Miniatura

Acadêmico
Francisco Lins
Número de Cadeira
19 Patrono: Correia de Almeida
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Francisco de Paula Lins, filho de Augusto Pereira Lins e Libânia Camila da Cunha Lins, nasceu em 9 de maio de 1866, em Ubá (MG), e faleceu em 20 de abril de 1933, em Juiz de Fora (MG).
Cursou o primário na cidade de Piranga, para onde se mudou com a família em tenra idade. Transferindo-se para Ouro Preto, por volta de 1881, conseguiu trabalho numa casa de ferragens, na condição de ajudante, e também deu aulas particulares para a filha de seu empregador. Fez o secundário no Liceu Mineiro, em cuja secretaria atuou como amanuense, de 1883 a 1884. Nessa época, textos de sua autoria começaram a circular na imprensa mineira, a exemplo de um poema veiculado pelo jornal ouro-pretano A Província de Minas, em 24 de maio de 1883, e de uma crítica literária publicada pelo jornal O Baependyano, de Caxambu, em 14 de dezembro de 1884. Além disso, criou o periódico O Beija-Flor, lançado aos 15 de abril de 1884, em Ouro Preto.
Pretendia dar prosseguimento aos estudos na Escola de Minas, porém, dificuldades financeiras impediram a concretização de seus planos. Nos anos seguintes, entre idas e vindas, viveu nos municípios de Juiz de Fora, Leopoldina, Ouro Preto e Piranga, tendo ampliado e diversificado suas colaborações em periódicos mineiros, tais como: A Verdade, de Itajubá; Annuario de Minas Geraes, de Belo Horizonte; Chrysalida – órgão do Clube Literário Mineiro – e Minas Geraes, de Ouro Preto; Correio de Minas, Jornal do Commercio, Novidades, O Pharol e O Pobre – órgão da União Católica Pão de Santo Antônio –, de Juiz de Fora; Gazeta de Leste, de Leopoldina; O Arauto de Minas, de São João del-Rei; e O Prateano, de São Domingos do Prata.
Na imprensa fluminense colaborou, por exemplo, nas seguintes folhas: Gazeta de Petrópolis, de Petrópolis; O Paiz e Rua do Ouvidor, do Rio de Janeiro. No rol de assinaturas que utilizou ao longo de sua vida, constam os pseudônimos: “F. L.”, “F. Lins”, “Fábio Laurival”, “Fábio Loti”, “Franc. Lin.”, “Franck Lins”, “Léo Franck” e “Lins de França”. Jocosamente, revelou o porquê de ter aderido ao uso de nomes alternativos: “As duas últimas sílabas de FRANCISCO desagradam-me francamente. CISCO... Ora, vá para o diabo! Além de tudo, geralmente se pronuncia a vogal O como se fosse U... Que horror!”
Paralelamente, teve experiências como funcionário da Companhia New York Life Insurance, sendo responsável pela captação de clientes e negociação de contratos, a exemplo do que fez na cidade de Leopoldina, em 1890; como correspondente do Arquivo Público Mineiro, a partir de 1896, quando estava residindo em Piranga; e como professor de português e francês no Liceu de Artes e Ofícios e no Colégio São José, em Juiz de Fora, nos idos de 1905 e 1906, respectivamente. Em fins de 1909, participou da fundação da Academia Mineira de Letras.
Em outubro de 1910, foi nomeado pelo então governador de Minas Gerais, Júlio Bueno Brandão, para organizar e chefiar a representação do estado na Exposição Internacional de Turim, na Itália. Nesse contexto, visitou ateliês, casas comerciais e fábricas dos mais variados portes e segmentos, em diversos municípios, a fim de selecionar e reunir parte dos produtos que seriam exibidos no evento, incluindo laticínios, cervejas, vinhos, licores, chás, doces, cigarros, fármacos, tecidos, sapatos, objetos de cerâmica, máquinas e obras de arte, entre outros tipos de itens.
Às vésperas do seu embarque para a Europa, em maio de 1911, recebeu uma segunda missão do governo mineiro, por intermédio do então secretário do Interior, Delfim Moreira: frequentar institutos profissionais, escolas primárias e estabelecimentos congêneres na Alemanha, na Bélgica, na França, na Itália e na Suíça, objetivando a aquisição de conhecimentos teórico-metodológicos em prol da instrução pública em Minas Gerais. Assim, ao término da Exposição Internacional de Turim, dirigiu-se para Genebra, na Suíça, onde ingressou na primeira turma do Instituto Jean-Jacques Rousseau, fundado por Édouard Claparède e dirigido por Pierre Bovet. Estudou na instituição entre 1912 e 1915, tendo como mestres Adolphe Ferrière, Alice Descoeudres, François Naville e Mina Audemars, entre outros. No mesmo período, conviveu com Helena Antipoff, sua colega de turma.
Retornando ao Brasil em dezembro de 1917, instalou-se em Juiz de Fora. Passou, então, a dar lições particulares de francês e retomou suas colaborações n’O Pharol e no Jornal do Commercio. Posteriormente, aos 2 de janeiro de 1919, foi nomeado reitor do externato do Ginásio Mineiro de Barbacena e, aos 8 de julho do mesmo ano, tornou-se membro do Conselho Superior da Instrução Pública de Minas Gerais. Na década de 1920, colaborou no Minas Geraes e na Revista do Ensino, ambos de Belo Horizonte, e n’O Paiz, do Rio de Janeiro, debruçando-se, principalmente, sobre temáticas relacionadas à educação. Em 1930, viajou novamente para a Europa, comissionado pelo governo mineiro. Nessa altura, integrava o corpo docente da Escola Normal de Juiz de Fora.
Publicou as seguintes obras: Canções da Aurora (1866), com prefácio de Randolpho Fabrino e Eloy de Araújo; Harpa da Selvas (1887), com prefácio de Valentim Magalhães; Accordes (1888); Versos - 1887 a 1897 (1898); Borboletas Negras (1909); e Uma Campanha Pró Hermes-Wenceslau (1910), de cunho político.
Coautor de duas polianteias, quais sejam: Azevedo Júnior (1909), juntamente com Albino Esteves – sob o pseudônimo de “Lúcio d’Alva” –, Belmiro Braga, Brant Horta, Dilermando Cruz, Estevam Oliveira, Franklin de Magalhães, Gilberto de Alencar, Heitor Guimarães, José Paixão, Luiz de Oliveira, Machado Sobrinho e Noraldino Lima, entre outros; e Presidente Antônio Carlos (1927), em parceria com Abílio Barreto, Arduíno Bolivar, Aurélio Pires, Carlos Góes, José Maria Alkmin e Noraldino Lima, entre outros.



