Miniatura

Acadêmico
Wilson Bastos
Número de Cadeira
07 Patrono: Luiz Cassiano
Data de Posse
09 de março de 1995
Posição na Cadeira
3° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O professor universitário, advogado, sociólogo, dentista, escritor e genealogista Wilson de Limas Bastos, nasceu em 07 de agosto de 1915, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Filho de João Campos Monteiro Bastos e Maria da Conceição Lima Bastos. Cursou o primário nos Grupos escolares centrais José Rangel e Delfim Moreira; o curso secundário concluiu entre 1930 e 1934, na Academia de Comércio de Juiz de Fora. Casou-se com a também poetisa e artista plástica Vera Lima Bastos
Sua formação acadêmica foi extraordinariamente ampla, abrangendo cursos de Direito, Odontologia, Sociologia, Higiene, Odontologia Legal, Política, Filosofia, Teoria da Música e História da Música. Entre 1935 e 1937, estudou na Faculdade de Medicina de Juiz de Fora; em 1939, diplomou em Odontologia pela mesma Universidade e em 1952 diplomou em Direito. Em 22 de junho de 1978, conquistou o título de Mestre em Educação, pela UFRJ, na área de Administração Escolar; em seguida obteve, em Odontologia, o título de livre-docente em Higiene e Odontologia pela mesma Universidade.
Essa diversidade de conhecimentos se refletia em sua atuação como professor, lecionando Sociologia Educacional e História das Ideias Políticas na Faculdade de Filosofia e Letras, e Política Financeira na Faculdade de Economia e Finanças. Ele também foi professor na Escola Normal Santos Anjos, na Escola Normal Santa Catarina e no Conservatório de Música, além de livre docente em Higiene e Odontologia Legal na Faculdade de Odontologia de Juiz de Fora.
O professor Wilson era descrito como mestre em Educação e Doutor em Odontologia por livre docência em Higiene e Odontologia Legal, e Doutor em Educação. Foi também professor titular da Sociedade do Instituto de Ciências Humanas da UFJF.
Além de suas atividades acadêmicas, Wilson de Lima Bastos desempenhou importantes funções administrativas e políticas. Foi Diretor Tesoureiro do Instituto Cultural Santo Tomás de Aquino e Diretor da Divisão de Patrimônio Histórico e Artístico em Juiz de Fora. Sua participação na vida pública incluiu um mandato como Vereador na Câmara Municipal de Juiz de Fora, de 1947 a 1950. Sua preocupação com questões sociais era evidente, com grande interesse na reforma agrária muito antes da criação do atual MST.
A lista de instituições culturais às quais Wilson Bastos pertenceu, demonstra sua impressionante influência e reconhecimento em diversas áreas do saber. Ele foi membro de vários Institutos Históricos e Geográficos, incluindo o Brasileiro, o de Minas Gerais, o de Juiz de Fora (onde foi fundador e presidente), o do Espírito Santo, o de Niterói e o do Direito Brasileiro, no Rio de Janeiro. Sua afiliação se estendia a academias de letras em diferentes estados, como a Academia Paulistana de História em São Paulo, a Academia Brasileira de Literatura no Rio de Janeiro, a Academia Juizforana de Letras (da qual foi presidente e fundador), a Espiritossantense de Letras em Vitória, a Fluminense de Letras em Niterói, a Santamarense de Letras em São Paulo, e a Goianiense de Letras em Goiás, entre outras. Destacam-se também o Instituto Genealógico Brasileiro, o Instituto de Estudos Valeparaibanos, o Instituto de Direito Humanos de Juiz de Fora, o Instituto Cultural Santo Tomás de Aquino, o Centro de Estudos Sociológicos de Juiz de Fora (fundador e presidente), o Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio, a Comissão Mineira de Folclore, a Fundação José Luiz Pasin, a Associação dos Cavaleiros Templários do Brasil e as Ordens dos Bandeirantes de São Paulo e Minas Gerais. Internacionalmente, foi membro da International Academy of Letters of England. No Colégio Brasileiro de Genealogia, foi admitido em 12 de setembro de 1988 e eleito Titular em 23 de janeiro de 1989.
