Miniatura

Acadêmico
Heli Menegale
Número de Cadeira
32 Patrono: Marquês de Sapucaí
Data de Posse
09 de julho de 1943
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O poeta, ensaísta, professor e jornalista Heli Menegale, nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 10 de janeiro de 1903, segundo filho de Amália Guimarães Menegale e de Heitor Menegale, jovem italiano que emigrara do Veneto para o Brasil com o irmão Giovanni. Seu tio Giovanni seguiu para o Sul do País e radicou-se no Paraná, seu pai, Heitor, não dado à agricultura, dirigiu-se à Zona da Mata mineira, onde morou em várias cidades até fixar-se em Juiz de Fora.
Irmão leigo da Ordem Terceira Dominicana em Veneza, em Juiz de Fora, Heitor converteu-se à Igreja Metodista e tornou-se secretário do Instituto Granbery, educandário em que seus filhos viriam a estudar, assim como, futuramente, vários outros membros das famílias Guimarães e Menegale. Heitor, então, transferiu-se com a família para o Sul de Minas. A encantadora Passa Quatro, ao pé da serra da Mantiqueira, foi a cidade adotada pelos Menegale.
Heli Menegale cursou os estudos primários em Juiz de Fora, no Colégio Granbery e no Colégio Mineiro Americano. Depois Heli continuou os estudos secundários em Lavras, no Instituto Gammon, em seguida cursou Humanidades em sua terra natal e concluiu os estudos preparatórios em Campinas, São Paulo.
Ingressou bem jovem ainda no jornalismo, foi redator e colaborou nas revistas A Onda e Silhueta, editadas em Campinas. Escreveu também uma parte significativa de sua obra sob o pseudônimo de Ricardo Martins. Logo na adolescência, Heli manifestou seus dotes poéticos, contagiado pela poesia parnasiana.
Em 1922, quando irrompeu em São Paulo a Semana de Arte Moderna, Heli, aos 18 anos, publicou seu primeiro livro de poemas, Azul, naturalmente parnasiano. O livro, publicado em bela edição pela Casa Mayença, de São Paulo, teve bastante repercussão positiva e mesmo entusiástica, na imprensa regional, e de alguns escritores em revistas do País.
Em 1923, formou-se Engenheiro Agrônomo pela Escola Superior de Agricultura e Pecuária do Sul de Minas, mas não exerceu a profissão, preferiu dedicar sua vida ao magistério, à literatura e ao jornalismo. Depois de formado, lecionou em colégios do Sul de Minas e mudou-se para Belo Horizonte, onde continuou o magistério.
Heli foi diretor do Ginásio Mineiro, depois do Colégio Estadual, e integrou o Conselho Estadual de Educação; dirigiu também um colégio em Resende, Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, desenvolveu atividade na imprensa, tendo ocupado cargos na redação e na direção do Diário de Minas e da revista Minas-Tênis, entre outros órgãos.
Em 1926, já casado com Odete Régnier Menegale, por quem se apaixonou aos 17 anos e com quem teve cinco filhos, instalou em Passa Quatro – com ajuda financeira de seu pai – uma tipografia, que prestou serviços como editora de livros e periódicos, a Casa Aurora.
Naquele mesmo ano saiu, pela Casa Aurora, Ânfora dos sonhos, o segundo livro de poesia de Heli, já escrito havia dois anos sob o pseudônimo de Ricardo Martins. A publicação recebeu muitas resenhas e comentários. Na época, Heli estava em contato, além de Ribeiro Couto, com escritores do movimento da Revista Verde, de Cataguases, especialmente Rosário Fusco.
Em 1928, numa espécie de auto desafio, Heli Menegale escreveu de pronto, Passa Quatro, e desde então, como poeta, filiou-se à corrente modernista. Em 1930, a Revolução despontando, a pacata e modesta Passa Quatro viu-se afetada de maneira cruel, em razão da localização, visto que a cidade tinha um túnel da estrada de ferro que ligava Cruzeiro, em São Paulo, a Passa Quatro.
Ainda em 1930, com o fim da revolução, Heli partiu com sua família para Belo Horizonte, a jovem capital mineira, em busca de um futuro melhor. Em pouco tempo, Heli começou a dar aulas de História e Português em diversos colégios, e Odette, com seu diploma de professora, lecionava na Escola Normal. Mais tarde, concentrou seu trabalho principalmente no Ginásio Mineiro, dirigido por monsenhor Arthur de Oliveira, fundador da Casa do Pequeno Jornaleiro.
