Miniatura

Acadêmico
Silviano Santiago
Número de Cadeira
13 Patrono: Xavier da Veiga
Data de Posse
24 de março de 2023
Posição na Cadeira
5º Sucessor
Status
Membro atual
Contato
silviano.santiago@gmail.com
Descrição Biográfica
O poeta, romancista, contista, ensaísta e professor Silviano Santiago nasceu no dia 29 de setembro de 1936 na cidade de Formiga, Estado de Minas Gerais, filho de Sebastião Santiago e Noêmia Farnese Santiago. Com a morte da primeira esposa, ele se casou com Jurandy Cabral Santiago, quando Silviano Santiago tinha cinco para os seis anos, e teve mais quatro filhos. As onze filhas e filhos viveram sob o mesmo teto em Formiga e em Belo Horizonte até os primeiros casamentos das filhas e filhos.
Silviano fez seus primeiros estudos na cidade natal. Em 1948, transferiu-se com a família para a capital do Estado e se matriculou no Colégio Estadual. Em 1959, formou-se em Letras Neolatinas na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFMG. Por dois anos letivos, se especializou em literatura francesa no Centre d’Études Supérieures de Français, no Rio de Janeiro, e em 1961, com bolsa do governo francês, partiu para o doutorado na Sorbonne, Université de Paris. Em 1968, defendeu a tese de doutorado, La genèse des Faux-Monnayeurs d’André Gide, orientada pelo professor Pierre Moreau. Recebeu, então, a Mention Très bien.
Ainda doutorando em Paris, iniciou sua carreira de professor universitário nos Estados Unidos da América. Prestou concurso para a University of New Mexico, em Albuquerque, no estado do Novo México. Naquele país continuou sua carreira, interrompida apenas para a defesa de tese em Paris em 1967/1968, tendo sido também contratado pela Rutgers University, do estado de Nova Jérsei. Defendido o doutorado, prestou concurso em literatura francesa na State University of New York at Buffalo. Foi contratado como Associate Professor with tenure. Em Buffalo, já fazendo parte do quadro permanente da universidade, pediu demissão em 1974. Regressou definitivamente ao Brasil, tendo devolvido o green card ao Consulado norte-americano, no Rio de Janeiro. Ensinou Literatura brasileira e Teoria literária na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) até 1980. Transferiu-se, então, para a Universidade Federal Fluminense, em Niterói, onde se aposentou como Professor Emérito.
Durante sua carreira acadêmica, orientou 44 dissertações de Mestrado e teses de Doutorado, muitas delas publicadas em livro, e participou de inúmeras bancas de pós-graduação e de concursos públicos.
É Doutor Honoris Causa pela Universidade do Chile (2013) e pela Universidade Tres de Febrero, de Buenos Aires (2014).
Em 1959, em Belo Horizonte, publica seus primeiros livros. Foram organizados em parceria com amigas e amigos de geração. Quatro poetas (poemas) e Duas faces (contos). Durante o período de docência norte-americano publica basicamente ensaios em revistas especializadas, como Luso-Brazilian Review, Hispania e PMLA. Em 1970, voltou a publicar criação literária. Saem os poemas de Salto e os contos de O Banquete, escritos no exterior.
Como professor visitante, atuou na: Stanford University, 1967; University of Texas, 1975; Indiana University, 1979; Université de Paris (Sorbonne-Nouvelle), 1982-1984; Yale University, 1996, e Princeton University, 2011.
Na esfera da Crítica literária e cultural, em sua obra destacam-se os seguintes títulos: Carlos Drummond de Andrade (Vozes, 1975), Uma literatura nos trópicos (Perspectiva, 1978), Glossário de Derrida (Francisco Alves, 1976), Vale quanto pesa (Paz & Terra, 1982), Nas malhas da letra (Companhia das Letras, 1989), O cosmopolitismo do pobre (Editora da UFMG, 2004) Ora (direis) puxar conversa! (Editora da UFMG, 2006), As raízes e o labirinto da América Latina (Rocco, 2006), Entrevistas (Azougue, 2011), Aos sábados pela manhã (Rocco, 2013), Genealogia da ferocidade (CEPE, 2017) e Fisiologia da composição (CEPE, 2020).