Como escritor, Wilson Bastos foi um autor prolífico e premiado, produzindo trabalhos em gêneros variados como romances, crônicas, contos, história regional, ensaios, poemas, trovas e genealogia. Sua obra genealógica era particularmente focada nas famílias estabelecidas na região de Juiz de Fora. Ele foi o autor mais fecundo no mundo cultural juiz-forano. Um dos seus mais ilustres filhos, não só pela sua ancestralidade como pela sua intensa participação na vida de Juiz de Fora, fez-se seu próprio editor ao constituir a “Editora Paraibuna”.
Ele publicou, dentre outros trabalhos: Mariano Procópio Ferreira Lage – sua vida, sua obra, sua descendência, de 1961; Francisco Baptista de Oliveira, um pioneiro – sua vida, sua obra, sua descendência, de 1967; Italianos em Juiz de Fora (Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Juiz de Fora, 1971 e 1973); Engenheiro Henrique Halfeld – sua vida, sua obra, sua descendência, de 1975; Minhas Raízes – in Badalo do sino: memórias, de 1986; Os Sírios em Juiz de Fora, de 1988, seu trigésimo terceiro livro; A Fazenda da Borda do Campo e o inconfidente José Aires Gomes, de 1992.
Sua obra Os Sírios em Juiz de Fora, lançada pela Editora Paraibuna em 1988, resultou de uma pesquisa histórica detalhada sobre a imigração síria para a cidade, com prefácio de Almir de Oliveira. O livro aborda a história da Síria, a construção da Igreja Melquita e do Clube Sírio e Libanês em Juiz de Fora, e incluiu entrevistas com sírios e seus descendentes que residiram na cidade, além de discutir casamentos entre as famílias sírias e com brasileiros.
Wilson de Lima Bastos foi detentor de inúmeras condecorações e prêmios na área da cultura. Em 1973, recebeu um prêmio do Ministério dos Transportes pelo trabalho "Do Caminho Novo dos Campos Gerais à Atual BR-135", em um concurso sobre 150 anos de transportes no Brasil. Em 1978, sua obra Na Sombra das Aroeiras, o primeiro romance do Ciclo do Café na Zona da Mata de Minas Gerais, foi agraciada com o Prêmio Joaquim Nabuco (História Social) da Academia Brasileira de Letras. Ele também recebeu o prêmio Dr. Antônio Procópio de Andrade Teixeira, da Universidade Federal de Juiz de Fora, pelo livro Sob o Signo da Esperança, o segundo romance do Ciclo do Café, editado em 1977. Em 1983, foi condecorado com o prêmio Clio de História pela Academia Paulistana de História, por seu livro Academia de Comércio de Juiz de Fora – O Primeiro Instituto de Ensino Superior de Comércio no Brasil.
Além de sua produção literária, Wilson de Lima Bastos também se destacou como violoncelista da Orquestra Sinfônica de Juiz de Fora. Sua irmã, a poetisa Carmem Sylvia Bastos Barbosa, também se dedicava à literatura. A vida e obra de Wilson de Lima Bastos são um testemunho de um homem incansável, comprometido e pertinaz, que buscou enaltecer Juiz de Fora e cultivar em seus cidadãos o pleno exercício da cidadania. Sua memória perdura através de suas contribuições nas áreas do direito, da sociologia, da odontologia, da educação e, sobretudo, da literatura e da genealogia, nas quais deixou uma marca indelével.
O falecimento de Wilson de Lima Bastos ocorreu às vésperas de uma visita cultural que faria a Portugal, e ele sempre foi merecedor de respeito e reconhecimento por parte dos membros da Associação de Cultura Luso-Brasileira. Faleceu em 20 de outubro de 1998.



