Miniatura

Acadêmico
Astolpho da Silveira
Número de Cadeira
04 Patrono: Frei Velloso
Data de Posse
10 de maio de 1910
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Álvaro Astolpho da Silveira, filho de Urias Antônio da Silveira e Maria Ubaldina de Mello, nasceu em 23 de setembro de 1867, em Passos (MG), e faleceu em [26] de novembro de 1945, em Belo Horizonte (MG).
Estudou na Escola de Minas de Ouro Preto, onde fez o curso preparatório e o curso superior, formando-se em meados de 1892 como engenheiro. Ato contínuo, trabalhou no prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil, no trecho de Sabará, como condutor de 2ª classe. Alguns meses depois, em 16 de janeiro de 1893, foi nomeado para a Comissão Geográfica e Geológica de Minas Gerais – então sediada em São João del-Rei –, na condição de ajudante. Em pouco tempo, ascendeu profissionalmente: aos 21 de julho de 1893 assumiu o posto de geólogo e, menos de dois anos depois, em 19 de janeiro de 1895, foi alçado a engenheiro-chefe, permanecendo no cargo até a comissão ter sido extinta, em 7 de outubro de 1898. Sua liderança foi marcada, entre outros fatores, pela editoração do boletim institucional, junto ao qual também atuou como redator.
Entrementes, elegeu-se presidente da Sociedade Agrícola e Pastoril de São João del-Rei, instalada no primeiro trimestre de 1898. No ano seguinte, tornou-se engenheiro-fiscal das colônias de Minas Gerais, tendo sido nomeado em 22 de julho de 1899. Nessa altura, integrou a equipe de colaboradores do Diário de Minas. Em 1901, comissionado pelo governo mineiro, foi enviado para o município de Bom Sucesso a fim de investigar os abalos sísmicos que haviam acometido aquela localidade. Suas anotações de campo acerca do fenômeno – originariamente divulgadas n’O Resistente, de São João del-Rei, sob o pseudônimo de “Plínio” – foram transformadas em livro, anos depois.
Entre 1904 e 1907, dirigiu a Imprensa Oficial de Minas Gerais, desempenhando também as funções de diretor e redator-chefe do Minas Geraes. Nesse ínterim, também colaborou assiduamente na Revista Agrícola, Commercial e Industrial Mineira, publicando artigos sobre os mais variados temas ao lado de Josaphat Bello e outros escritores. Igualmente apoiou e participou do ciclo de palestras literárias e científicas promovidas por um grupo de intelectuais nos salões do Clube Belo Horizonte, em outubro de 1905. Na ocasião, seu desempenho foi descrito nos seguintes termos pelo jornal O Pharol: “O distinto e fluente palestrante deu completa revelação do seu admirável talento tribunício, discorrendo primorosamente sobre o tema As Flores, que desenvolveu com elevados conhecimentos científicos, com inapreciável verve e em bela e escorreita forma literária.” Em 1907, figurou como um dos vários colaboradores da Revista Commemorativa do Septimo Anniversario da Associação Beneficente Typographica de Bello Horizonte.
Entre 1907 e 1921, aproximadamente, compôs a alta hierarquia da Diretoria de Agricultura, Terras e Colonização de Minas Gerais, ocupando os cargos de chefe-técnico, diretor-interino e diretor. Nos anos que se seguiram, entre 1921 e 1931, dirigiu a Comissão Geográfica e Geológica de Minas Gerais, reestabelecida no governo de Arthur da Silva Bernardes. Ao mesmo tempo, entre 1909 e 1930, ainda como servidor público estadual, foi designado para mediar as tratativas relacionadas à demarcação das fronteiras de Minas Gerais, em comum acordo com representantes dos governos baiano, capixaba e paulista.
Na esfera municipal, agiu em prol da reformulação da política de arborização de Belo Horizonte, de 1922 a 1923, atuando ao lado de José de Mello Soares Gouvêa e João Batista Gomes. No correr dos anos 1920, colaborou nos seguintes periódicos, publicando crônicas e/ou textos técnico-científicos: Revista Nacional, de São Paulo, em 1923; suplemento do jornal A Manhã, do Rio de Janeiro, em 1926; e Boletim de Agricultura, Zootechnia e Veterinária, de Belo Horizonte, em 1928.
Foi eleito para a Academia Mineira de Letras em 1910. Além de ter presidido a entidade de 1915 a 1920, exerceu outros cargos entre 1921 e 1934, participando das comissões de bibliografia, de contas e de recepção, atuando também como segundo-secretário e tesoureiro. Filiou-se, ainda, às seguintes agremiações: Academia Brasileira de Ciências, como membro titular da seção de ciências biológicas; Associação Beneficente Typographica de Bello Horizonte, como sócio benemérito; Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, como sócio efetivo; Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, como sócio correspondente; e Sociedade Mineira de Agricultura, como sócio fundador, presidente e consultor técnico.
Em 1911, tomou parte na fundação da Escola Livre de Engenharia de Belo Horizonte (posteriormente incorporada à UMG), ocupando a vice-diretoria de junho de 1911 a março de 1916 e de fevereiro de 1917 a agosto de 1938. Como professor, lecionou por muitos anos, dedicando atenção especial ao ensino de topografia.
Suas principais obras são: A Morte do Major ou Enumeração das Asneiras de um Fiscal do Ensino Público em Minas (1904), em parceria com João Massena; Os Tremores de Terra de Bom Successo (1906); Viagem pelo Brasil: notas e impressões colhidas na viagem do sr. dr. Affonso Penna, de 12 de maio a 24 de agosto de 1906 (1906); Flora e Serras Mineiras (1908); A Mathematica na Música e na Linguagem (1911); Tabelas Estadimétricas (1912); Consultor Agrícola (1913); A Arborização de Bello Horizonte (1914); As Florestas e as Chuvas (1916); O Algodoeiro em Minas Gerais (1916); O Naturalista Frei Conceição Velloso (1916), opúsculo oriundo de uma palestra proferida em 7 de novembro de 1915 em homenagem ao religioso franciscano; Os Limites de Minas com São Paulo (1917); Floresta e Pecuária (1917); Agricultura e Pecuária (1919); Memórias Chorographicas (1921, vol. 1; 1922, vol. 2); Fontes, Chuvas e Florestas (1923); Narrativas e Memórias (1924); Topographia (19[27]); Floralia Montium (1928, vol. 1; 1931, vol. 2); A Morte do Burro (1929); Geographia do Estado de Minas Gerais (1929); e Mineralogia (19[33]).



