Miniatura

Acadêmico
Manoel Hygino
Número de Cadeira
23 Patrono:Joaquim Felício dos Santos
Data de Posse
29 de março de 2007
Posição na Cadeira
4° Sucessor
Status
Membro atual
Contato
manoelhygino@santacasabh.org.br
Descrição Biográfica
Manoel Hygino nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, em 13 de março de 1930, filho de José Diamantino dos Santos e de Tercilia Simões Santos. Tem dois irmãos já falecidos e quatro filhos, sendo três homens e uma mulher.
Manoel Hygino fez o curso primário em sua cidade natal, lá iniciando o secundário no Instituto Norte-Mineiro de Educação. Seguiu com o ginásio no Colégio Dom Bosco, em Cachoeira do Campo e, finalmente, no Ginásio Tristão de Athayde, Belo Horizonte, após a transferência da família para a capital. O curso médio foi iniciado no Colégio Santo Agostinho, com excelente magistério, e concluído no Colégio Afonso Arinos.
Foi uma época importante em sua vida, porque coincidiu com o Estado Novo, a ditadura de Vargas, e correspondendo à Segunda Grande Guerra. Era intensa, mas disfarçada, a proliferação das ideias relativas ao comunismo e, simultaneamente, com o nazismo, o fascismo e o integralismo no Brasil, com Plínio Salgado. A época foi também de atuação fecunda da Igreja Católica e difusão de sua posição em face do trabalho humano. Delineavam-se simultaneamente os nomes dos homens que atuavam na vida pública e política e que se revelariam no comando da nação, dos estados e dos municípios a partir dali, a despeito do cerceamento da liberdade, inclusive da Imprensa.
Sendo Montes Claros a cidade natal e ela de intensa atividade política desde 1930, pois ali teve lugar manifestação que alcançou repercussão nacional, em que o próprio vice-presidente da República se envolveu pessoalmente, os anos juvenis de Manoel Hygino foram influenciados pelos acontecimentos que marcaram o período, mesmo em âmbito mundial. Tanto que o seu primeiro artigo para a Imprensa formal se deu em decorrência e com análise do sacrifício de Gandhi, na Índia, nos anos 1940. Dali em diante, deu-se o desencadeamento da profissão nos jornais já de Belo Horizonte. O primeiro livro se deu em uma fase ainda juvenil, contendo uma síntese da visão do futuro acadêmico diante dos episódios cotidianos. O nome do primeiro educandário em que estudou na capital – Ginásio Tristão de Athayde – dá uma ideia dessa fase de formação do estudante e das relações que começaria a formar desde então.
Em 1953, terminado o curso médio, candidatou-se a uma bolsa de estudos no Uruguai. Em Montevidéu submeteu-se a provas por comissão especial, foi aprovado inclusive por conhecimento da língua espanhola e da história daquele país. Os pais desejavam, então, que os filhos se dedicassem principalmente à Medicina, significando o interesse e a necessidade de levar-se a assistência médica aos rincões mais distantes do território. Manoel Hygino tinha membros da família em exercício da profissão médica e viveu sob sua influência. Mas, a esta altura, já se devotara à colaboração regular de artigos e crônicas para jornais. Dividia-se o tempo e a atividade cotidiana. No entanto, como as faculdades de Medicina eram poucas no país e o acesso a elas sobremaneira difícil, viu-se atraído a estudar a ciência de Hipócrates no Uruguai, onde o ensino era de alto nível e ofereceu melhores condições de admissão. Transferiu-se para Montevidéu, uma aventura sem dúvida, e, na capital uruguaia, revalidaram-se os estudos com provas orais e escritas em língua espanhola, em que tinha alguma vivência, pelos livros a que tinha acesso, editados principalmente na Argentina. Além do mais, no Colégio Santo Agostinho, os padres eram espanhóis. Aprovado e qualificado, matriculou-se na Faculdade Nacional de Medicina, para os estudos em Anatomia, Citologia e Histologia, com êxito e estímulo.
É certo que o jornalista estava entranhado na existência do jovem desde Montes Claros. Começou cedo a escrever e publicar. A atividade impulsionou o cotidiano, desde o princípio. Não havia curso de jornalismo em Minas Gerais. O que escrevia era aceito, divulgado e bem recebido por um público crescente. Em 1951, em viagem aos EUA, por iniciativa própria, já o fez com credencial de jornalista da Associação Mineira de Imprensa, por cuja instalação em Belo Horizonte se bateu, já que a entidade fora fundada em Juiz de Fora. Atuou pela transferência com a implantação de um escritório da AMI na capital, em época em que ainda se cogitava da fundação do Sindicato da categoria. Cedo foi registrado como jornalista profissional, exerceu cargos e funções na profissão, inclusive na chefia da Assessoria de Imprensa do Governo de Minas, na Agência Nacional da Presidência da República, atuando também em organizações federais e de serviço público estadual e municipal.
Manoel Hygino participou da redação e chefia de importantes diários em Belo Horizonte, colaborando com o Suplemento Literário do Minas Gerais; representou Minas em congresso de assessoria de Imprensa, convocado pela presidência da República, participou da criação da Associação Mineira de Municípios, visitando as principais cidades do Estado. Como presidente de “O Diário”, teve atuação relevante na campanha para implantação de uma siderúrgica em Minas, promovendo reuniões em municípios-chave, esforço concretizado com a Açominas, cuja pedra fundamental contou com o representante da coroa britânica e hoje é a Gerdau.
