Miniatura

Acadêmico
Moacyr Andrade
Número de Cadeira
15 Patrono: Bernardo Guimarães
Data de Posse
13 de abril de 1936
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Moacyr Assis Andrade nasceu em Queluz de Minas, hoje Conselheiro Lafaiete, em 9 de novembro de 1897, filho do médico Dr. Antônio Cândido de Assis Andrade e de D. Leonor Martins de Andrade, irmão do acadêmico Djalma Andrade. Em 1918, aproximadamente, casou-se com Martha Chagas Andrade, com quem teve quatro filhos: Moacyr Afonso, Maria Auxiliadora, Francisco e Paulo Afonso.
Iniciou os estudos secundários no Externato Ginásio Mineiro, de Barbacena. Em 1915, aos 18 anos de idade, diplomou-se em Odontologia pela Faculdade Livre de Medicina de Belo Horizonte. Exerceu durante dois anos a profissão de cirurgião-dentista, mas logo dedicou-se integralmente às atividades da imprensa, que iniciou em 1913, no antigo Diário da Tarde, de Belo Horizonte, e das quais nunca mais se afastou.
Foi editor dos jornais A Nota, Novidades e A Gazeta e redator-chefe dos periódicos literários Minas em Foco, Domingo e Risos e Sorrisos, também lançou o panfleto A Esquina, de breve, mas incisiva atuação, e colaborou nas revistas Radium, Revista de Minas e Pela Vida. Em 1922, durante a campanha presidencial dirigiu, em Belo Horizonte, o jornal O Arauto, que apoiou a candidatura de Artur da Silva Bernardes, e publicou na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, então Capital Federal, artigos mais tarde enfeixados em volume.
Em 1925, com o jornalista carioca Vítor Silveira, fundou o Correio Mineiro, que assinalou o início da modernização da imprensa belo-horizontina e do qual foi redator, redator-secretário e redator-chefe. Em seguida, participou, ao lado de Lauro Santos e José Guimarães Menegale, da fundação do Diário Mineiro e do Jornal da Noite, o qual entre 1929 e 1930, fizeram a campanha para a Aliança Liberal e para o movimento revolucionário subsequente.
Em 1934, foi incluído entre os colaboradores permanentes dos Diários Associados. Escreveu, até o seu falecimento, para o Estado de Minas e para o Diário da Tarde, crônicas diárias, sob os pseudônimos de José Clemente e Gato Félix, respectivamente. Também publicou crônicas, assinadas por Pajé Tupiniquim, em O Jornal, do Rio de Janeiro, e por Patrício Sobrinho, no Diário de Minas, além de artigos de colaboração no Diário de São Paulo e no Diário da Bahia.
Em 1936, Moacyr Andrade foi eleito para a Academia Mineira de Letras, onde sucedeu ao sócio fundador Dilermando Martins da Costa Cruz na cadeira nº 15, patrocinada por Bernardo Guimarães. Na Imprensa Oficial de Minas Gerais, em cujo quadro funcional ingressou em 1917, fez carreira no setor de revisão e, depois, na redação do órgão governamental Minas Gerais, do qual foi redator-secretário de 1931 até 1949, quando se aposentou.
Durante a curta permanência de Noraldino Lima como Interventor Federal em Minas Gerais, de 14 de novembro a 18 de dezembro de 1946, Moacyr Andrade exerceu o cargo de Diretor da Imprensa Oficial. Foi também Diretor do jornal oficioso Folha de Minas de 1952 a 1954, por escolha do Governador Juscelino Kubitschek de Oliveira. De 1956 a 1960, no Governo de José Francisco Bias Fortes, dirigiu o Serviço de Radiodifusão do Estado, a Rádio Inconfidência de Minas Gerais.
Desempenhou, ainda, os cargos de Diretor da sucursal mineira da revista Observador Econômico e Financeiro, membro da diretoria regional da Liga da Defesa Nacional, membro correspondente da Sociedade de Estudos de Moçambique (Portugal), sócio da Academia Marianense de Letras, membro honorário da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e membro efetivo da Academia Barbacenense de Letras.
Foi cidadão honorário de Belo Horizonte, título outorgado pela Câmara Municipal. Em 1956, integrou a delegação do Brasil na Conferência da Unesco realizada em Nova Délhi, Índia. Foi o principal colaborador de Vítor Silveira na obra, Minas Gerais em 1925, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, de 1926; redigiu os capítulos Religião em Minas, Diamantina e Revolução de 1842.
Publicou, ainda, Ortografia simplificada, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1932, uma reunião de conferências que pronunciou para o professorado de Belo Horizonte, sendo logo adotada a nova ortografia, a convite de Noraldino Lima, Secretário da Educação à época; O espírito de Antônio Carlos, Belo Horizonte, Edições Mantiqueira, de 1954; Depoimento de um dentista frustrado, Belo Horizonte, Itatiaia, de 1955; Hora para o sono, Belo Horizonte, Itatiaia, do mesmo ano, um conto premiado em concurso da Prefeitura de Belo Horizonte; República Décroly, 2. ed., Belo Horizonte, Itatiaia, de 1964; Memórias de um chauffeur de praça, Belo Horizonte, Itatiaia, também de 1964; Minas Gerais - terra e povo, Porto Alegre, Globo (em colaboração sob a direção de Guilhermino César); Trinta anos de escriba oficial.
Moacyr Andrade faleceu em Belo Horizonte, no dia 14 de setembro de 1979.



