Miniatura

Acadêmico
Nelson de Faria
Número de Cadeira
21 Patrono: Fernando de Alencar
Data de Posse
16 de novembro de 1961
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escritor, banqueiro e farmacêutico Nelson Soares de Faria, nasceu no arraial de Fortaleza, distrito de Salinas, hoje município de Pedra Azul, Minas Gerais, Nordeste do sertão mineiro, em 29 de abril de 1902, filho de Pacífico Soares de Faria e de Ana Secunda de Figueiredo Faria.
O curso primário realizou com professores particulares. Depois, aos quinze anos, aconteceu a sua primeira viagem de 70 léguas, a cavalo, quando dormiu em pousos de tropeiros e boiadeiros para alcançar, assim, a estrada de ferro de Diamantina com destino a Belo Horizonte. Provavelmente suas raízes literárias regionalistas venham dessas primeiras e mais fortes impressões de travessia.
Recém-chegado em Belo Horizonte, estudou como interno no Instituto Claret, onde cursou o secundário, transferindo-se depois para o Ginásio Mineiro, no bairro da Serra. Concluiu os preparatórios e fez o curso de Farmácia, na Faculdade de Odontologia e Farmácia, onde se diplomou em 1922. Mais tarde, bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais.
Quando estudante, entre os 20 e os 22 anos, publicou seus primeiros versos, contos e crônicas em jornais da capital mineira. Com Ageu Pio Sobrinho e Clemente Medrado, fundou o jornal Footing, que contou com a colaboração de Abgar Renault, Djalma Andrade, Carlos Drummond e outros. Com o conto Nas capoeiras, ganhou o segundo lugar no Concurso Literário promovido pelo O Jornal, do Rio de Janeiro, que foi publicado em 24 de novembro de 1922 nesse periódico.
Nelson de Faria voltou para sua terra natal e exerceu ali, por três anos e meio, a profissão de farmacêutico. Atendeu e conviveu com o povo simples do sertão, a quem procurou compreender melhor, estudando-lhe a psicologia, o linguajar, as práticas, os costumes e o folclore. Nesse tempo, casou-se com Anália Ferreira de Faria e transferiu-se, definitivamente, para Belo Horizonte.
Na capital mineira, fundou, junto com seu irmão Clemente Soares de Faria, o Banco da Lavoura de Minas Gerais S.A., depois Banco Real S.A., do qual por longo tempo foi vice-presidente. Continuou ainda a publicar em jornais e revistas, sob pseudônimo, trabalhos literários, principalmente narrativas sertanejas.
Em 1959, já bacharel em Direito, decidiu enviar, em meses diferentes, três narrativas ao Concurso Permanente de Contos que o jornal Estado de Minas organizou e obteve três vitórias. Em 1960, entusiasmado, resolveu publicar Tziu, composto de dez histórias sertanejas, em edição particular de mil exemplares, para presentear amigos e conhecidos. Enviou o livro à crítica, que o recebeu com aprovação.
Em maio de 1961, foi eleito para Academia Mineira de Letras, e, em junho do mesmo ano, recebeu na Academia Brasileira de Letras o Prêmio Afonso Arinos, concedido ao livro de estreia. Tziu reapareceu em 2ª edição, no Rio de Janeiro, pela J. Olympio, em 1963, com o título de Tziu e outras estórias, ao qual foram acrescentados oito novos contos, também relativos ao meio rural e sertanejo.
Em 1963, estreou no Rio de Janeiro, com o romance Cabeça torta, também pela J. Olympio, e obteve, no ano seguinte, o Prêmio João Alphonsus da Secretaria da Educação de Minas Gerais. Em 1965, publicou Bazé: estórias sertanejas, que logrou igual êxito aos das obras anteriores.
Nelson de Faria faleceu em Belo Horizonte, em 25 de março de 1968. Seu nome foi dado a uma rua no bairro Cidade Nova.



