Miniatura

Acadêmico
Flecha de Lima
Número de Cadeira
13 Patrono: Xavier da Veiga
Data de Posse
16 de outubro de 1997
Posição na Cadeira
4° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O diplomata brasileiro Paulo Tarso Flecha de Lima nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 8 de julho de 1933, filho de Sebastião Dayrell de Lima e Maria de Lourdes Flecha de Lima. Casou-se com Lúcia Flecha de Lima, secretária de Turismo do Distrito Federal e com ela teve cinco filhos: Isabel, João Pedro, Beatriz, Luiz Antônio e Paulo Tarso Júnior.
Flecha de Lima concluiu os estudos básicos em sua terra natal, e depois bacharelou em Ciências Jurídicas e Sociais, na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Depois realizou o Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas, no Instituto Rio Branco. Em 27 de julho de 1955, prestou concurso para Cônsul de Terceira Classe.
Em 1956, tornou-se Oficial de Gabinete do Presidente da República, cargo que ocupou até 1960. Nesse mesmo ano, participou da Delegação do Brasil às solenidades de posse do Presidente da Bolívia e, em seguida, em 1957, esteve na Delegação do Brasil à Primeira Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA, em Viena.
Em 1958, em consonância com a carreira de Diplomata que já havia iniciado, foi indicado como Segundo Secretário, e compôs a Delegação do Brasil às solenidades de posse do Presidente do México, e do Grupo de Trabalho de Elaboração do Anteprojeto de Reforma do Ministério das Relações Exteriores.
Em 1960, foi nomeado Chefe de Gabinete do governo provisório do Estado da Guanabara. De 1961 a 1962, continuou como Segundo Secretário e Encarregado de Negócios, em Roma. Foi transferido para Montevidéu, no cumprimento das mesmas funções, e atuou na Associação Latino-Americana de Livre Comércio – ALALC, de 1962 a 1966.
Nesse período, representou, como suplente, o Brasil na Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura – FAO; foi assessor na reunião de Peritos Governamentais sobre Integração Econômica Latino-Americana, em Montevidéu, e Secretário-Geral da delegação ao IV Período de Sessões das Partes Contratantes do Tratado de Montevidéu, em Bogotá.
Em 1964, Flecha de Lima, tornou-se Primeiro Secretário e entre 1966 e 1968, tornou-se Chefe da Divisão da Associação Latino-Americana de Livre Comércio. No ano seguinte, foi transferido para Nova York, e atuou como Cônsul-Adjunto, chefe do SECOM, e Encarregado do Consulado-Geral. Na atuação nesses cargos, ordenou conversações bilaterais Brasil/Estados Unidos sobre exportação de têxteis brasileiros e sobre promoção de exportações, entre outros acordos.
Em 1971, foi professor de Promoção Comercial do Curso de Preparação à Carreira de Diplomata – CPCD, do Instituto Rio Branco e professor do Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas – CAD, entre 1971 e 1975. Foi também Presidente da Fundação Visconde, de Cabo Frio, entre 1974 e 1989 e Conselheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, de 1980 a 1986.
Em 1976, chefiou reuniões dos setores comerciais, bem como a Comissão Econômica Mista Brasil-Canadá, em Ottawa; a Empresarial, no Chile; o comitê de assuntos econômicos da Canning House, em Londres; e de relacionamento econômico-comercial de Angola, em Luanda. Foi, ainda, representante do Ministério das Relações Exteriores no Conselho Deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, de 1971 a 1985.
Em 1977, Flecha de Lima liderou a Comissão Econômica Mista Brasil-Kuwait; a comitiva do Ministro da Indústria e do Comércio, em viagem oficial ao Iraque; missão Comercial ao Irã, em Teerã; missão Comercial Especial à República Popular da Argélia; missão Especial à Nigéria.
De 1985 e 1988, Flecha de Lima ocupou o cargo de conselheiro e Diretor da Fundação Alexandre de Gusmão – FUNAG, e depois de presidente da Fundação, de 1987 a 1989; e membro do Conselho de Administração da Associação das Pioneiras Sociais – SARAH, de 1989 a 1995. Foi eleito para a Academia Mineira de Letras, em sucessão a João Franzen de Lima na cadeira nº 13, patrocinada por Xavier da Veiga.
Em 1990, realocado novamente em outro país, foi nomeado Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário, de Londres; posto em que permaneceu até 1993. Posteriormente, foi transferido para Washington, D.C, onde ficou até 1999. Foi na década de 1990 que Flecha de Lima viveu um dos momentos mais dramáticos de sua vida. Embaixador em Londres, o veterano diplomata conhecia o governo iraquiano como poucos no Itamaraty.
Como chefe do Departamento de Promoção Comercial, desde os anos 1970, começou a estabelecer laços comerciais com o país do Oriente Médio. Assim, em 7 de outubro de 1990, no regime ditatorial de Saddam Hussein, na Primeira Guerra do Golfo, Flecha de Lima chefiou a missão de libertar cerca de 400 trabalhadores brasileiros da construtora Mendes Júnior, que Saddam Hussein pretendia usar como escudos humanos contra os bombardeios da coalizão internacional, que reagiu à invasão iraquiana do Kuwait.
Além dos trabalhadores da Mendes Júnior, um grupo de brasileiros ligados ao brigadeiro Hugo Piva também estava no Iraque assessorando o regime de Saddam na área de produção de material de defesa. Flecha de Lima negociou primeiro com Hussein Kamel-Hassan, genro de Saddam Hussein e ministro da Produção Militar, sem obter êxito, iniciou as negociações com o então vice-presidente do Iraque, Sabri Hamadi e Taha Yassin Ramadan. Logrou êxito, depois de 23 dias em Bagdá, conseguindo convencer o governo iraquiano a conceder os vistos de saída.
Em 2001, o diplomata brasileiro se aposentou e em sua trajetória publicou o livro Caminhos diplomáticos, de 1997, além de artigos, entrevistas e discursos. O embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima faleceu no dia 12 de julho de 2021, aos 88 anos, em Brasília.



