Miniatura

Acadêmico
Moacyr Chagas
Número de Cadeira
03 Patrono: Aureliano Lessa
Data de Posse
04 de dezembro de 1921
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Moacyr Lafayette de Macedo Chagas, filho de Lafayette Justiniano das Chagas e Matilde de Macedo Chagas, nasceu em 13 de abril de 1894, em Oliveira (MG), e morreu em 13 de fevereiro de 1940, em Santos (SP). Foi sepultado no Cemitério do Araçá, na capital paulista.
Viveu a maior parte da infância e adolescência em São Paulo, junto à família de sua mãe. Cursou o primário, inicialmente, na Escola Normal, sob a direção do tenente-coronel Gabriel Prestes e, posteriormente, na Escola Modelo Maria José, onde, em 1898, estando com apenas 4 anos e 5 meses de idade, declamou um poema em homenagem à diretora Elisa Rachel de Macedo, sua tia materna. Depois, em 1905, ingressou no Ginásio de São Bento, para cursar o secundário. Em 1908, transferiu-se para o Ginásio Anglo-Brasileiro, concluindo os estudos em 1910.
Na sequência, em 1911, aos 17 anos de idade, foi emancipado pelo juiz de órfãos e ausentes, Godoy Sobrinho. Pouco depois, mudou-se para Belo Horizonte, trabalhando como secretário e professor de literatura portuguesa no Colégio Anglo-Mineiro, entre 1914 e 1915. Pedro Nava, que foi seu aluno, registrou algumas passagens sobre o mestre nas páginas da obra Balão Cativo: “O Chagas vinha uma ou duas vezes por semana presidir o estudo da noite. Esperávamos essa oportunidade ansiosamente, porque ele trazia sempre um livro para ler alto para nós. Lia bem, usando os recursos de sua bela voz e sua mímica nada ficava devendo à sua declamação. Parece que fazia essas leituras muito para seu próprio deleite, mas, assim como assim, foi quem me iniciou literariamente.”
Foi eleito para a Academia Mineira de Letras em 4 de dezembro de 1921. Porém, após uma série de contratempos envolvendo sua posse, renunciou em 23 de junho de 1922. Curiosamente, antes de tomar a polêmica decisão, publicou poemas inéditos nas revistas paulistas A Cigarra e A Vida Moderna, subscrevendo “Moacyr Chagas, da Academia Mineira de Letras”. Logo depois, cogitou candidatar-se novamente à vaga, da qual abdicara, mas decidiu não levar tal intenção adiante.
Permaneceu em São Paulo, onde estava temporariamente a trabalho. Testemunhou, com desaprovação, os desdobramentos da Semana de Arte Moderna ocorrida em 1922. Desde então, posicionou-se radicalmente contra os modernistas, criticando-os e provocando-os publicamente, por meio de artigos jornalísticos veiculados pela Folha da Noite. Nesse contexto, acusou Menotti Del Picchia de plágio, em 1923, mas foi rebatido por Sérgio Buarque de Holanda, que lhe devolveu a acusação na revista O Mundo Literário, do Rio de Janeiro.
Da mesma forma, combateu veementemente o Futurismo, movimento liderado por Filippo Tommaso Marinetti, com quem se indispôs pessoalmente na noite de 24 de maio de 1926, durante uma tumultuada conferência de Marinetti no Teatro Cassino Antártica.
Nessa altura, tornou-se servidor público, fazendo carreira como escriturário na Secretaria Estadual de Fazenda e na Recebedoria de Rendas de Campinas. Paralelamente, participou ativamente da imprensa, tendo sido redator-chefe do Correio Popular, de Campinas, e d’A Tribuna, de Santos. É possível que utilizasse o pseudônimo “Paulo de Freitas”.
Como palestrante, participou de inúmeros eventos, dentre os quais a primeira sessão literomusical do Centro de Cultura Intelectual de Campinas, em 1935, e a abertura do concerto em homenagem ao centenário do compositor Carlos Gomes, em Santos, no ano de 1936. Além disso, integrou a Academia de Ciências e Letras de São Paulo e o conselho consultivo da Associação Santista de Amparo Social, ligada ao Rotary Clube de Santos.
Publicou contos, poemas e romances, dentre os quais: Turibulário (1914); Sombras (1915); Phantasias (1916); Redenção (1921); Crepúsculos (1922); Um Cão... e Outros... Contos do Vigário (1922); São Paulo e Seus Homens de Letras - Menotti Del Picchia e suas obras (1923); Últimos Poemas (1924); Romance de um Coração (1938). Escreveu, também, peças de teatro, tais como: A Luva; Fogo de Artifício; Golfinho; Nhô Quim; Os Milhões do Pirata, em parceria com Plínio Mendes; e Sonho de Primavera.



