Miniatura

Acadêmico
Machado Sobrinho
Número de Cadeira
31 Patrono: Lucindo Filho
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escritor, acadêmico, jornalista e professor Antônio Vieira de Araújo Machado Sobrinho nasceu em 17 de julho de 1872, na fazenda dos Limoeiros, município de Vassouras, Vale do Paraíba do Sul, vale do café no Estado do Rio de Janeiro, filho do Dr. Ponciano Vieira de Araújo Machado e D. Hilarina de Souza Alves Machado, ambos fluminenses.
Estudou o curso primário no Colégio Magalhães, na fazenda de Santo Antônio, em Vassouras. Quando o colégio foi transferido para a cidade de Valença, ali continuou seus estudos sob a direção do exímio professor de matemáticas Luiz Irineu Pereira da Silva. Depois realizou seu exame de português na Instrução Pública e foi continuar seus estudos no Rio, frequentando liceus e com professores em seu domicílio, que então foi a casa comissária de seu pai, pertencente à firma social Araujo Machado & Comp.
Pretendia seguir a advocacia, mas interrompeu seus preparatórios com a promulgação da Lei Áurea de 13 de maio 1888. Soube, por telegrama, que os ex-escravizados pretendiam revoltar-se contra a pessoa do seu tio e partiu imediatamente para a fazenda, onde sua voz foi ouvida e acatada pelos libertos, que o adoravam como franco abolicionista que era, sentimento liberal este bebido nas convicções políticas de seus pais – ambos anti-escravocratas.
Com seu retorno a Vassouras, permaneceu nas fazendas por exigência dos interesses de sua família. Metamorfoseou-se em fazendeiro, mocinho ainda, passou a residir só, em outra fazenda, dirigindo cerca de cem famílias, sempre respeitado e querido por estas.
Espírito inovador, abriu, na fazenda, uma escola noturna, onde os libertos, velhos e moços, ouviam suas lições. No princípio do terceiro ano, o solitário administrador da fazenda da Paciência, com surpresa da família, despontou poeta pelas colunas do Vassourense, periódico de Lucindo Filho, amigo que o incentivou a seguir a carreira das letras, e principalmente cultivar a poesia.
Machado Sobrinho não conteve seu entusiasmo pelas letras: viajava, aos domingos, duas léguas para Vassouras, onde passava o dia com Lucindo Filho, discutindo, lendo e aprendendo. Em 1894 chegou a colaborar em mais de quinze jornais, especialmente no Vassourense, em O Paiz e no Correio de Minas, dessa cidade.
De 1984 a 1900, sua família passou por graves momentos, consequência do 13 de maio, que resultou no empobrecimento de seu pai. Nesse quinquênio de dificuldades financeiras, tornou-se chefe de numerosíssima família, pois casou-se com sua prima Ana Cândida Alves, em 1898.
Em 1900, mudou-se para o Rio de Janeiro e fundou o Correio do Rio semanário de vida efêmera. Em 1902, fixou-se definitivamente em Juiz de Fora, tendo colaborado com todos os jornais da cidade, e muitos do Estado.
Em 1905, foi nomeado professor do Curso Comercial da Academia de Comércio, ensinou contabilidade, escrituração, correspondência, português, formulário, geografia e história universal do Comércio. Ocupou também as cadeiras de português e aritmética, no Colégio Nossa Senhora do Carmo, de meninas e as de geografia e história pátria, no Colégio Sant’Ana, também de meninas.
Em 1909, foi nomeado professor de português no curso politécnico, do mesmo estabelecimento. Tornou-se autor, em Juiz de Fora, de salutar inovação do ensino de contabilidade mercantil para moças e entre essas alunas algumas estavam quase prontas para as funções de contadoras ou técnicas em contabilidade, e professoras da disciplina.
Foi redator-secretário do jornal O Pharol, na edição do Dr. Canuto de Figueiredo; foi, de modo igual, colaborador efetivo do jornal O Município de Vassouras; diretor de estatística municipal e fundou a revista A Evolução. Na época lançou as bases da fundação da Academia Mineira de Letras, que veio a instalar-se a 25 de dezembro de 1909 e na qual ocupou a cadeira n°31, patrocinada por Lucindo Pereira dos Passos Filho, e ocupou o cargo de Secretário-Geral até que a instituição se transferisse para Belo Horizonte, em 1915.
Em 1912, fundou, também, o Instituto Comercial Mineiro, sucessor do Colégio Lucindo Filho e do Instituto Comercial Mineiro. Com intuito de atender, especialmente, os jovens carentes e sequiosos por aprender, Machado Sobrinho dedicou a sua vida a fazer o bem e a criar oportunidades para a juventude menos abastada. Até meados de 1938, a Instituição esteve sob sua direção. Depois passou, então, a ser dirigida pelo seu filho mais velho, o Deputado Federal Luiz de Gonzaga Machado Sobrinho, que exerceu suas funções até 1942 quando, por motivo de saúde, passou a direção do educandário ao Professor Fernando de Paiva Mattos.
Em 1943, o Instituto Comercial Mineiro foi renomeado Escola Técnica de Comércio Machado Sobrinho, oferecendo cursos comercial, básico e técnico em contabilidade. Posteriormente, para expandir seus serviços, a direção restabeleceu os cursos primário, ginasial e colegial.
No início de 1961, os descendentes de Machado Sobrinho, liderados pelo Professor Píndaro José Alves Machado Sobrinho, transformaram a Escola Técnica de Comércio em Fundação Educacional Machado Sobrinho. Esta entidade, sem fins lucrativos e filantrópica, prosperou sob a direção do Prof. Fernando de Paiva Mattos que, a partir de 1969, criou as Faculdades de Administração e de Ciências Contábeis.
Machado Sobrinho publicou Primeiros Versos, de 1887 a 1896; Maria Cândida em 1911. De algumas publicações não se sabe a data: Epitalâmio...aéreo; Centenário de Alexandre Herculano; Conferência Literária; Poemas e Sonetos, versos; Noções de História Universal do Commercio, livro didático; Lições de geografia comercial, livro didático; O guarda-livros sem mestre, grosso volume em três capítulos – escrituração, contabilidade, noções de direito comercial.
Machado Sobrinho faleceu em Juiz de Fora, no dia 29 de julho de 1936, e deixou inéditos o romance Mártir e o dicionário para revisores, Em plano.



