Miniatura

Acadêmico
Arduíno Bolivar
Número de Cadeira
06 Patrono: Bernardo de Vasconcelos
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Arduíno Fontes Bolivar, filho de Cândido Antônio Malaquias Bolivar e Maria Teresa Gonçalves Fontes, nasceu em 21 de setembro de 1873, em Santa Rita do Turvo – atual município de Viçosa (MG) –, e faleceu em 15 de agosto de 1952, em Belo Horizonte (MG).
Após a morte do pai, em 1884, mudou-se com familiares para Ubá, onde concluiu o primário. Deu continuidade aos estudos no Colégio do Caraça, de 1887 a 1893. Transferindo-se para Ouro Preto logo em seguida, começou a dar aulas no Colégio Mineiro e chegou a frequentar a Escola de Farmácia, porém, em fins de 1895 foi para São Paulo em busca de melhores condições de vida. Na capital paulista, empregou-se n’O Commercio de São Paulo – como redator e revisor – e também trabalhou como professor particular de português, francês e latim. Em 1898, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo (posteriormente incorporada à USP), vindo a formar-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1902. Sua trajetória acadêmica ficou marcada por colaborações nos periódicos A Evolução, Ensaios Jurídicos e Renascença.
Já diplomado, pôs-se a atender seus primeiros clientes num escritório de advocacia situado à rua São Bento, em São Paulo. Exerceu a profissão por alguns meses, na companhia do sócio José Augusto César, até que foi nomeado para o cargo de promotor de justiça da comarca de Carangola, na Zona da Mata mineira. Manteve-se na promotoria de 1903 a 1906, desenvolvendo paralelamente atividade jornalística nas páginas d’O Progressista. De 1906 a 1914, integrou a administração judiciária da comarca de Ubá, inicialmente como juiz e depois como promotor de justiça. Nesse ínterim, também atuou como inspetor escolar municipal, além de ter sido professor e vice-diretor do Ginásio Ubaense de São José. Na imprensa local, deixou contributos n’O Apóstolo e n’O Movimento.
Em fins de 1914, radicou-se em Belo Horizonte. Recrutado pela administração pública estadual, serviu como oficial de gabinete de dois secretários de Agricultura – Raul Soares de Moura e Clodomiro Augusto de Oliveira – e de dois governadores – Arthur da Silva Bernardes e Raul Soares de Moura. De 1922 a 1928, dirigiu a prestigiada Escola Normal Modelo de Belo Horizonte (atual Instituto de Educação do Estado de Minas Gerais), onde lecionou gramática e noções de literatura brasileira por algum tempo. Na rede privada de ensino, ministrou disciplinas de português e latim no Colégio Arnaldo, de 1918 a 1933, e no Ginásio Affonso Arinos, de 1936 a 1940, aproximadamente.
No magistério superior, granjeou ainda mais respeitabilidade quando tornou-se membro do seleto corpo docente da Faculdade de Direito – que desde 1927 integrava a Universidade de Minas Gerais (atual UFMG). Mais tarde, tomou parte na fundação da Faculdade de Filosofia, em 1939, e da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas, em 1941 – que seriam incorporadas à referida universidade em 1948. Nas três faculdades supracitadas, transmitiu conhecimentos de latim, literatura latina e princípios de sociologia aplicados à economia, respectivamente. Em 1943, participou da criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Maria (uma das unidades embrionárias da PUC-MG), em cujo curso de línguas neolatinas regeu o conteúdo de literatura italiana.
Para além das salas de aula, teve passagens pelo Conselho Superior da Instrução Pública de Minas Gerais, pelo Departamento Mineiro da Associação Brasileira de Educação e pela Comissão Nacional do Livro Didático. Da mesma forma, esteve presente nas agitadas sessões do 1º Congresso de Instrução Primária de Minas Gerais, sediado em Belo Horizonte entre os dias 9 e 18 de maio de 1927. Foi, ainda, diretor do Arquivo Público Mineiro de 14 de abril de 1936 até 14 de setembro de 1938, período durante o qual se dedicou com especial interesse ao resgate da revista institucional que se encontrava fora de circulação desde 1933. Lançou a nova edição em julho de 1937, com centenas de páginas distribuídas em dois tomos e duas separatas.
Eleito para a Academia Mineira de Letras em 25 de dezembro de 1909, cooperou diligentemente tanto como tesoureiro e secretário como membro da comissão de contas, da comissão de recepção, da comissão da revista e da comissão do estatuto e do regimento interno da entidade. Filiou-se, também, à Sociedade de Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte; à Sociedade dos Amigos da Latinidade; à Sociedade São Vicente de Paulo; e ao Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Na Academia Ubaense de Letras, figura como patrono da cadeira 17.
Na condição de hábil poliglota e sensível beletrista, forjou-se como tradutor de escritores da estirpe de Alphonse Daudet, Anacreonte, Arnaldo Fusinato, Dante Alighieri, Francesco Petrarca, François Coppée, Friedrich Schiller, Gabriela Mistral, Giosuè Carducci, Goethe, Homero, Horácio, Jacques Delille, Jean Richepin, José de Espronceda, Pietro Metastasio, Victor Hugo, Virgílio, Walt Whitman, entre muitos outros. Seu legado literário, incluindo as traduções e em menor quantidade os poemas e as crônicas de sua autoria, encontra-se disperso nos seguintes periódicos: A Ordem, A União, Almanaque Brasileiro Garnier, Excelsior, Jornal do Brasil e Romanitas, do Rio de Janeiro; Annuario de Minas Geraes, Diário de Minas – de cuja redatoria se encarregou de 1919 a 1926 – e Kriterion, de Belo Horizonte; e O Pharol, de Juiz de Fora. Utilizava os seguintes pseudônimos: “Beduíno”, “Beduíno em Oasis”, “Boccaccio” e “Darvino Braulio”.
Em parceria com Branca de Carvalho Vasconcellos – musicista e professora da Escola Normal Modelo de Belo Horizonte –, organizou o Cancioneiro Escolar (1925 e o Hymnario Escolar (1926), destinados aos estudantes da rede pública de ensino de Minas Gerais com fins educativos e recreativos. Coautor da polianteia Presidente Antônio Carlos (1927), juntamente com Abílio Barreto, Aurélio Pires, Carlos Góes, Francisco Lins, José Maria Alkmin e Noraldino Lima, entre outros. Escreveu, mas não chegou a publicar, A Rosa do Carmelo (s.d.).
Em 1962, seu acervo bibliográfico foi doado para a UFMG e, em 2002, seu arquivo pessoal foi doado para o Centro de Memória e de Pesquisa Histórica da PUC-MG.



