Miniatura

Acadêmico
Brant Horta
Número de Cadeira
10 Patrono: Cláudio Manoel da Costa
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O poeta Francisco Eugênio Brant Horta, nasceu no dia 13 de novembro de 1877, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Filho do Capitão Pedro Luiz Rodrigues Horta e de Maria Flora Brant Horta, teve cinco irmãos: Júlia, Flavia, Maria Flora, Antônio e Pedro Luiz. Brant se casou duas vezes, a primeira esposa foi Marieta Peres e a segunda foi Adelaide Rates, com quem teve uma filha, Iris Brant Horta.
De 1888 a 1890, aos dez anos, iniciou a vida escolar no Colégio Providência, depois no Colégio São Pedro (dirigido pelo pai). Em 1892, matriculou-se no Ginásio Barbacena e de 1894 a 1896 estudou na Academia de Comércio de Juiz de Fora. No ano seguinte, em 1897, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar no Instituto Nacional de Música, e retornou a Juiz de Fora no mesmo ano, por motivos particulares. Ao regressar, dedicou-se principalmente ao magistério, atuando em várias instituições educacionais, como o Externato Hermes, Ateneu de Letras, São José, Grambery e Ginásio de Minas.
Trabalhou também como jornalista e fundou A Semana Comercial, em parceria com Luiz de Oliveira, redigiu por algum tempo O Paládio e colaborou com diversos jornais, mas foi em O Pharol que contribuiu de forma mais significativa, através da publicação de poesias e críticas literárias, ambos os veículos em Juiz de Fora. Escreveu sob o pseudônimo “Bisneto Fonce”.
Mesmo com tantas atividades, Brant Horta desenvolveu grande paixão pelo violão, e continuou tocando, compondo e se apresentando com outros artistas locais em concertos beneficentes, em sua maioria, como o realizado em 17 de agosto de 1902, no Teatro de Juiz de Fora, em benefício de duas famílias necessitadas. Nessa ocasião executou, em duo com Cincinato Duque Bicalho, as composições: Lágrima, barcarola de sua autoria, e Carnaval de Veneza.
Prosador elegante, escreveu numerosas crônicas, que se acham esparsas pelas revistas e jornais, quer de Minas, quer fora do estado. Poeta de rara sensibilidade, em 1904 participou da antologia Sonetos brasileiros, organizada por Laudelino Freire, publicada no Rio de Janeiro pela editora M. Orosco e Companhia. Em 1905, publicou seu primeiro livro de poemas, Lirae Carmen, e Cartões Postais em data desconhecida.
Em 22 de julho de 1906, participou da festa promovida pela Sociedade Beneficente Brasileira-Alemã, realizada no Parque Weiss, que tinha como atração principal o Grupo Beethoven. Na ocasião, Brant Horta executou, de sua autoria, Barcarola e Sertaneja, uma valsa e um Batuque.
Em novembro do mesmo ano, um acontecimento mudou sua trajetória de violonista e compositor. O O Pharol, em 12 de novembro noticiou que Brant acompanhado de sua esposa faria um concerto no teatro da Exposição Nacional, no Rio de Janeiro e no dia seguinte outro concerto no Conservatório de Música. Essa apresentação carioca também lhe rendeu nota no Jornal do Brasil.
Brant estreitou laços com alguns dos violonistas que atuavam no Rio de Janeiro, em particular com o maestro Ernani de Figueiredo, que visitou Juiz de Fora no ano seguinte e fez de 1909 um ano mágico para o instrumentista – quando desenvolveu intensa atividade musical: iniciou um concerto na cidade de Rio Novo, Minas Gerais, no qual foi a atração principal.
Em 24 de abril desse mesmo ano, Brant participou do Concerto de Cítara dos professores Carlos Tyll e Luiz Krantz, realizado no Hotel Rio de Janeiro. Na ocasião, executou as peças Lucia de Lammermoor e Noturno. Ainda em 1909, ele escreveu matéria sobre Ernani de Figueiredo no jornal O Pharol, em 15 de outubro, e convidou os leitores para o concerto do dia 17, na Associação dos Empregados no Comercio. Foi um dos fundadores da Academia Mineira de Letras, na cadeira 10, e participante do primitivo grupo dos Doze, em 1909. Pertenceu à primeira diretoria da Academia, na função de secretário auxiliar, sempre reeleito até à transferência da instituição para Belo Horizonte.
Ao longo da vida, o grande prestígio como poeta, professor e violonista lhe permitiu desenvolver várias atividades. Atuou principalmente como professor, tendo publicado vários livros didáticos: Gramática Histórica; Gramática Intuitiva; Lições de Análise Léxica e Sintática; Análise Literária e Noções de Literatura; Boa Linguagem; Minha Segunda História do Brasil.
Em 1912, publicou Harpa Eólia, livro de poemas; Manfredo, (s/d); O Livro de Jesus (s/d); As Duas Teles, uma peça de teatro, em 1934 e Via Lucis, poemas, em 1937.
Sua condição de musicista e intelectual permitiu que levasse seu instrumento aos salões aristocráticos do Rio de Janeiro, sem restrição alguma. Brant mostrou sua arte e divulgou o violão como instrumento de concerto, através de suas composições elaboradas. Apenas duas músicas suas foram gravadas: a primeira foi gravada pela Parlophon, em 1930, por Almirante, Bando dos Tangarás e Luperce Miranda; a segunda teve gravação nos Estados Unidos, a cargo de Carmen Miranda e do Bando da Lua, em setembro de 1941, e lançada no Brasil, em julho de 1942, pela Odeon.
Já aposentado, Brant contraiu uma enfermidade nos órgãos visuais, que o distanciou das letras. Faleceu no Rio de Janeiro, em 26 de maio de 1959.



