Miniatura

Acadêmico
Lúcio José dos Santos
Número de Cadeira
11 Patrono: José de Santa Rita Durão
Data de Posse
01 de maio de 1937
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O historiador Lúcio José dos Santos, nasceu em Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto, Minas Gerais, em 27 de julho de 1875, filho do Coronel da Guarda Nacional João Inácio da Costa Santos e de Blandina de Figueiredo Santos. Casou-se com Josefina de Figueiredo Santos.
Cursou Humanidades no Seminário de Mariana, e aos dezoito anos, em 1893, iniciou-se como professor, em Ouro Preto, no Ginásio Mineiro. Logo que deixou o seminário, lecionou História e cursou, ao mesmo tempo, Engenharia de Minas e Civil, bifurcando seu caminho tanto para a hermenêutica quanto para a técnica.
Em 1900, diplomou-se pela Escola de Minas de Ouro Preto. Estudante em Ouro Preto, em 1901, iniciou sua atividade política como Vereador e de 1908 a 1911, foi Presidente da Câmara e Agente Executivo Municipal. Posteriormente, participou do Conselho Consultivo do Estado e da Câmara dos Quarenta da Ação Integralista Brasileira. Foi líder católico e figurou entre os fundadores do Círculo Operário Católico, da União dos Moços Católicos e da Ação Católica da Arquidiocese de Belo Horizonte.
Em 1908, como bacharel em Direito, em São Paulo, na condição de 1º aluno de sua turma na Escola de Minas, recebeu como Prêmio uma viagem à Europa. Regressando ao Brasil foi nomeado professor substituto da mesma instituição, onde logo se tornou catedrático, por concurso, de Hidráulica e Máquinas Hidráulicas.
Ainda na Escola de Minas, lecionou Estabilidade das Construções, Resistência dos Materiais, Mecânica Racional e Aplicada e Portos, Rios e Canais. Em 1922, aprovado em concurso de títulos, assumiu a cátedra de Portos, Rios e Canais da Escola Livre de Engenharia de Belo Horizonte, que em 1927 foi incorporada à Universidade de Minas Gerais, hoje UFMG.
Em 1924, foi nomeado Diretor da Instrução Pública do Estado, sem existir, nesse tempo, Secretaria de Educação, cargo que exerceu até 1927. Lecionou também em vários estabelecimentos de ensino secundário, entre eles o Liceu Mineiro, de Ouro Preto, e o Colégio Arnaldo, de Belo Horizonte.
Em 1929, por designação do Presidente Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e do Secretário Francisco Campos, organizou e, como primeiro diretor, regeu a Escola de Aperfeiçoamento Pedagógico, cujo corpo docente o Governo contratou entre um grupo de especialistas europeus.
Em 1930, Lúcio dos Santos representou a Universidade de Minas Gerais e o Governo brasileiro no Congresso Internacional de Universidades, de que foi um dos três Vice-Presidentes, e no Congresso Interamericano de Reitores, Decanos e Educadores, ambos realizados em Cuba. Estendeu a viagem aos EUA para visitar suas principais universidades.
De maio de 1931 a maio de 1933, desempenhou as funções de Reitor da Universidade de Minas Gerais. Em 1939, ajudou a fundar a Faculdade de Filosofia de Belo Horizonte, que dez anos depois se incorporaria à Universidade de Minas Gerais. Lúcio dos Santos foi seu primeiro Diretor.
Então Reitor da Faculdade, após 1938, foi acusado de ser integralista e, portanto, traidor. Reuniu a assembleia de fundadores e explicou que a sessão culminava na decisão de seu afastamento e que, para não os constranger, decidiu passar a presidência e retirar-se. Saiu e não voltou. Na inspeção federal de 45, sendo ele titular de sociologia, não constou o seu nome na lista dos catedráticos-fundadores.
Lúcio dos Santos recebeu condecoração da Santa Sé, durante o pontificado de Pio XI, por seus estudos sobre a historicidade da existência humana de Jesus Cristo. Colaborou com diversos jornais e revistas de Belo Horizonte, do Rio de Janeiro e de São Paulo, nos quais divulgou cerca de 700 estudos de várias naturezas. Colaborou também, na revista luso-brasileira Atlântida, entre 1915 e 1920.
Pertenceu à Academia Mineira de Letras, sucessor de Carlos Góes, sendo o segundo ocupante da cadeira nº11, patrocinada pelo Frei José de Santa Rita Durão.
Faleceu em Belo Horizonte, em 9 de dezembro de 1944. Até o momento do seu falecimento integrava o Conselho Universitário da Unidade do Brasil, no Rio de Janeiro.
Publicou as obras Historicidade da existência humana de Jesus Cristo, Rio de Janeiro, Centro Dom Vital, em 1924; Missão universitária nos Estados Unidos, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, em 1930; Sobre o divórcio, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, em 1933; Afirmações nacionalistas – Os emboabas, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, em 1942; A inconfidência mineira, Belo Horizonte, 2ª ed. Imprensa Oficial, em 1972; História de Minas Gerais, um resumo didático, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, em 1972. Publicou ainda, sem data localizada, O domínio espanhol no Brasil; A segunda viagem de Pedro I a Minas; Manuel Nunes Viana; A eucaristia; Coração eucarístico de Jesús, exposição histórica e doutrinal da devoção; O cristianismo e a atualidade; A religião em Minas; O ensino religioso nas escolas; Filosofia, pedagogia e religião, São Paulo, Melhoramentos; Goethe; O teatro; Hidrotécnica; Hidráulica teórica e aplicada ao abastecimento e esgoto, 5 volumes; A turbina tangencial; As caixas agrárias do sistema Raiffesen; Discurso científico; Anotações ao livro “O poder soviético” do Deão de Canterbury



