
O escritor e jornalista Zuenir Ventura é o convidado do mês de maio para mais uma edição do projeto O Autor na Academia. Mineiro de Além Paraíba, Zuenir assumiu a Cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL) em março deste ano e vem à Belo Horizonte ministrar a conferência Impressões de um novo acadêmico, quando falará sobre a alegria e a responsabilidade da função.
Na ocasião, seu mais recente livro Sagrada família, publicado pela editora Alfaguara, estará à venda pelo valor simbólico de R$5,00.
O Autor na Academia acontece em edições mensais e traz grandes nomes da literatura nacional para discutir sobre assuntos relativos ao universo das letras e da arte. O projeto é uma realização da Academia Mineira de Letras e conta com o apoio da Fiat para sua realização.
O Autor na Academia com Zuenir Ventura
Quarta-feira, 13 de maio de 2015
Horário: 19h
Entrada gratuita sujeita à lotação da sala
Certificados de participação serão emitidos aos interessados
SOBRE “SAGRADA FAMÍLIA”
Algumas histórias resistem ao tempo. A inocência não.
Em seu novo livro, Sagrada família, Zuenir Ventura entrelaça memória e ficção para compor uma narrativa lírica e cativante sobre os amores que resistem ao tempo e a perda da inocência.
Com nostalgia e bom humor, o narrador faz uma viagem ao passado, à ficcional cidade de Florida, para recontar o que viveu em meio a uma numerosa família fluminense. A começar por sua tia, a bela Nonoca, 37 anos de idade e dois de viuvez, e suas visitas regulares à farmácia, onde recebia do farmacêutico atenções muito mais especiais do que uma simples cliente. E suas duas filhas, Cotinha e Leninha, 15 e 14 anos, ansiosas para conhecer o verdadeiro amor.
“Este é um livro fortemente inspirado em memórias, mas para não criar problemas familiares com parentes ainda vivos, inventei muita coisa, troquei nomes, romanceei episódios. O que eu queria mesmo era contar uma história que representasse a hipocrisia daquela época”, conta Zuenir, sobre sua infância e adolescência vivida em universo “tipicamente Rodrigueano”.
Com tipos e cenas que, reconhece o autor, lembram de fato personagens das crônicas de Nelson Rodrigues, Zuenir recria, com grande sensibilidade, os anseios e as atribulações de uma família vivendo na região serrana do Rio de Janeiro, dos anos 1940 até um passado não muito distante.
É um livro de personagens memoráveis: além de Tia Nonoca e as duas filhas casadoiras, há Douglas, um rapaz carismático e por vezes violento, que mudará a vida da família. E o próprio narrador, o menino Manuéu (“me orgulhava da grafia sem saber ainda que era um erro do escrivão”), que acompanha a trajetória dos personagens e aos poucos perde sua inocência de criança.
Sagrada família é também uma história cativante sobre a vida interiorana, com as matinês de domingo, o footing na praça nos finais de semana, os flertes. E o cotidiano de dona Edith e suas meninas de Vila Alegre, a melhor casa da zona do meretrício, com códigos de conduta mais formais que os dos clubes de Florida. Tudo isso à sombra de um período crucial na História do Brasil às vésperas de entrar na Segunda Guerra, com suas intrigas políticas e passionais, compondo o emocionante retrato de uma época.
SOBRE ZUENIR VENTURA
Bacharel e licenciado em Letras Neolatinas, Zuenir Ventura é jornalista, escritor e ex-professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É colunista do jornal O Globo.
Em 1956, ingressou no jornalismo como arquivista e em 1960/61 conquistou bolsa de estudos para o Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. De 1963 a 1969, exerceu vários cargos em diversos veículos: foi editor internacional do Correio da Manhã, diretor de Redação da revista Fatos & Fotos, chefe de Reportagem da revista O Cruzeiro, editor-chefe da sucursal-Rio da revista Visão-Rio.
No final de 69, realizou para a Editora Abril uma série de 12 reportagens sobre Os anos 60 _ a década que mudou tudo, posteriormente publicada em livro. Em 1971, voltou para a revista Visão, permanecendo como chefe de Redação da sucursal-Rio até 77, quando se transferiu para a revista Veja, exercendo o mesmo cargo. Em 81, transferiu-se para a revista IstoÉ, como diretor da sucursal. Em 85, foi convidado a reformular a revista Domingo, do Jornal do Brasil, onde ocupou depois outras funções de chefia.
Em 1988, Zuenir lançou o livro 1968 – o ano que não terminou, cujas 45 edições já venderam mais de 300 mil exemplares. O livro serviu também de inspiração para a minisérie Os anos rebeldes, produzida pela TV-Globo. O capítulo Um herói solitário inspirou o filme O homem que disse não, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.
Em 1989, publicou no Jornal do Brasil a série de reportagens O Acre de Chico Mendes, que lhe valeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.
Em 1994, lançou Cidade partida, um livro-reportagem sobre a violência no Rio, traduzido na Itália e que lhe deu o Prêmio Jabuti. Em fins de 1998, publicou O Rio de J. Carlos e Inveja _ Mal Secreto, traduzido na Itália e lançado em Portugal. Em 99, reuniu trabalhos saídos antes em várias publicações e lançou-os sob o título de Crônicas de um fim de século.
No cinema, fez em parceria com Izabel Jaguaribe o documentário Um dia qualquer, para o canal GNT. A mesma parceria _ ela como diretora e ele como roteirista _ realizou outro documentário, Paulinho da Viola, meu tempo é hoje.
Seus mais recentes livros são Minhas histórias dos outros, de 2005, 1968 – O que fizemos de nós”, de 2008. Conversa sobre o tempo, com Luis Fernando Verissimo e Arthur Dapieve, de 2010, e o romance Sagrada família, de 2011
Zuenir Ventura, 83 anos, é casado com Mary e tem dois filhos, Mauro e Elisa. Em 2015, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, na vaga de Ariano Suassuna.
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