ACADEMIA MINEIRA DE LETRAS LAMENTA A MORTE DA ACADÊMICA YEDA PRATES BERNIS, OCUPANTE DA CADEIRA DE Nº 06

É com imenso pesar que comunicamos o falecimento de Yeda Prates Bernis, ocupante da Cadeira 06 da Academia Mineira de Letras (AML), neste sábado, dia 26 de setembro de 2026. Poeta, ensaísta, pintora, escritora e cantora, Yeda Prates Bernis construiu uma trajetória marcada pela multiplicidade artística e pela dedicação à literatura e à cultura mineira. Yeda Prates Bernis nasceu em 15 de junho de 1926, em Belo Horizonte, Minas Gerais, e foi eleita para a Academia Mineira de Letras em em 12 de abril de 2007, onde tomou posse em 03 de setembro do mesmo ano, sucedendo a acadêmica Alaíde Lisboa, na Cadeira 06, cujo patrono é Bernardo de Vasconcelos. Nomes como José Carlos Lisboa, Mello Cansado e Salomão de Vasconcellos já ocuparam a cadeira 06.

Nascida em Belo Horizonte, onde sempre residiu, cresceu em uma família ligada às artes, tendo como tio o maestro Carlos Eduardo Prates, o Caiado, consagrado na Europa. Formou-se em Letras Neo-Latinas pela Universidade Federal de Minas Gerais e estudou canto lírico e piano no Conservatório Mineiro de Música. Na juventude, também se destacou como atleta do Minas Tênis Clube, tornando-se campeã mineira e vice-campeã brasileira de natação. Casada com o jornalista Nei Octaviani Bernis, foi mãe de cinco filhos, conciliando a vida familiar com uma intensa produção artística.

Yeda estreou na literatura em 1967, com Entre o rosa e o azul, vencedor do Prêmio Cidade de Belo Horizonte. Ao longo das décadas seguintes, publicou uma extensa obra poética, com títulos como Enquanto é noite, Palavra ferida, Pêndula, Grão de arroz, O rosto do silêncio, À beira do Outono, Encostada na paisagem, A poesia no século XX, Cantata e Viandante. Sua produção recebeu importantes distinções, entre elas os prêmios Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, e Alejandro José Cabassa, da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, além de outras homenagens e reconhecimentos. Seus poemas foram musicados por Camargo Guarnieri e traduzidos para o italiano, inglês, espanhol, francês e húngaro, alcançando circulação também no exterior.

Sua atuação ultrapassou a produção literária e alcançou diferentes campos da cultura e da educação. Foi membro do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, diretora cultural e de imprensa da Sociedade Amigas da Cultura e integrou a Comissão de Comemoração do Ano Internacional da Mulher, em Minas Gerais. Em 1980, coordenou o PRODIARTE – Projeto de Desenvolvimento Integrado de Arte e Educação, realizado em parceria com o Ministério da Educação e a Secretaria de Educação de Minas Gerais, envolvendo 76 escolas e cerca de 42.600 alunos. Também fundou e integrou o Coral Madrigal Renascentista de Belo Horizonte, prefaciou livros, escreveu apresentações para exposições de artistas plásticos mineiros e participou, com um poema, do texto teatral Os ricos da Fala, do Grupo de Jota Dangelo.

Eleita para a Academia Mineira de Letras em 12 de abril de 2007, Yeda Prates Bernis tomou posse em 3 de setembro do mesmo ano, ocupando a Cadeira nº 6. Em sua trajetória, recebeu ainda a Ordem do Cedro – Grau de Cavalheiro, concedida pelo governo do Líbano em reconhecimento a seus textos poéticos sobre o país, além de outras homenagens por sua contribuição à cultura. Com uma obra que transita entre poesia, música, artes visuais e educação, Yeda consolidou uma presença singular na vida cultural de Minas Gerais, fazendo da arte um território de diálogo entre diferentes linguagens e gerações.

Para Jacyntho Lins Brandão, presidente da Academia Mineira de Letras, a trajetória de Yeda foi marcada pela união entre a sofisticação de sua poesia e um olhar atento para a experiência humana. “A Academia Mineira de Letras lamenta profundamente a perda de nossa Yeda Bernis. Nas inúmeras décadas dedicadas à poesia e a esta Casa, ela soube aliar a sofisticada inspiração à sensibilidade por todos os aspectos da vida humana, com atenção especial às coisas simples, em que pulsa o que há de mais importante na existência”, afirma. Nas palavras da acadêmica Ana Cecília Carvalho (cadeira 36) “a voz poética de Yeda Prates Bernis sempre se distinguirá no cânone da literatura brasileira, por ter suas raízes alimentadas pela música e pelo olhar refinado dos gênios da palavra”.

Presidente emérito da AML, Rogério Faria Tavares (cadeira 08) destaca a delicadeza e a permanência da obra de Yeda Prates Bernis. “Yeda viu o século e viu com olhos de poeta, uma poeta delicada, suave, doce, fina, sofisticada. Sintonizada sempre no tempo da delicadeza, construiu sua bela obra poética como quem cuida de um jardim, com paciência e cuidado, atenta às suas sutilezas e aos seus mistérios. Reverente à natureza, à música e aos milagres da vida, sua poesia lançou luzes sobre o instante, o efêmero, o minúsculo e o detalhe, mas também sobre o amor, o silêncio, a morte, a memória e a saudade. Yeda permanecerá sempre na nossa companhia por meio de sua obra perene, de valor inestimável.” 

