Gislayne Matos lança “Contos para o Século XXI” e discute o poder das histórias no mundo contemporâneo, na AML

08/10/2026

Escritora e pesquisadora apresenta palestra gratuita seguida do lançamento do livro, no dia 8 de outubro, às 19h30, na Academia Mineira de Letras, com tradução em Libras 

Em um mundo de telas, excesso de informação, relações virtuais e pouco tempo para escutar, ainda há espaço para sentar e ouvir uma história? É a partir dessa pergunta que a escritora e pesquisadora Gislayne Matos conduz a palestra “Contos para o Século XXI”, que será realizada no dia 8 de outubro, às 19h30, na Academia Mineira de Letras. O encontro gratuito e aberto ao público será seguido do lançamento do livro de mesmo nome e terá tradução em Libras.

Na obra, Gislayne parte da trajetória dos contos de tradição oral e dos contadores de histórias em diferentes sociedades para investigar que lugar eles podem ocupar no mundo contemporâneo. A pesquisa percorre o papel que narrativas e mitos desempenhavam na formação dos jovens e na construção da vida comunitária em sociedades tradicionais e chega ao presente para questionar se essas histórias, vindas “de todos os cantos e de tão longe no tempo”, ainda conseguem dialogar com as questões de uma sociedade tecnológica, visual, apressada e virtual. Uma das questões levantadas pela autora é justamente o desaparecimento dos contadores de histórias do cenário urbano a partir do século XVIII e seu posterior retorno, a partir da década de 1960, na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, e de meados dos anos 1980 na América Latina. O que explica esse movimento? E qual seria a função desses narradores em uma sociedade cujos valores e modos de vida são tão diferentes daqueles em que os contos e mitos tinham papel central?

Para o contador de histórias francês Michel Hindenoch, “sempre que a humanidade esteve à beira do precipício os contadores reapareceram”. A frase serve de provocação para a pesquisa de Gislayne, que aproxima a contação de histórias de outros processos capazes de reorganizar a vida coletiva. É nesse ponto que entra o conceito de sintropia, apresentado pela autora como um movimento contrário à entropia, entendida como o avanço da desorganização e do caos. “À medida que a entropia avança, um outro processo já está em curso, é a sintropia. A sintropia reverte a entropia, criando nova energia”, explica Gislayne Matos. Para ela, esse movimento de reorganização pode encontrar caminhos na educação, na arte e, especialmente, na contação de histórias.

“Os sistemas que não se fecham às mudanças tendem a se reestruturar pelo uso de mecanismos de retroalimentação, o que poderá se dar, por exemplo, através da educação, da contação de histórias e da arte em geral. Esse processo já está em curso e é aí que entram os contadores de histórias, os educadores, os artistas, os escritores…”, destaca a autora. A ideia de investigar o lugar das narrativas em um mundo marcado por transformações profundas também surgiu a partir de uma conversa sobre filmes distópicos. O diálogo com um amigo cinéfilo levou Gislayne de volta a obras como 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e posteriormente à leitura de O Povo do Segredo, do matemático J. G. Bennett. A partir dessas referências, a autora passou a refletir sobre os ciclos de vida da humanidade e da cultura e sobre a capacidade das narrativas de atravessarem períodos de crise e transformação.

A literatura também oferece uma chave importante para essa reflexão. Ao retomar As Mil e Uma Noites, Gislayne chama atenção para o papel de Scheherazade diante de um rei que havia perdido a capacidade de estabelecer vínculos humanos. Ao contar histórias noite após noite, a personagem interrompe a lógica de violência e vingança e, por meio da palavra, reconstrói uma relação com o outro. A narrativa, nesse sentido, deixa de ser apenas entretenimento e passa a atuar como instrumento de transformação. O livro Contos para o Século XXI está estruturado em duas partes: a primeira apresenta as reflexões teóricas sobre a tradição oral, os contadores de histórias e sua presença na sociedade contemporânea; a segunda transforma essas questões em narrativas. O resultado é uma investigação que aproxima teoria e literatura para pensar o que a palavra compartilhada ainda pode produzir em um tempo marcado pela velocidade, pela fragmentação e pelas relações mediadas pela tecnologia.

A palestra é uma iniciativa da AML e acontece no âmbito dos projetos “Academia Mineira de Letras Manutenção e Funcionamento 2026 (CA 2024.3810.0027)”, incluído na Lei Estadual de Incentivo à Cultura e “Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 256536)”, previsto na Lei Federal de Incentivo à Cultura. O evento tem o patrocínio da CEMIG, a energia da cultura, e do Instituto Unimed-BH – por meio do incentivo fiscal de mais de cinco mil e novecentos médicos cooperados e colaboradores. O evento tem apoio da Minasmáquinas.

SOBRE A AUTORA

Gislayne Avelar Matos é graduada em Pedagogia pela FUMEC-BH; Mestra em Educação pela UFMG-BH; Especialista em Terapia Familiar Sistêmica pela PUC-MG-BH; Especialista em “Art en Thérapie et en Psychopedagogie” pela Université René Descartes Paris V-Paris e Institut National d’Expression, de Création, d’Art et de Thérapie e INECAT-Paris; Formada em Interculturalidade pela Association Interferences Culturelles-Paris; Pesquisadora de oralidade e contos de tradição oral; Contadora de Histórias; Idealizadora, juntamente com a psicóloga Cecília Andrés Caram dos Projetos: Convivendo com Arte, para formação de novos/as contadores/ as de histórias e Noite de Contos, este realizado mensalmente na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes de 1994 a 2001; Apresentou a Noite de Contos em diversas cidades do interior de Minas e em outros estados da federação; Formou novos/as contadores/as do Acre ao Rio Grande do Sul; Ministrou oficinas na Espanha e França; Autora de cinco livros, e participação em seis livros com outros autores; Artigos publicados em revistas especializadas no Brasil e França; Consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e Secretaria do Desenvolvimento Social do Paraná – SEDS para elaboração de Coleção Temática: Contos de Tradição Oral, voltada para trabalhos com famílias em situação de vulnerabilidade social.

INSTITUTO UNIMED-BH

O Instituto Unimed-BH completa 23 anos em 2026 e conta com o apoio de mais de 5,9 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH. A associação sem fins lucrativos foi criada em 2003 e, desde então, desenvolve projetos socioculturais e socioambientais visando à formação da cidadania, estimulando o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, fomentando a economia criativa, gerando trabalho e renda para diversas famílias, valorizando espaços públicos e o meio ambiente, através de projetos patrocinados, apoiados e realizados em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

Acesse www.institutounimedbh.com.br e saiba mais.

CEMIG

A Cemig segue ampliando o incentivo ao setor cultural de Minas Gerais, patrocinando diferentes expressões artísticas em todas as regiões do estado. Democratizar, descentralizar e ampliar o acesso às práticas culturais é um compromisso da companhia com a arte mineira. Ao incentivar a cultura, a Cemig fortalece a tradição, a memória e as raízes, sem deixar de ter a inovação e a tecnologia como aliadas. Estar ao lado da cultura de Minas Gerais é contribuir para a valorização da identidade, para o desenvolvimento do estado, para a movimentação da economia criativa e para a geração de emprego e renda.

SERVIÇO 
Palestra seguida de lançamento
Contos para o Século XXI
com Gislayne Matos
Data: 8 de outubro, a partir das 19h30
Local: Academia Mineira de Letras [Rua da Bahia, 1466 – Centro] 
Entrada gratuita

INFORMAÇÕES PARA IMPRENSA

comunicacao@academiamineiradeletras.org.br

Acessar o conteúdo