Miniatura

Acadêmico
Oscar Mendes
Número de Cadeira
36 Patrono: José Eloy Ottoni
Data de Posse
1952
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O professor Oscar Mendes Guimarães nasceu em Recife, Pernambuco, em 25 de julho de 1902, filho de José Mendes da Cruz Guimarães e de Amélia Olindina Guimarães. Iniciou os estudos primários na Escola Paroquial de São José, em Recife, e o secundário realizou no Colégio Salesiano do Recife.
Frequentou por algum tempo a Escola de Engenharia, em seguida, começou o curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife, onde se diplomou em 1924. Logo depois de formado, em 1926, fixou-se em Minas Gerais, como Promotor de Justiça da Comarca de Bonfim, cargo que exerceu durante seis anos, até 1932.
Em 1929, em terras mineiras, casou-se com Maria da Conceição Figueiredo Guimarães. Ingressou na Magistratura estadual e, em 1932, foi Juiz Municipal de Pará de Minas até meados de 1935. Lá foi professor de História da Civilização e Filosofia no Colégio São Geraldo.
Em 1935, mudou-se para Belo Horizonte, onde passou a integrar o corpo docente do Departamento de Instrução da Força Pública, na cadeira de Português, ao mesmo tempo em que trabalhava no Gabinete do Governador Benedito Valadares Ribeiro. Foi, nesse período, redator no jornal católico O Diário. Em 1935, a convite do arcebispo de Belo Horizonte, Dom Antônio dos Santos Cabral, assumiu a chefia da redação desse órgão de inspiração católica, do qual foi diretor por muitos anos. Colaborou nos suplementos literários dos jornais Folha da Manhã e A Gazeta, e na revista Planalto, todos de São Paulo; colaborou também na revista A Ordem, do Rio de Janeiro; no caderno de literatura do Diário de Pernambuco, do Recife, e na edição mineira da Última Hora, do Rio de Janeiro.
Em 1940, foi nomeado Presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais – Ipsemg e aposentou-se neste cargo, em 1953. Na Capital mineira prosseguiu na carreira do magistério secundário, que iniciou, ainda muito jovem, no colégio recifense em que havia estudado.
Dedicou-se ao ensino superior, como professor de Sociologia no curso pré-jurídico da Faculdade de Direito da Universidade Minas Gerais; foi professor de Literatura Italiana e de Estética na Faculdade de Filosofia da Universidade de Minas Gerais; foi professor fundador da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Maria, depois incorporada à Universidade Católica de Minas Gerais, onde exerceu também as funções de Diretor.
Foi, ainda, na mesma Universidade Católica, professor de Antropologia e Etnologia do Brasil, Teoria da Literatura, Literatura Comparada e professor titular de Literatura Brasileira. Em 1949, por escolha do governo de Pernambuco, foi orador oficial nas comemorações do centenário de nascimento de Joaquim Nabuco.
Em 1952, foi eleito para a Academia Mineira de Letras, em sucessão ao fundador Nélson Coelho de Sena, para a cadeira nº 36, patrocinada por José Eloy Ottoni. Em 1961, a convite do Departamento de Estado, proferiu conferências e ministrou cursos de literatura Brasileira em várias universidades norte-americanas.
Em 1966, Oscar Mendes foi professor visitante de História das Literaturas, na Universidade de Brasília, Distrito Federal. Foi crítico literário desde 1929, inicialmente na desaparecida Folha de Minas e depois nos matutinos de Belo Horizonte O Diário e Estado de Minas no qual manteve, por muito tempo, a seção semanal “No mundo dos livros”. Exerceu a função de crítico de livros estrangeiros, especialmente portugueses, na Revista Brasileira, editada pela Academia Brasileira de Letras, instituição na qual foi, por treze anos, diretor do curso de Literatura Brasileira.
Em 1968, foi agraciado com o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Conferencista em 1970 e 1971, nos Encontros de Escritores, promovidos pela Fundação Cultural do Distrito Federal, em Brasília foi, ainda, Diretor Literário da Editora Itatiaia, sócio correspondente da Academia Pernambucana de Letras, da Academia Cearense de Letras e do Instituto Histórico do Ceará.
Em 1972, proferiu, em missão cultural do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conferências no Estado de Israel. Depois passou três meses em Portugal, para estudos, a convite do Instituto de Alta Cultura de Portugal. Visitou, ainda, Angola e Moçambique, a convite da Agência Geral de Ultramar, com conferências em Sá Bandeira e Lourenço Marques.
Das inúmeras condecorações que recebeu, destacam-se as Palmas Acadêmicas do governo francês; Medalha de Ouro do governo Italiano; Placa de prata da Academia Teresopolitana de Letras; Medalha de Honra da Inconfidência Mineira e o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte, de Minas Gerais e de Bonfim.
Oscar Mendes tinha em preparo várias outras obras, inclusive as biografias de José de Alencar e Emily Bronté, um panorama da Literatura Brasileira e um livro de memórias. Faleceu em 4 de novembro de 1983, em Belo Horizonte.
Tradutor, entre outras, das obras completas de Edgard Allan Poe e de Oscar Wilde, das poesias completas de Shakespeare, do teatro completo, da poesia e prosa de Frederico Garcia Lorca, do teatro completo, dos contos e novelas e do romance Guerra e paz de Tolstoi, publicou discursos, conferências e os livros Quem foi Pedro II, ensaio, 1930; Alma dos livros (ensaios de crítica), Belo Horizonte, Os Amigos do Livro, 1932; Papini, Pirandello outros (ensaios de crítica), Belo Horizonte, Editora Paulo Bluhum, de 1941; Nabuco, Mauriac e Baudelaire, Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura, de 1945; José de Alencar – os romances urbanos, Rio de Janeiro. Agir, de 1965; José de Alencar – os romances indianistas, Rio de Janeiro, Agir, 1968; Poetas de Minas (ensaios), Belo Horizonte, Imprensa Oficial, de 1970; Tempo de Pernambuco, Recife, Imprensa da Universidade de Pernambuco, de 1971; Um brasileiro lê Paço D'Arcos, Lisboa, de 1971; Vamos conversar sobre, Belo Horizonte/São Paulo, Itatiaia, de 1972; Estado de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Editora Bloch, de 1976; Presença de Paço D'Arcos no Brasil, Lisboa, Edições do Templo, de 1979; Seara de romances, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, de 1982.



