Miniatura

Acadêmico
Emílio Moura
Número de Cadeira
20 Patrono: Artur Lobo
Data de Posse
07 de setembro de 1939
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O poeta, escritor e jornalista Emílio Guimarães Moura, nasceu em Dores do Indaiá, Minas Gerais, em 14 de agosto de 1902, filho de Elói de Moura Costa e de Cornélia Guimarães Moura. Cursou o primário em diferentes cidades, como Bom Despacho, Carmo da Mata e Cláudio, já o secundário realizou no ginásio Instituto Guimarães, em sua cidade natal.
Em 1917, radicado em Belo Horizonte, cursou os estudos preparatórios no Ginásio Mineiro. Conheceu a poesia quando descobriu Cesário Verde, Antônio Nobre e Alphonsus de Guimaraens.
Em 1925, na capital mineira, estudando Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, em contato com outros jovens, criou com Carlos Drummond, Martins de Almeida e Gregoriano Canedo, A Revista, considerado depois o primeiro e mais importante órgão do modernismo mineiro.
Em 1928, concluiu o curso de Direito e retornou para Dores do Indaiá para advogar. Lá foi nomeado professor de História da Escola Normal Oficial. Residiu nessa cidade até princípios de 1931, quando se casou com Guanayra Portugal Moura. Depois, retornou para Belo Horizonte, se estabeleceu e residiu até falecer. Entre os modernistas mineiros, foi um dos poucos que não emigrou.
Na capital mineira, Emílio Moura dividiu-se entre o jornalismo, a poesia e a burocracia. De 1928 a 1931, colaborou nos jornais Diário de Minas, Estado de Minas, A Tribuna e Minas Gerais. Do início dos anos de 1930 a meados da década de 1940, atuou como professor de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia, Letras e Artes de Minas Gerais, depois incorporada à Universidade Federal de Minas Gerais.
Entre 1931 e 1933, foi redator do Diário Oficial de Minas Gerais e Oficial-de-Gabinete do Presidente Olegário Dias Maciel. No período de 1933 a 1935, foi Oficial-de-gabinete dos Diretores da Imprensa Oficial Mário Casasanta e Mário Gonçalves de Matos, como também Secretário do Tribunal de Contas. Nessa época, lançou seu primeiro livro de poesia, Ingenuidade, publicado em 1931, pela Amigos do Livro.
Em 1942, foi um dos fundadores, além de diretor e professor catedrático de História das Doutrinas Econômicas, da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Foi Secretário do Departamento Administrativo do Estado, quando o governador Benedito Valadares Ribeiro o nomeou Diretor da Imprensa Oficial, cargo que exerceu de 1944 a 1946.
No Governo de Milton Soares Campos, desempenhou, entre 1947 e 1950, as funções de Superintendente do Departamento de Educação da Secretaria de Estadual de Educação. Colaborou em periódicos do Rio de Janeiro e de São Paulo, como também no Suplemento Literário de Minas Gerais, no qual participou da comissão de apreciação do mérito das publicações, por designação do Diretor da Imprensa Oficial.
Apesar do envolvimento com a estética modernista, alguns críticos costumavam apontar em sua obra poética alguns traços simbolistas. Emílio Moura divulgou seus primeiros poemas no semanário O Indaiá, de Dores do Indaiá. Teve poemas publicados em revistas e jornais de Portugal e traduzidos para as línguas espanhola, francesa, italiana, inglesa e alemã.
Foi eleito membro da Academia Mineira de Letras como sucessor de Franklin de Almeida Magalhães, para a cadeira nº 20, patrocinada por Artur Lobo. Em 1949, recebeu o Prêmio de Poesia da Academia Mineira de Letras. Em 1969, recebeu o prêmio do Pen Clube do Brasil, e o Prêmio do Instituto Nacional do Livro.
Depois da primeira publicação vieram Canto da hora amarga, de 1936, Belo Horizonte, pela Amigos do Livro; Cancioneiro, de 1945, Belo Horizonte, pela Edições Trevo; O espelho e a musa, de 1949 (Prêmio de Poesia do Estado de Minas Gerais), Belo Horizonte, pela Movimento Editorial Panorama; Poemas, também de 1949; O instante e o eterno, de 1953 e Poesia, também em 1953, no Rio de Janeiro, pela J. Olympio; 50 poemas escolhidos pelo autor, de 1961; A casa, de 1961, Belo Horizonte, pela Edições Tendência; Antologia poética, de 1971, Rio de Janeiro, pela Leitura/MEC; Itinerário poético, de 1969 (Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro), Belo Horizonte, pela Imprensa Oficial. Esta última publicação seria, segundo o autor, sua obra definitiva, a reunião de toda a sua produção poética, pois nela se encontram poemas dos livros anteriores que ele selecionou.
Poeta de vocabulário simples, embora sua poesia tenha grande complexidade, principalmente pelas questões que lança para o leitor. Emílio Moura faleceu em 28 de setembro de 1971, em Belo Horizonte, diferentemente da maioria dos amigos, que se mudaram para a capital federal, Rio de Janeiro, o poeta permaneceu em Belo Horizonte, onde passou toda a sua vida.
Em 2002, a Editora UFMG e a Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG lançaram a segunda edição de Itinerário poético: poemas reunidos, em comemoração ao centenário do nascimento de Emílio Moura. Em 2006, foi lançado o romance póstumo Anáguas, pela editora Sete Letras, que narra as desventuras de uma família do interior diante do desemprego no campo e a migração forçada para a cidade grande, a partir das lembranças da mulher protagonista.



