Miniatura

Acadêmico
Dilermando Cruz
Número de Cadeira
15 Patrono: Bernardo Guimarães
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O advogado, jornalista e poeta Dilermando Martins da Costa Cruz nasceu em Leopoldina, Zona da Mata mineira, no dia 5 de setembro de 1879, filho de Custódio José Martins da Costa Cruz e Gabriela Augusta de Souza Lima da Costa Cruz. O acadêmico foi pai, dentre outros filhos, do médico Dilermando Martins da Costa Cruz Filho, que foi prefeito de Juiz de Fora, deputado estadual e federal, e secretário de Viação e Obras Públicas de Minas Gerais.
Iniciou os estudos no Colégio Mineiro, em Ouro Preto; de lá foi transferido para Barbacena, e prosseguiu os estudos no Ginásio Mineiro de Barbacena. Formou-se em Direito, tendo exercido, em 1917 o cargo de delegado de polícia no Rio de Janeiro, à época capital da República.
Formado, voltou para Leopoldina e iniciou carreira como jornalista. Fundou e dirigiu, na cidade, a Folha de Leste, que ali circulou durante dois anos. Aos vinte anos tornou-se empresário, ao inaugurar o Externato de Instrução Primária e Secundária e um Curso Noturno para adultos. Nesta mesma época, foi nomeado suplente de Inspetor Escolar Municipal. Nesse ínterim, seu primeiro livro Primeiras Rimas e o segundo Diaphanas, já haviam sido publicados, o primeiro em 1896 e o segundo em 1898.
Em novembro de 1900, foi nomeado Promotor de Justiça de Leopoldina. Dois anos depois, tornou-se Secretário de Comissão do Partido Republicano. Mudou-se para Juiz de Fora, por motivos de saúde na família, e participou intensivamente da política, como tribuno popular e forense. Foi chefe político de seu partido e exerceu o cargo de vereador entre 1902 e 1904.
Ainda na cidade, fundou e foi redator-chefe do Correio da Tarde, em 1906. Participou de outros periódicos, foi redator da revista ilustrada Mensal, em Barbacena, dirigida por Aldo Delfino, e colaborou com O Pharol, de Juiz de Fora. Manteve, ainda, assídua colaboração nos jornais cariocas O Paiz e Gazeta de Notícias. Dilermando foi um dos primeiros a abrir espaço em suas colunas para a literatura.
Poeta brilhante, conforme cita o Dr. Joaquim Custódio Guimarães, em prosa, escreveu um caderno que intitulou Palestras Literárias. Na época em que se verificavam as chamadas conferências de salão, espécie de jornal falado, foi notável. Estudou diversos temas – “O Belo”, “Saudades”, “Fontes”, “Caridade”, “Árvores” e vários outros, todos enfeixados em um volume. Deixou um romance inédito, O Anacoreta. Na imprensa, publicou sob os pseudônimos, “D.C.”, Diler e Celso Dinarte.
Sua obra de maior destaque foi a biografia do político Bernardo Guimarães, Bernardo Guimarães, em 1910. A primeira edição foi pela Casa Azul, Editora S. Costa & Cia, de Juiz de Fora, a segunda foi publicada pela Imprensa Oficial de Minas Gerais, em 1914, e nela foi acrescentado o drama A Voz do Pajé, na íntegra. Ao que se tem notícias, essa peça, segundo Carlos José dos Santos, foi inspirada no Natchez, de Chateaubriand.
No ano de 1911 foi candidato a Deputado Estadual, para as eleições daquele ano. Como político, Dilermando pertencia a um dos blocos políticos mais fortes de Minas Gerais, o dos silvianistas, liderado por Wenceslau Braz e por Júlio Bueno Brandão, de fortes articulações com a Zona da Mata.
Foi um dos fundadores da Academia Mineira de Letras, em 25 de dezembro de 1909, e ocupava a cadeira número 15, cujo patrono foi Bernardo Guimarães. Participou da primeira diretoria da AML e integrou a Comissão de Contas. Faleceu em 1935, em Juiz de Fora. Em 2010, foi escolhido Patrono da cadeira nº15 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA, ocupada por Natania Nogueira.