Márcio Sampaio (cadeira 28), acadêmico da AML, conta que seu “convívio de décadas” com a amiga Yeda sempre foi pontuado pela sua efetividade. Humor e inteligência, assim como sua poesia, especialmente os haikais. Uma voz e uma amizade que ecoa no coração de cada um de nós”. Yeda Prates Bernis será sempre lembrada por sua trajetória inspiradora e por sua inestimável contribuição à cultura de Minas Gerais e do Brasil. O velório da poeta acontece na Capela Fênix, da Funeral House, entre 12h e 16h, deste sábado (26/09).

Sobre Yeda Prates Bernis

Poeta, ensaísta, pintora, escritora e cantora, Yeda nasceu em Belo Horizonte, onde sempre residiu. Na juventude, competiu pelo Minas Tênis Clube e se tornou campeã mineira e vice brasileira de natação. Nasceu em uma família ligada às artes. Seu tio Carlos Eduardo Prates, o Caiado, foi um maestro consagrado na Europa e vencedor do concurso de jovens Regentes em Milão. Segundo o filho de Yeda, Eduardo Bernis, sua primeira opção sempre foi a música, recorda ele, que ainda criança, assistia ensaios do Madrigal Renascentista na garagem da casa de seu avô, a meio quarteirão do Minas Tênis Clube. A poesia, posteriormente, foi um caminho natural, espontâneo.

De acordo com Yeda, seu amor pela literatura e pela arte teve fundamental influência dos pais e da prima Vanessa Neto. Foi casada com o jornalista Nei Octaviani Bernis, falecido em 2005, com quem teve cinco filhos que exigiam sua dedicação total, com muito amor, cuidado e carinho. Nas horas de tranquilidade a inspiração se transmutava em poesia. Formou-se em Letras Neo-Latinas pela Universidade Federal de Minas Gerais e cursou canto lírico e piano no Conservatório Mineiro de Música. Em votação unânime, foi eleita sócia correspondente da Academia Lusíada de Ciências, Letras e Artes, e nomeada Personalidade Ilustre pela Fundação Cultural dos Professores do Estado de Belo Horizonte, devido ao Centenário de Belo Horizonte, em 1997. Estreou na cena literária mineira em 1967, com o livro de poemas Entre o rosa e o azul, pela Editora Cruzeiro, que ganhou o Prêmio Cidade de Belo Horizonte. Em 1974, publicou um livro de poesias pela Imprensa oficial de Minas Gerais: Enquanto é noite e em 1979 publicou a obra, também de poesias, Palavra ferida, pela Editora Veja. 

Em 1976, lançou uma antologia, de variados poemas, de poetas novos de todo o Brasil, SOPOESIA, da Editora do Escritor, de São Paulo. Em 1983, publicou em primeira edição Pêndula, pela Editora Massao Olmo, também de São Paulo, com uma segunda edição em 1986, ano em que publicou, pela Editora Itatiaia, Grão de arroz, que recebeu Menção Especial no Prêmio Jorge de Lima, da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, em 1995. Em 1992, publicou O rosto do silêncio pela Editora Cuatiara e recebeu, no mesmo ano, os prêmios Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, e o Prêmio Alejandro José Cabassa, conferido pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, além do título de Personalidade Cultural, da U.B.E. – Rio de Janeiro. Em 1994, publicou À beira do Outono, da Editora Phrasis, com o Prêmio Hors-Concours Jorge de Lima, no ano seguinte, também da U.B.E. – Rio de Janeiro.

Em 1997, recebeu a importante condecoração Ordem do Cedro-Grau de Cavalheiro, do governo do Líbano, por textos poéticos sobre o país, divulgados no mundo árabe, e ainda a Placa de Prata do Instituto Cultural Newton de Paiva Ferreira. Em 1998, publicou duas obras, Encostada na paisagem e A poesia no século XX, pela qual recebeu, em 1999, o Prêmio Conjunto de Obras da UEB do Rio de Janeiro, e em 2001 a Medalha Auta de Souza da UEB do Rio de Janeiro. Lançou em 2004, Cantata e em 2006, Viandante. Publicou entrevistas, artigos e poemas em diversos jornais e revistas mineiras e no Suplemento Literário de Minas Gerais.

Yeda Prates Bernis tem poemas musicados por Camargo Guarnieri, sob o título Tríptico de Yeda e divulgados pelo país através de discos do Ministério da Educação e Cultura; e poemas traduzidos para o italiano, o inglês, o espanhol, o francês e o húngaro, divulgados no exterior. Além disso, a escritora ocupou diversos cargos e importantes funções em sua carreira. Foi membro do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, na Câmara de Letras e Artes por oito anos, e diretora de imprensa da Sociedade Amigas da Cultura. Foi diretora cultural da Sociedade Amigas da Cultura nas gestões de 1975 a 1977, de 1977 a 1979 e de 1980 a 1981. Integrou a Comissão de Comemoração do Ano Internacional da Mulher, em Minas Gerais, em 1975; coordenou o PRODIARTE (Projeto de Desenvolvimento Integrado de Arte e Educação), em convênio com o MEC e a Secretaria de Educação de Minas Gerais, envolvendo 76 escolas e 42.600 alunos, em 1980. No mesmo ano foi também representante de Minas Gerais no III Encontro do PRODIARTE e no III Seminário Nacional PRODIARTE, no Rio de Janeiro e em São Luís do Maranhão. Atuou ainda como Assistente Administrativa da Secretaria de Estado da Educação-MG, na área cultural.

Yeda realizou diversas atividades na área da cultura: fundou e participou do Coral Madrigal Renascentista de Belo Horizonte e prefaciou diversos livros de literatura de diversos autores. Escreveu apresentações de artistas plásticos mineiros, em catálogos de exposições e participou, com um poema, do texto teatral Os ricos da Fala, do Grupo de Jota Dangelo.

Yeda ocupa a cadeira nº 6 da Academia Mineira de Letras, para a qual foi eleita em 12 de abril de 2007 e tomou posse em 03 de setembro de 2007.

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