Colaborando com a Associação Mineira de Municípios participou da campanha para redistribuição dos recursos públicos, mediante modificação na destinação dos tributos entre os entes da União. Devotou-se à instalação de serviços de Comunicação de várias entidades, inclusive da CEMIG e Santa Casa de BH, de que é Benemérito. Para aprofundar o relacionamento com a comunidade, colaborou para os respectivos setores na Prefeitura de Belo Horizonte e ocupou cargos importantes como chefe do Serviço de Dívida Ativa e de gabinete do Prefeito.
Manoel Hygino integra os quadros de diversas instituições: o Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, a Associação Mineira de Imprensa, a Academia Montes-Clarense de Letras, a Academia de Letras de Salinas, e a Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco, dentre outras entidades. Foi chefe da Assessoria de Imprensa de Minas no governo de Israel Pinheiro, participando de várias campanhas e iniciativas de gestão, e pertence a outras entidades, como Sócio Honorário da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e Membro da Associação Nacional de Escritores.
Sua extensa bibliografia inclui crônicas, contos, artigos e ensaios. Entre suas publicações, destacam-se: Vozes da Terra, contos e crônicas, ed. do autor, 1948; Considerações sobre Hamiet, ensaio histórico-literário, Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1965; Raspútin, último ato da tragédia Românov, ensaio, ed. Júpiter, 1970; Governo e Comunicação, monografia, ed. Imprensa Oficial, 1971; Hippies, Protesto ou Modismo, ed. Júpiter, 1978; Antologia da Academia Montes-clarense de Letras, ed. Comunicação, 1978, coordenação de Yvonne de Oliveira Silveira; Sangue em Jonestown, uma tragédia na Guiana, ensaio, ed. Júpiter, 1979; No Rastro da Subversão, ensaio, ed. Faria, 1991; Darcy Ribeiro, o ateu, biografia, ed. Fumarc, 1999; Notícias Via Postal, correspondência, 2002; Tu és Pedro Nava - Um crime que ficou sem castigo, ensaio, gráfica O Lutador, 2004; Madrigal Renascentista, 2012, com a história do grupo.
Na Assessoria de Imprensa do Estado, promoveu a atualização das Efemérides Brasileiras e Mineiras, encaminhadas aos principais órgãos da Imprensa de Minas.
Na Assessoria de Imprensa da Santa Casa de Belo Horizonte, foi responsável pela edição, em 2005, de uma obra robusta – “Uma História de Amor à Vida, Santa Casa de Belo Horizonte” – edição Conceito e pela coordenação de duas obras: “Vultos da História da Medicina 1899-2006 - autor Prof. José de Laurentys Medeiros (in memoriam) e de Vultos da História da Medicina 2 – autor Prof. José de Laurentys Medeiros (in memoriam).
Além dessas obras, Manoel Hygino participou da preparação de diversas coletivas: Montes Claros, Sua História, sua gente e seus Costumes, de Hermes de Paula, 1957; Encontro de Brasília, documentos, Presidência da República, 1970; Uma mensagem de Esperança, Edgar Godoi da Mata Machado, coordenação de José Bento Teixeira de Sales, Maza Edições, 1995; Participação em: Manual de controle de infecção hospitalar, ed. Petrobrás/Santa Casa de Belo Horizonte, 1996; Recursos Minerais do Estado de Minas Gerais, ed. Metamig, 1982; Antologia da Editora Globo, Porto Alegre, data não identificada. Escreveu ainda inúmeros prefácios, apresentações e orelhas de livros.
Muito significativa tem sido sua colaboração em periódicos: assina Crônica diária em HOJE EM DIA, além de jornais e revistas de várias cidades, inclusive do Rio de Janeiro. Com membros do IHGMG editou e dirigiu a revista Pindorama, em 1968. Em 1954, fundou a revista Esfinge, que circulou sob sua direção.
Manoel Hygino dos Santos foi, por muitos anos, articulista do Suplemento Comercial, hoje Diário do Comércio. Foi colaborador do Suplemento Literário do Estado de Minas, Jornal de Minas, Diário de Minas e Diário da Tarde. Também escreveu para O Diário (Católico), de que foi ainda Diretor de Redação e, finalmente, Presidente. Foi representante da Revista Manchete em Minas, maior revista do Brasil à sua época, bem como da Bloch Editores, proprietária de outros veículos. No Rio de Janeiro foi também dos quadros do jornal A Voz Trabalhista e Folha da Tarde, de que foi Secretário de Redação. Colaborou com o Jornal do Brasil e Correio da Manhã, com suas matérias em manchete consideradas de grande mérito.
Na Santa Casa de Belo Horizonte chegou em 1991, como Assessor do então Provedor, Celso Mello de Azevedo. Fundou a Assessoria de Imprensa, o jornal Santa Casa Notícias, resgatou a história da Instituição e editou o livro” Santa Casa de Belo Horizonte, uma história e amor à vida”, e, também de diversas clínicas, biografia de personalidades a ela ligadas. Na Santa Casa BH, foi também Ouvidor. Atualmente, atua como coordenador do Centro de Memória, fundado em 2016. Em reconhecimento à sua trajetória, o setor leva seu nome, sendo denominado Centro de Memória Manoel Hygino dos Santos. Além disso, foi agraciado com o título de Irmão Benemérito da Instituição.
Nos anos verdes, elegeu-se Secretário Geral da União Colegial de Minas Gerais. Fundou a Academia Mineira Juvenil de Letras, cuja diretoria se empossou no Teatro Francisco Nunes, sob presidência do Prof. Eli Menegali, presidente da Academia Mineira de Letras. Promoveu-se, então, um evento no campo das artes que teve significativa participação e repercussão.
Manoel Hygino ocupa a cadeira nº 23 da Academia Mineira de Letras, para a qual foi eleito em 08 de junho de 2005 e tomou posse em 29 de março de 2007.



