Miniatura

Acadêmico
Godofredo Rangel
Número de Cadeira
13 Patrono: Xavier da Veiga
Data de Posse
12 de agosto de 1939
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O magistrado, escritor e acadêmico José Godofredo de Moura Rangel, nasceu na vila de Três Corações do Rio Verde, atual Três Corações, Minas Gerais, em 21 de novembro de 1884. Filho de João Sílvio de Moura Rangel e de Clara Gorgulho de Moura Rangel, era irmão do magistrado Gentil Nelaton de Moura Rangel.
Desde 1896, aos 12 anos, produzia pequenos jornais manuscritos, com notícias, páginas literárias e até peças teatrais, das quais muitas vezes participava. Após a morte de seu pai, Godofredo Rangel mudou-se para São Paulo e ingressou na Faculdade de Direito.
Na Faculdade participou ativamente de um grupo de jovens com pretensões literárias, o Cenáculo, e para sua agremiação com o nome de A doença: o carnegão literário. Esse grupo escrevia para inúmeras revistas e jornais e ainda editava periódicos de pequena circulação com assuntos de interesse geral.
Foi precisamente nesses jornais de pequena circulação, como o Minarete, que Godofredo Rangel publicou muitos contos e crônicas de sua autoria. Minarete foi também o nome que o grupo dava ao chalezinho amarelo em que Rangel residiu, e no qual eles faziam suas reuniões. Entre os amigos dessa época, estavam Monteiro Lobato, José Antônio Nogueira e Ricardo Gonçalves.
Em 1908, bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, depois mudou-se para Campinas, São Paulo. Retornou a Minas Gerais e iniciou uma longa correspondência com Monteiro Lobato. Foi nessa volta que ingressou na Magistratura como Juiz Municipal de Machado, em 1909, cargo que também exerceu, em Santa Rita do Sapucaí. Nesse ínterim, casou-se com Bárbara Pinto de Andrade, com quem teve quatro filhos: Duse, Nello, Caio e Túlio.
Em 1918, foi promovido a Juiz de Direito e serviu, sucessivamente, nas Comarcas de Estrela do Sul, Três Pontas, Passos e Lavras. Rangel estreou nas Letras, em 1920, com Vida ociosa, romance da vida mineira, após enorme insistência dos amigos. Em seguida, em 1922, publicou um livro de contos, Andorinhas, e uma narrativa romântica, A filha, e o livro de contos, Os humildes, em 1929. Publicou ainda dois livros infantis: Um passeio à casa do Papai-Noel e Histórias do tempo do onça, todos em 1929.
Sua vida dividiu-se entre o magistério, as funções jurídicas e a atuação nas letras. Foi professor em colégios de Silvestre Ferraz e Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais, e no Instituto Cesário Mota, em Campinas, São Paulo. Foi eleito membro da Academia Mineira de Letras, sucedendo ao fundador José Joaquim do Carmo Gama na cadeira nº 13, que tem como patrono José Pedro Xavier da Veiga.
As obras de Godofredo Rangel são consideradas pequenos retratos de Minas, ele registrou o modo de viver do mineiro, com seus costumes mais prosaicos, como também suas lembranças da infância e da adolescência. Aposentou-se na judicatura e fixou residência em Belo Horizonte, onde dedicou-se exclusivamente às letras até o fim da vida, quando faleceu, aos 66 anos, em 4 de agosto de 1951, três anos após a morte do amigo Monteiro Lobato.
A correspondência, de mais de 40 anos, de Lobato para Rangel foi reunida no volume intitulado A barca de Greyre, e publicada em 1944. Alguns anos depois, Lobato publicou um segundo volume de A Barca de Gleyre, que continha novas cartas. Permanecem inéditas as cartas de Rangel, que se recusou a publicá-las por achar que não tinham mérito, principalmente diante das respostas de Monteiro Lobato.
Postumamente, em 1955, foram publicados dois romances: Falange gloriosa e Os bem casados. Godofredo Rangel publicou ainda a gramática Estudo prático de português.