Além disso, como edições especiais, selecionou, prefaciou e editou o livro comemorativo do Quinto Centenário, Intérpretes do Brasil (3 volumes em papel bíblia, Nova Aguilar, 2000) e prefaciou e anotou a correspondência de Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade, intitulada Carlos & Mário (edição ilustrada, Bem-te-vi, 2002). Selecionou, prefaciou e anotou ainda A República das Letras. Cartas de Gonçalves Dias a Ana Cristina César (XI Bienal Internacional do Livro, 2003).
Seu primeiro romance é O olhar, escrito em 1961 e só publicado em 1974. A partir da década de 1980, escreve e publica Em liberdade (Paz & Terra, 1981), Stella Manhattan (Nova Fronteira, 1985), Uma história de família (Rocco, 1992), Viagem ao México (Rocco, 1995), De cócoras (Rocco, 1999), O falso mentiroso (Rocco, 2004), Heranças (Rocco, 2008), Mil rosas roubadas (Companhia das Letras, 2014), Machado (Companhia das Letras, 2016) e Menino sem passado (Companhia das Letras, 2021).
Destacam-se ainda suas coleções de contos: Keith Jarrett no Blue Note (Rocco, 1996), Histórias mal contadas (Rocco, 2005) e Anônimos (Rocco, 2010). Possui ainda coleções de poemas: Crescendo durante a guerra numa província ultramarina (Francisco Alves, 1977) e Cheiro forte (Rocco, 1995).
Produziu ainda edições comentadas no Brasil: Prosa e Verso (New York, Las Americas Publishing Co, 1969), Prosa e Verso, de Ariano Suassuna (José Olympio, 1976) e Iracema, de José de Alencar (Francisco Alves, 1977) e fez importantes traduções: A Poesia de Jacques Prévert (Nova Fronteira, 1985) e Por que amo Barthes, de Alain Robbe-Grillet (Editora da UFRJ, 1995).
Muitos de seus livros estão traduzidos ao espanhol, inglês, francês e italiano.
Em razão da qualidade de sua produção e conjunto da obra recebeu diversos prêmios: Prêmio Homenagem pelo Conjunto de Obra, Governo de Minas Gerais (2010), Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de obra, Academia Brasileira de Letras (2013), Premio Iberoamericano de Letras José Donoso, Universidade de Talca (2014, Chile), Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro, Academia Carioca de Letras (2017) e Prêmio Faz Diferença, jornal O Globo (2018).
Seus livros têm tido boa recepção por parte da imprensa nacional e estrangeira e pela comunidade universitária. Por cinco vezes mereceram o Prêmio Jabuti, com destaque para o romance Machado que recebeu também o Jabuti do ano. Outros (em ordem cronológica): Prêmio Arthur Azevedo, Biblioteca Nacional (conto), Prêmio Portugal Telecom (romance), Prêmio Mário de Andrade, Fundação Biblioteca Nacional (ensaio), Prêmio Melhor ficção do ano, Academia Brasileira de Letras (romance), Prêmio Oceanos (romance) e Prêmio Fundação Cesgranrio (romance).
Também em razão dessa intensa atividade intelectual, recebeu diversos títulos honoríficos: Membro eleito do PENclub Internacional, Chevalier dans l’Ordre des Palmes Académiques, Governo francês, Officier dans l’Ordre des Arts et Lettres, Governo francês, Médaille de la Ville de Paris (echelon vermeil), Prefeitura de Paris, Medalha de Honra, Ex-aluno da Universidade Federal de Minas Gerais, Medalha da Inconfidência, Governo de Minas Gerais, Medalha Rui Barbosa, Fundação Casa de Rui Barbosa, Medalha de Mérito Cultural, Grau Comendador, Ministério da Cultura, Medalha dos 70 anos do Museu da Inconfidência, Ouro Preto, Cavaleiro da Ordem de Rio Branco, Ministério das Relações Estrangeiras, Honorary Fellow, American Association of Teachers of Spanish and Portuguese (USA) e Diploma de Pesquisador emérito, CNPq.
Silviano Santiago ocupa a cadeira nº 13 da Academia Mineira de Letras, para a qual foi eleito em 18 de outubro de 2021, tendo tomado posse em 23 de março de 2023.



