Miniatura

Acadêmico
Luiz de Oliveira
Número de Cadeira
30 Patrono: Oscar da Gama
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Luiz Joaquim de Oliveira, filho de Joaquim José de Oliveira e Albina Euphrasia de Oliveira, nasceu em 25 de agosto de 1874, em Sapucaia (RJ), e faleceu em 27 de julho de 1960, em Cachoeiro de Itapemirim (ES).
Aos 15 anos de idade, após a morte do pai, rumou para Itaperuna, no noroeste fluminense, onde conciliou os estudos e as primeiras atividades laborais. Debutou como escritor ao colaborar n’O Autonomista, jornal fundado em 1893 por José Christiano Stockler de Lima. Ato contínuo, mudou-se para Juiz de Fora, desdobrando-se para conseguir trabalhar e concluir sua formação escolar. Empregou-se numa casa comercial e numa confeitaria antes de se tornar escriturário junto aos cartórios locais. Nessa época, conheceu e tornou-se amigo inseparável de Oscar da Gama, com quem compartilhava “sonhos e aspirações poéticas”, segundo suas próprias palavras.
Estreou na imprensa juiz-forana em 1895 mediante colaboração n’O Bandolim, periódico literário voltado para o público feminino, lançado por José Paixão. De 1896 a 1898, publicou vários poemas no Correio de Minas, experimentando pela primeira vez o uso do pseudônimo “Ludol”. Também atuou como redator do jornalzinho literário intitulado O Natal, volume único distribuído no dia 25 de dezembro de 1898. No ano seguinte, publicou a peça teatral Fé, Esperança e Caridade nas páginas do Almanach de Juiz de Fora. Em 1900, colaborou na edição de número 13 d’A Cigarra, periódico literário e noticioso criado por Oscar da Gama e Corrêa de Azevedo.
Em 1902, integrou-se à equipe d’O Pharol, recorrendo com mais frequência ao pseudônimo “Ludol” nos anos que se seguiram. Paralelamente, codirigiu e redatou o hebdomadário Semana Commercial, que num primeiro momento circulou de dezembro de 1903 a março de 1904, tendo ressurgido em fevereiro de 1908. No segundo semestre de 1909, colaborou na edição de número 3 da revista literária A Evolução, dirigida por Machado Sobrinho. Mais tarde, assumiu a gerência d’O Pharol, função exercida de 1912 até 1915. Em fins de 1916, na companhia do sobrinho Albino Esteves, passou a redigir o jornal matutino O Dia. Quase um ano depois, em outubro de 1917, fundou a Revista Espírita com a ajuda de João Lustosa.
Seu envolvimento com a doutrina de Allan Kardec remonta ao início do século XX, quando passou a frequentar as primeiras sessões espíritas realizadas em Juiz de Fora. Já no dia 1º de agosto de 1901, proferiu a palestra Por Que Abracei o Espiritismo? Nesse contexto, tomou parte na fundação do Centro Espírita União, Caridade e Humildade, ao qual se dedicou abnegadamente por anos a fio, tanto como secretário quanto como orador. Da mesma forma, organizou e participou de campanhas beneficentes, tendo sido um dos responsáveis pela angariação de donativos aos moradores mais necessitados de Bom Sucesso, município mineiro afetado por uma série de abalos sísmicos em 1901.
Ademais, muitas de suas peças teatrais foram encenadas pelo Clube Dramático Sete de Setembro – entidade filantrópica instituída em Juiz de Fora nos idos de 1902 –, tais como: os monólogos Eu Sou Muito Popular, O Futuro da Mulher e O Meu Talento; a alegoria em versos Poesia, Amor e Justiça; e a comédia Um Noivo em Apuros. Em 1903, escreveu a peça Portugal no Brasil, em versos alexandrinos, adaptada para os palcos pela Companhia Silvério Cunha. Ainda em Juiz de Fora, uniu-se aos pioneiros que deram vida à Academia Mineira de Letras aos 25 de dezembro de 1909. Entrou para a comissão de contas da agremiação, desempenhando suas respectivas atribuições até 1914.
Entre 1919 e 1926, viveu no Rio de Janeiro, onde trabalhou na Casa da Moeda. Nesse ínterim, compareceu regularmente a reuniões de estudos e conferências espíritas, muitas vezes como palestrante convidado. Suas preleções foram realizadas, por exemplo, no Centro Espírita Luz e Verdade, no Grupo Espírita Preito a Jesus e na União Espírita Suburbana. Além disso, colaborou no Reformador, órgão da Federação Espírita Brasileira, e na revista Zoophilo Brasileiro, da Sociedade Brasileira Protetora dos Animais.
Tão logo transferiu-se para Cachoeiro de Itapemirim, ocupou o cargo de diretor do Asilo Deus, Cristo e Caridade, com o qual se comprometeu por um longo período, de 1927 a 1960. Ao mesmo tempo, editou a revista Alpha – juntamente com sua esposa, Ypoméa, e um dos seus filhos, Solimar – e colaborou nos periódicos Diário da Manhã e Vida Capichaba, de Vitória, e A Época, de Cachoeiro de Itapemirim. Faleceu às vésperas do seu 86º aniversário, tendo sido sepultado no Cemitério do Sítio Santa Fé, nas adjacências do Asilo Deus, Cristo e Caridade.
Suas principais obras são: Sertanejas (1901); Sonhos e Visões (1910); Scenarios (1916); Clamores (1922), com prefácio de Ruy Barbosa; e Livro d’Alma (1926), com prefácio assinado por Crisanto de Brito. Escreveu, também, o folheto intitulado Vida de Oscar da Gama (1955). Deixou pelo menos três trabalhos inéditos: Seara Bendita, Orações Cristãs e Nosso Livro.