Em Belo Horizonte, Heli conviveu com diversos escritores e professores, e foi assim que publicou, em 1935, Antiga melodia e, em 1936, Cabo Deodato, uma prosa, e Joãozinho e Maria e outras poesias infantis. Nesse mesmo ano, em 1936, foi eleito na Academia Mineira de Letras como sucessor de Mário Lima, fundador da cadeira n° 32, patrocinada por Cândido José de Araújo Viana, Marquês de Sapucaí.
De 1947 a 1949, foi Presidente da Academia Mineira de Letras e, de 1951 a 1954, foi Secretário da instituição. Com a reforma do ensino secundário para dois ciclos, o ginasial e o colegial, o Ginásio Mineiro, colégio no qual atuou como professor e ocupava o cargo de vice-reitor, passou a chamar-se Colégio Estadual. Em 1950, Heli foi nomeado reitor da instituição.
Em 1956, com 53 anos, foi convidado pelo recém-nomeado Ministro da Educação Clovis Salgado para ocupar a Diretoria Nacional de Educação no ministério. Incentivado por amigos e apoiado por Odette e os filhos, aceitou o cargo e, portanto, mudou-se, com a família, para o Rio de Janeiro. Teve início aí uma nova etapa de sua vida.
Encerrada a Presidência de Juscelino Kubitschek, Heli foi nomeado secretário de Educação de Brasília, onde prestou serviços relevantes. No decorrer do seu cargo no Ministério da Educação e Cultura, dirigiu a Revista Ensino Industrial. Voltou ao Distrito Federal a convite de Darcy Ribeiro, quando este foi ministro da Educação, porém não aceitou o convite para dirigir a Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, que Darcy havia criado.
Em seguida, retornou ao Rio, e passou a escrever com mais assiduidade, retomou contato com grandes escritores, e Alphonsus de Guimaraens Filho foi o companheiro mais constante, com quem estreitou laços. Em 1960, Heli publicou Roteiros de poesia, livro de crítica; em 1966, publicou Aldeia, poesia, e A porta do paraíso, prosa, dedicado à primeira neta, todos com excelente repercussão na imprensa e manifestações em cartas de escritores.
Entre os anos de 1964 e 1967, permaneceu na Europa e residiu em diferentes países, enquanto estudava línguas. Nessa época representou o Brasil em várias conferências sobre educação realizadas no exterior. De volta ao Brasil, em 1975, sofreu um grave enfarte, mas ainda voltou a trabalhar em projetos e comissões no campo da educação.
Em 1977, foi homenageado, com grande emoção, pela Academia Mineira de Letras, quando veio a Belo Horizonte receber o diploma de benemérito. Pela mão de Alphonsus passou a frequentar o Sabadoyle. Alphonsus, convenceu-o de publicar uma antologia de todas as fases de sua poesia que incluísse os poemas inéditos mais recentes.
Heli organizou esse livro, que recebeu o título de Permanência do azul e foi publicado pela Editora Globo, em 1979. Algum tempo depois, em 1982, Heli faleceu, em 22 de maio de 1982, no Rio de Janeiro.
Lamentavelmente, sua obra não foi reeditada e é praticamente desconhecida do público. Algumas obras podem ser encontradas no Acervo de Escritores Mineiros, da Universidade Federal de Minas Gerais, na Biblioteca de Henriqueta Lisboa, om afetuosas dedicatórias que revelam sua admiração pela poeta.
Publicou ainda: Antiga melodia, Belo Horizonte, Os Amigos do Livro, de 1935; Joãozinho e Maria, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, de 1943; Aldeia, São Paulo, Editora ART, de 1966; o livro em prosa Cabo Deodato, Rio de Janeiro, Oficinas de A Noite, de 1936; Roteiro de poesia, Belo Horizonte, Itatiaia, 1943; A iconografia na didática da História, de 1960; Educar para progredir, de 1960; A família e a escola, de 1960; A porta do paraíso, contos, Rio de Janeiro, Gráfica Tupi Editora, de 1966, e Vila-Lobos e a educação, Rio de Janeiro, Artes Gráficas da Escola Técnica Federal, de 1969.



