Miniatura

Acadêmico
João Camillo
Número de Cadeira
39 Patrono: Basilio da Gama
Data de Posse
01 de outubro de 1953
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escritor, historiador e professor João Camilo de Oliveira Torres nasceu em Itabira do Mato Dentro, hoje Itabira, Minas Gerais, no dia 31 de julho de 1915, filho de João Camilo de Oliveira Torres, inspetor de linhas telegráficas e pioneiro das comunicações no vale do Rio Doce, e D. Rosa de Assis Oliveira Drumond.
Sua família paterna explorou, dos dias de D. João VI ao começo do século XX, uma pequena indústria siderúrgica, seu irmão foi o historiador Luís Camilo de Oliveira Neto e seu primo o escritor Carlos Drummond de Andrade.
Iniciou o estudo secundário no Ginásio Sul-Americano, em sua terra natal, e prosseguiu os estudos no Ginásio Mineiro de Belo Horizonte. Estudou Filosofia, na antiga Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro. Atuou no jornalismo desde 1937, ingressou no magistério em 1942 e abandonou o ofício em 1967.
Casou-se com D. Hilda Pinto Coelho de Oliveira Torres, com quem teve seis filhos e duas netas. Fixou-se em Belo Horizonte, na recente capital mineira, como funcionário do antigo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários – IAPC, em cujos quadros ingressou em 1942. Dedicou-se também ao magistério.
Entre 1944 e 1950, lecionou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Maria, atual Universidade Católica de Minas Gerais, Sociologia, Antropologia e Etnografia, Ética, Estética, Filosofia da Educação, História do Brasil e Filosofia Moral, e na Universidade Mineira de Arte, em 1950, como Professor Emérito, lecionou ensinou Ética e Filosofia Moral.
Em 1953, foi eleito para Academia Mineira de Letras, na sucessão de Plínio Sérgio de Noronha Mota, fundador da cadeira nº 39, patrocinada por José Basílio da Gama. Dedicou-se ao jornalismo e à pesquisa histórica. Jornalista profissional, foi redator-chefe da Folha de Minas e redator de O Diário, ambos de Belo Horizonte, e colaborador dos principais órgãos da imprensa do Rio de Janeiro, de São Paulo, Porto Alegre, Recife, Curitiba e Petrópolis.
No IAPC, ocupou os cargos de Secretário da Junta de Julgamento e Revisão e de Delegado Regional em Minas Gerais. Em 1956, na condição de técnico, secretariou a Comissão de Reforma da Previdência Social, cujas conclusões serviram de base para o projeto apresentado ao Congresso Nacional pelo Presidente da República.
João Camilo, após a unificação do sistema previdenciário, foi Coordenador de Seguros Sociais e Superintendente Regional do INPS, em Minas Gerais, cargo que ocupou até o seu falecimento. Em 1964, foi nomeado Diretor do Arquivo Nacional pelo Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, mas não chegou a tomar posse.
Pertenceu ao Conselho Estadual de Educação, ao Conselho Estadual de Cultura Popular e ao Conselho Universitário da Universidade Católica de Minas Gerais. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, da Academia de História de Portugal e do Instituto de Sociologia e Política de Minas Gerais. Como representante do governo brasileiro, participou das comemorações do quarto centenário da cristianização das Filipinas.
Dos livros que publicou, três foram laureados: O homem e a montanha recebeu, em 1944, o Prêmio Diogo de Vasconcelos, da Academia Mineira de Letras; A democracia coroada conquistou, em 1952, o Prêmio Cidade de Belo Horizonte, da Prefeitura da Capital mineira, como obra inédita de erudição, e o Prêmio Joaquim Nabuco, da Academia Brasileira de Letras, logo depois de sair a primeira edição, em 1958; finalmente, Os construtores do Império teve o prêmio do Instituto Nacional do Livro relativo ao ano de 1968.
João Camilo faleceu em Belo Horizonte, no dia 31 de janeiro de 1973.
Publicou as obras O sentido e a finalidade do ensino universitário, Belo Horizonte, em 1940; O positivismo no Brasil, Petrópolis, Vozes, 1. ed., em 1943; O homem e a montanha, Belo Horizonte, Liv. Cultura Brasileira, em 1944; A libertação do liberalismo, Rio de Janeiro, Casa do Estudante do Brasil, de 1949; João Surrinha nas montanhas (Literatura infantil), Rio de Janeiro, Casa do Estudante do Brasil, em 1952; A crise de previdência social do Brasil, Belo Horizonte, Ed. Diálogo, em 1954; A democracia coroada; Teoria política do Império do Brasil, Rio de Janeiro, José Olympio, 1. ed., em 1957; 2. ed., em 1964 (Coleção Documentos Brasileiros, em 1993); Conselhos à Regente de D. Pedro li, Rio de Janeiro, Liv. São José, em 1958; Do governo régio, Petrópolis, Vozes, em 1958; Educação e Liberdade, Petrópolis, Vozes, em 1958; A propaganda política, Belo Horizonte, Revista Brasileira de Estudos Políticos, em 1959; A história imperial do Brasil e seus problemas, Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, em 1959; As aventuras de João Surrinha (literatura infantil), São Paulo, Editora do Brasil, em 1960; Harmonia política, Belo Horizonte, Itatiaia, em 1961; A formação do federalismo no Brasil, São Paulo, Editora Nacional (Coleção Brasiliana 308), em 1961; Um mundo em busca de segurança, São Paulo, Ed. Livraria, em 1961; O presidencialismo no Brasil, Rio de Janeiro, Editora Cruzeiro (Coleção Brasília), em 1961; A extraordinária aventura do homem comum, Petrópolis, Vozes, em 1961; A cartilha do parlamentarismo, Belo Horizonte, Itatiaia, em 1961; História de Minas, Belo Horizonte, Difusão Pan-Americana do Livro, em 1961 e 1962.



