Miniatura

Acadêmico
João Alphonsus
Número de Cadeira
09 Patrono: Josafá Belo
Data de Posse
27 de abril de 1943
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Poeta, escritor e crítico literário, João Alphonsus de Guimaraens, nasceu em Conceição do Serro, hoje Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais, em 6 de abril de 1901. Foi o primogênito dos quinze filhos do poeta Alphonsus de Guimaraens e de Zenaide Silvina de Guimaraens, e irmão dos poetas Alphonsus de Guimaraens Filho e Archangelus de Guimaraens.
Iniciou os primeiros estudos no Seminário Arquiepiscopal de Mariana, cidade em que viveu até 1918. Aos 17 anos, mudou-se para Belo Horizonte, onde finalizou os preparatórios e iniciou o curso de Medicina, que logo trocou pelo Direito, formando-se em 1930. Casou-se com Esmeralda Viana de Guimaraens, com quem teve três filhos: João Alphonsus de Guimaraens Filho, Liliana Baeta Viana de Guimaraens e Fernão Baeta Viana de Guimaraens.
Trabalhou, ainda estudante, na Secretaria de Finanças do Estado. Em 1918, publicou seus primeiros poemas na revista Fon-Fon. Em 1922, viajou a trabalho para a cidade de Caravelas, na Bahia, onde ocupou durante alguns meses o cargo de vigia fiscal do Porto de Ponta d’Areia. Foi nesse período que escreveu o conto A pesca da baleia.
Trabalhou como redator-chefe no jornal Diário de Minas, juntamente com Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura e Pedro Nava, com quem, em parceria com Antônio Mendes, em 1925, fundou a Revista, órgão divulgador do movimento modernista mineiro. Colaborou na revista Verde, de Cataguases, outro importante veículo das ideias modernistas.
Logo após sua formatura, foi nomeado Promotor da Comarca de Belo Horizonte, e em 1931, foi promovido a auxiliar jurídico da Procuradoria Geral do Estado, cargo que ocupou até sua morte. Nesse mesmo ano, publicou seu primeiro livro de contos, Galinha cega.
Em 1934, publicou o romance Totônio Pacheco, obra que ganhou o Prêmio Machado de Assis da Companhia Editora Nacional. Em 1938, com a publicação do romance Rola-Moça, obteve o Prêmio da Academia Brasileira de Letras. Em 1942, foi eleito para a Academia Mineira de Letras e ocupou a cadeira nº 9 patrocinada por Josaphat Bello. Ainda em 1942, publicou o livro de contos Pesca da baleia, e no ano seguinte publicou um livro de contos e novelas, Eis a noite!.
Influenciado pelo simbolismo, inicialmente escrevia somente poemas, e, segundo João Alphonsus, em entrevista a Edgar Cavalheiro, o gosto pela literatura e pelos poemas foi-lhe inspirado pelo pai, que enviou seu primeiro conto, Guaraci, para um jornal de Belo Horizonte. Os primeiros poemas publicados, no Rio de Janeiro, pela Fon-Fon, e os demais publicou em variados jornais e revistas de seu tempo, sem nunca os reunir em livro.
Em contanto com o modernismo, passou a escrever romances e contos, e incorporou à sua escrita a fala coloquial e neologismos. Também escreveu novelas e crítica literária, mas era como contista que o autor se sentia realizado. Na expressão do poeta e amigo Carlos Drummond, João Alphonsus criou “uma literatura humana, terrivelmente humana, miudamente, dolorosamente humana”. Nas memórias de Pedro Nava: “Esse poeta, filho de poeta, teve uma das mais brilhantes carreiras literárias de sua geração. A linguagem de João Alphonsus é límpida, simples, cheia de equilíbrio, de valores estilísticos, da musicalidade de quem sabia admiravelmente o verso. ”
A obra de João Alphonsus foi – e permanece – marcada pelo pessimismo e impregnada pela dor existencial inerente ao ser humano. A morte tornou-se um tema recorrente, mas o sofrimento humano coloca-se de forma irônica, como se transitasse entre o dramático e o risível. Seus contos possuem ainda um claro caráter social, pois muitos de seus personagens são pessoas comuns, simples funcionários públicos ou donas de casa.
João Alphonsus extraiu poesia das situações mais prosaicas, ao narrá-las com leveza e muito lirismo. Ele faleceu aos 43 anos de idade, vítima de uma septicemia, em 23 de maio de 1944.



