Miniatura

Acadêmico
Orlando Carvalho
Número de Cadeira
35 Patrono: João Pinheiro
Data de Posse
03 de julho de 1958
Posição na Cadeira
3° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O político, professor, acadêmico, advogado e jornalista Orlando Magalhães de Carvalho, nasceu em Pouso Alegre, Minas Gerais, em 20 de novembro de 1910. Filho do médico José Pinto de Carvalho e de Alcina de Magalhães Carvalho, casou-se com Lourdes Pinto de Carvalho.
Realizou os estudos secundários nos ginásios das cidades sul-mineiras de Muzambinho, no Lyceu do Prof. Salathiel de Almeida, de Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí. Iniciou o curso superior de Direito na Faculdade Livre de Direito da Universidade Minas Gerais, hoje UFMG, onde bacharelou-se em 1931.
No ano seguinte frequentou, na Sorbonne, em Paris, o Cours de Civization Française. Em 1933, dedicou-se ao magistério; durante um ano foi professor do Departamento de Instrução da Força Pública do Estado e, de 1937 a 1942, do curso pré-jurídico do Colégio Universitário de Minas Gerais.
Em 19 de dezembro de 1938, submeteu-se a concurso para livre-docência de Direito Público Constitucional da Faculdade Livre de Direito da Universidade de Minas Gerais. Com o desdobramento da cadeira em Direito Constitucional e Teoria Geral do Estado, foi indicado para reger esta última, que assumiu em março de 1941; aprovado em concurso, tornou-se posteriormente titular efetivo.
Orlando Carvalho foi um dos fundadores, em Belo Horizonte, do Colégio Marconi, ali lecionando até 1950, bem como no Colégio Batista Mineiro. Em 1939, ingressou na Faculdade de Filosofia de Minas Gerais, hoje pertencente à UFMG, como catedrático de Língua e Literatura Francesa, tendo lecionado até 1954.
No Governo Mílton Soares Campos, dirigiu o Departamento de Assistência aos Municípios, de 1948 a 1949, e o Departamento de Administração Geral, de 1949 a 1950, como também exerceu o cargo de Secretário da Educação e Saúde Pública, de 1950 a janeiro de 1951. De 1948 a 1980, integrou o Conselho Universitário da UFMG, da qual foi Vice-Reitor em dois triênios de 1952 a 1954; 1955 a 1957.
Em 1961, tornou-se Reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, cargo que ocupou até 1964, com a instalação da ditadura militar. Orlando Carvalho foi um dos pioneiros da sociologia eleitoral brasileira, analisou as mudanças da sociedade brasileira nas décadas de 1940 e 1950, e pedia a renovação dos partidos de centro, como o PSD e a UDN que, em sua visão, deveriam adaptar suas estruturas à realidade social da urbanização e da industrialização.
Entre outras missões no exterior, cumpriu as de membro da Missão Brasileira à Argentina, chefiada pelo Ministro San Tiago Dantas, em 1963, e de delegado da OEA nas eleições presidenciais da República Dominicana, em 1966. Foi oficial da Orden Del Mérito, da Argentina, e da Légion d' Honneur, da França. Foi, ainda, fundador da União Democrática Nacional – UDN, em Minas Gerais, ocupou altos postos na sua direção e organizou o seu Departamento de Cultura.
Exilado pelo regime militar, em 1968, transferiu-se para o Tennessee, EUA, onde trabalhou como professor visitante na Universidade Vanderbilt, em Nashville. De volta ao Brasil, em 1971, presidiu à Comissão Especial de Leis Complementares à Constituição do Estado de Minas Gerais e, em 1974, desempenhou as funções de Reitor pro tempore da UFOP.
Em 1986, foi nomeado pelo então presidente José Sarney para membro da Comissão Provisória de Estudos Constitucionais, conhecida como Comissão Afonso Arinos, que teve por finalidade elaborar um anteprojeto constitucional, oferecido à Assembleia Nacional Constituinte para a elaboração da Constituição de 1988.
Em 1997, foi homenageado pelo prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro, como parte das comemorações do centenário da cidade, com a Medalha Centenário, pelas suas contribuições para a educação do povo belo-horizontino e da implantação do campus da Pampulha da UFMG.
Dentre suas atividades relacionadas com o exercício do magistério destacam-se a reorganização da Revista da Faculdade de Direito; a direção, desde 1946, da Revista Brasileira de Estudos Políticos e da sua coleção de estudos sociais e políticos; a participação na direção da Comissão de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior – CAPES; da Escola Latino-Americana de Sociologia, em Santiago, Chile; do Centro Latino-Americano de Pesquisas em Ciências Sociais, no Rio de Janeiro.
Presidiu a Comissão do Conseil International des Sciences Sociales, Unesco, em Paris, a Comissão de Administração Pública do Ponto IV, no Rio de Janeiro, a Associação Brasileira de Sociologia, e a Associação Brasileira de Ciência Política.
Como jornalista, foi redator do Minas Gerais, órgão oficial do estado e colaborador do Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, e dos Diários Associados, de Belo Horizonte. Orlando Carvalho faleceu aos 87 anos, no dia 13 de agosto de 1998, em Belo Horizonte.
Publicou as obras Ensaios de política econômica, Belo Horizonte, Os Amigos do Livro, em 1934; Duas oficinas de Polícia técnica - Lyon e Lausanne, Belo Horizonte, Os Amigos do Livro, em 1935; Problemas fundamentais do município, São Paulo, Editora Nacional, em 1936; O rio da unidade nacional - o São Francisco, São Paulo, Ed. Nacional, em 1937; O Município Mineiro em Face das Constituições, Belo Horizonte, Os Amigos do Livro, em 1937; Curso de Teoria Geral do Estado, São Paulo, Civilização Brasileira, em 1942; O mecanismo do Governo Britânico, São Paulo, Livraria Acadêmica, em 1943; Política do município, Rio de Janeiro, Agir, em 1945; URSS, um estado socialista de operários e camponeses, Rio de Janeiro, Agir, em 1947; A crise dos partidos nacionais, Belo Horizonte, Ed. Kriterion, em 1950; Caracterização da Teoria Geral do Estado, Belo Horizonte, Ed. Kriterion, em 1951; Ensaios de Sociologia Eleitoral, Belo Horizonte, Edições Revista Brasileira de Estudos Políticos, em 1958; A multiplicação de municípios em Minas Gerais, em 1957; Características e distorções da Universidade no Brasil, em 1977; Os desafios sociais e econômicos do fim do século XX e as nações em desenvolvimento, em 1978; A atualidade do pensamento político de Mílton Campos, em 1979.



