
O poeta e escritor, que ocupará a cadeira nº 29, é um dos fundadores do Clube da Esquina e é considerado um dos mais importantes letristas e compositores brasileiros
A Academia Mineira de Letras elegeu, na tarde desta quinta-feira, 22 de janeiro, seu novo integrante: Márcio Borges – poeta, compositor e escritor mineiro, que ocupará a cadeira de nº 29. Segundo a comissão de apuração da AML, formada pelos acadêmicos Carlos Herculano (cadeira 37), J.D. Vital (Cadeira 10) e Rogério Faria Tavares (cadeira 08), em sessão presidida pelo presidente Jacyntho Lins Brandão (cadeira 25), o artista e fundador do Clube da Esquina disputou a vaga com outros 11 candidatos e foi eleito com 32 votos, entre 34 votantes. A cadeira 29 foi fundada por Lindolpho Gomes e tem como patrono Aureliano Pimentel. Já foi ocupada por Milton Campos, Pedro Aleixo, Gustavo Capanema, Murilo Badaró, Affonso Arinos Filho e, mais recentemente, por José Fernandes, falecido em outubro de 2025.
O presidente da Academia Mineira de Letras, Jacyntho Lins Brandão (cadeira 25), dá as boas-vindas ao novo acadêmico e diz que a “eleição de Márcio Borges para a AML implica o reconhecimento desta casa a tudo que ele tem feito pela cultura brasileira, como poeta e músico. Ao mesmo tempo, sua chegada honra a AML, ao aliar a nossa história a do Clube da Esquina e, por consequência, a toda rica produção musical mineira”. Ainda sobre a chegada de Márcio Borges, o acadêmico e presidente emérito da AML, Rogério Faria Tavares (cadeira 08), comenta: “com a eleição de Márcio Borges para a Academia Mineira de Letras, a casa de Alfonso de Guimarães faz uma homenagem a um grande compositor, um letrista fenomenal e um historiador do Clube da Esquina”. O presidente emérito da AML completa dizendo que a eleição de Márcio Borges homenageia também “esse importante movimento musical, que marcou a identidade de Minas Gerais para sempre, e uma homenagem a toda uma geração de talento excepcional e que ficará para sempre na nossa memória e no nosso afeto”.
Antenor Pimenta (cadeira 14) comenta que Márcio Borges vem de uma família de músicos e compositores extraordinários e afirma: “suas letras exibem uma poética sofisticada que ele faz questão de manter sob o véu da simplicidade. Márcio ensinou a muitas gerações que de tudo se faz canção e que os sonhos não envelhecem”. O acadêmico comenta que teve o prazer de escrever canções em parceria com Teló Borges, irmão de Márcio, e que essa oportunidade lhe permitiu conhecer de perto o talento dessa “família iluminada”. “Ao eleger Márcio Borges para a cadeira de número 29, torna a AML uma instituição ainda mais admirável”, destaca Antenor Pimenta. A posse do novo acadêmico ainda não tem data confirmada e deve acontecer nos próximos meses.
SOBRE MÁRCIO BORGES
Poeta, compositor e escritor mineiro, Márcio Borges nasceu em 31 de janeiro de 1946, em Belo Horizonte. Márcio Borges fez o curso primário no Instituto de Educação. Fez ainda o antigo curso ginasial no Ginásio Tristão de Athayde e no Colégio Anchieta e completou o terceiro ano clássico no Colégio Estadual, onde se formou em 1967. Em 1968, Márcio ingressou na carreira artística. Juntamente com o parceiro musical e amigo Milton Nascimento, Márcio Borges construiu uma sólida carreira nacional e internacional, tendo mais de duzentas composições musicais gravadas por astros como o próprio Milton Nascimento, além de Elis Regina, Nana Caymmi, Wayne Shorter, Larry Coryell, Jon Anderson, Sérgio Mendes e muitos outros. O Clube da Esquina, movimento que Márcio criou com o parceiro Milton e o irmão Lô Borges, reuniu uma dezena de artistas, como Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Beto Guedes, Flávio Venturini, Tavinho Moura, Toninho Horta, Telo Borges, Murilo Antunes, e gerou centenas de álbuns ao longo de meio século de atividade musical e poética.
Márcio Borges também se destacou como cinéfilo, roteirista e cineasta amador, ganhando prêmios nacionais e internacionais em festivais da juventude, como o curta-metragem Joãozinho e Maria, feito em 1967. Márcio firmou-se também como diretor de espetáculos musicais de Milton Nascimento e Lô Borges, atividade que exerceu ao longo de duas décadas. Em 2000, Márcio Borges dirigiu o ópera Fogueira do Divino, de Tavinho Moura e Fernando Brant. Em 2012, dirigiu o musical Semente, com os grupos vocais Boca Livre, Cobra Coral e Orquestra Sinfônica do Palácio das Artes. Entre 2019 e 2021, Márcio compôs a suíte sinfônica Suíte do Cigano, em 7 movimentos, apresentada em 2023 pela Orquestra Sinfônica do Palácio das Artes, sob regência do maestro Marcelo Ramos.
Poeta e letrista com uma enorme profusão de textos, musicados ou não, o escritor Márcio Borges publicou seu primeiro livro, Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina, em 1996, hoje na décima terceira edição. Depois disso, traduziu o livro de poemas de Paul McCartney Blackbird Singing, publicado em 1998. Em seguida, Márcio lançou a novela infanto-juvenil Os Sete Falcões, segunda edição esgotada em 2000. Márcio é também autor da coletãnea Clube da Esquina – 40 Anos, lançada em 2012. Em 2014, Márcio selecionou, traduziu e publicou o livro Cartas da Humanidade, uma enciclopédia da história humana sempre apresentada em cartas escritas na primeira pessoa. Em 2022, Márcio lançou em co-autoria com a jornalista Cris Fuscaldo, o livro De Tudo Se Faz Canção, comemorativo dos 50 anos de gravação do lendário disco Clube da Esquina, recentemente considerado por críticos especializados e influenciadores digitais o melhor disco brasileiro de todos os tempos.
Palestrante sobre o tema música popular, há anos Márcio Borges tem levado o seminário As Palavras Cantadas a diversas cidades do Brasil, como São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Campina Grande, Ouro Preto e outras, em que estimula pessoas comuns e sem experiência prévia a experimentarem a arte de compor letras de músicas. Dessa forma já foram compostas cerca de 278 letras, por participantes de 14 a 74 anos de idade. Desde 2024, Márcio ministra on-line este curso As Palavras Cantadas, gravado em 24 capítulos destinados a interessados de qualquer espectro, faixa etária e perfil profissional. Em 2011 Márcio Borges se apresentou no auditório da ONU – Organização das Nações Unidas, Nova Iorque, em palestra-show com. Milton Nascimento e Lô Borges, empreendimento internacional da Casa Mac, de Belo Horizonte, e da Associação dos Amigos do Museu Clube da Esquina, cujas atividades encontram-se atualmente suspensas. No ano seguinte, 2012, a palestra-show de Márcio contou com seus irmãos Lô e Telo Borges e foi apresentada no Golden Room do Plaza Hotel, em Nova Iorque. Atualmente, Márcio Borges tem 2 livros no prelo, o romance Oito Canoas Para o Céu – O Santo do Sertão, e o livro de poemas bliíngue Discourses of The Lower Self / Discursos do Eu Inferior, este com ilustrações do renomado artista gráfico Kélio Rodrigues.
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