poder metropolitano, cobrança de impostos, entre outras funções. Esse aporte documental permitiu-lhe uma produção histórica, cuja base narrativa foi utilizada para “monumentalizar” a cidade de Mariana. Segundo Vasconcellos, “fazendo-se escritor, agora embalado por esta outra constante de todo homem culto – o amor ao passado”.
A organização do arquivo durou um ano e foi a partir dessa produção que Salomão realizou um processo de reconhecimento de sua própria figura como historiador, uma vez que seu papel de (co)criador dos registros históricos possibilitou um caráter representacional do arquivo. A contar desse momento, por mais de 25 anos, tornou-se um estudioso da história do Brasil e passou a ocupar um lugar de destaque entre os historiadores da época, ganhando a alcunha: Mestre. E mais, foi convidado pelo diretor, Rodrigo Melo Franco de Andrade, para ser colaborador nas pesquisas do SPHAN (Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e representante do 3º distrito desta instituição em Minas Gerais, cargo que ocupou de 1938 a 1945 e passou para seu filho Sylvio de Vasconcellos.
Foi nesse capítulo de sua vida que floresceram suas principais obras, nas quais ecoa, com delicada reverência, o valor de sua terra natal para os destinos da nação. Sua primeira obra foi escrita em 1936, Verdades Históricas, período de intensas mudanças da fase conhecida como o “Redescobrimento do Brasil”. Em seguida produziu O Palácio de Assumar – Estudo Crítico-Histórico, de 1937; Mariana e Seus Templos – Obras D’arte Do Tempo Colonial, em 1938; Ataíde – pintor mineiro do século XVIII, de 1941; em 1946, Os Sinos..(na simbologia e na história) e Breviário histórico e prático de Mariana (guia para turista), de 1947.
Foi neste período de produções literárias que Salomão se filiou a diversas instituições, tais como: o Instituto Histórico de Ouro Preto; IHGMG – Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais – no qual foi presidente e teve um papel preponderante no tombamento de Mariana, levada à condição de Monumento Nacional, em 1945; Instituto Histórico de São Paulo, da Bahia, de Pernambuco, do Rio Grande do Norte, de Sergipe e de Petrópolis; Instituto Histórico Brasileiro de Estudos Sociais de São Paulo; Academia de Letras de Minas Gerais; Sociedade Mineira de Escritores; Ateneu Internacional de Cultura; Academia Americana de la Historia y de la Ciência de Buenos Aires. Além disso, vale ressaltar a adesão ao convite à Revista de História e Arte, criada e liderada por Augusto de Lima Júnior, Victor Figueira de Freitas e Nelson de Figueiredo em Belo Horizonte no ano de 1963.
Tal revista foi um importante espaço de sociabilidade onde Vasconcellos, naquela época com 86 anos, travou intensas discussões patrimoniais, e na qual ocupou o cargo de revisor crítico, tendo uma seção especial intitulada A Palavra do Mestre, em que discursou sobre sua pesquisa acerca da real existência de Aleijadinho. O último texto do autor foi publicado em 1866, um ano após sua morte, na Revista Brasileira de Estudos Políticos. Destarte, o meio intelectual da Revista História e Arte fechou a vida pública e intelectual do historiador, deixando na memória a figura vibrante que ele representava para seus pares. O livro de registro de presença dos acadêmicos da Academia Mineira de Letras, indica que o ano de ingresso na instituição ocorreu em 1952.
Salomão Vasconcellos faleceu em 1965, em Belo Horizonte, mas foi sepultado em sua terra natal e jaz no cemitério de Santana, onde situa-se a Capela de Santana, local onde as famílias tradicionais da cidade sepultavam seus entes queridos.



