Miniatura

Acadêmico
Antonieta Cunha
Número de Cadeira
09 Patrono: Josafá Belo
Data de Posse
09 de agosto de 2021
Posição na Cadeira
5º Sucessor
Status
Membro atual
Contato
mariaantonietaantunescunha@gmail.com ou antonietacunha@terra.com.br
Descrição Biográfica
A professora, escritora, editora, consultora e curadora, Maria Antonieta Antunes Cunha nasceu em Ribeirão Vermelho, em 28 de junho de 1939, filha de Olívia Bravo Cunha e João Cunha Filho. Em 1965, casou-se com o médico Eunápio Antunes de Oliveira. Tiveram dois filhos: Leo Antunes Cunha, jornalista e escritor, e Ana Carolina Antunes Cunha de Oliveira, estilista e tradutora, que lhes deram três netos.
Cursou o então primário no Grupo Escolar Barão de Macaúbas, exemplar, na época. Depois, fez o ginásio e o curso de formação no Instituto de Educação, sempre decidida a ser professora, inspirada naquela que foi sua mestra nos quatro anos primários. Fez Letras Neolatinas e doutorado na Faculdade de Letras da UFMG. Fez também mestrado em Educação, também na UFMG. Estudou Inglês na Cultura Inglesa.
Ainda aluna de Letras, foi chamada para dar aula de Português no mesmo Instituto de Educação. Dois anos depois, foi escolhida para ser vice-diretora deste Estabelecimento, em 1973. Logo começou a dar aulas na Faculdade de Letras, na graduação e na pós-graduação, e algumas vezes foi convidada a dar Literatura Infantil nos cursos de Biblioteconomia e Educação. Ministrou ainda cursos de Estilística do Português no Curso de Especialização da PUC-MG (PREPES), de 1983 a 1996, tendo ainda lecionado e coordenado os Cursos de Especialização em Arte-Educação e em Literatura Infantil, da mesma Instituição, de 1990 a 1996.
Antonieta Cunha sempre teve atuação de destaque na área editorial: criou a Casa de Leitura e Livraria Miguilim em 1979, e, em 1980, fundou e dirigiu a Editora Miguilim (1980-1993). Como consultora de literatura, atua desde 1998 na Editora Dimensão, e colabora, também como consultora, em projetos RONA desde 2015, tendo criado vários projetos de edição de livros para crianças e jovens, que selecionava e editava. Nas três Casas, fez a seleção e publicou livros traduzidos do Espanhol, do Francês e do Inglês. Nessa função, teve a oportunidade de revelar talentos, como Ana Raquel, Marilda Castanha, Paulo Bernardo, Flávio Fargas, e publicar grandes nomes, como Orígenes Lessa, Bartolomeu Campos de Queirós, Joel Rufino dos Santos, Elvira Vigna, Sylvia Orthof, Mirna Pinsky, Angela Lago, além de obras de dois acadêmicos da AML, Angelo Machado e Luís Giffoni. Por duas vezes, integrou o júri do Prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da Literatura Infanto-juvenil.
Em 1990, foi convidada por Berenice Menegale, então Secretária de Cultura de BH, para criar o projeto e ser a primeira diretora da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, função que deixou, quando assumiu a Secretaria de Cultura, a convite do prefeito eleito, Patrus Ananias de Souza. No seu mandato, foi criado, por exemplo, o projeto do Teatro Internacional de Palco e de Rua, com primeira edição em 1994. Foi também Presidente da Fundação Municipal de Cultura, que substituiu a antiga Secretaria, no governo do Prefeito Fernando Pimentel.
Antonieta Cunha desenvolveu o projeto e organizou todos os volumes da coleção “Crônicas para Jovens”, da Editora Global, dos autores Ignácio Loyola Brandão, Marcos Rey, Affonso Romano de Sant’Anna, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Marina Colasanti, Rubem Braga e Ferreira Gullar. Na mesma coleção, realizou uma alentada entrevista com todos os cronistas então vivos: Loyola, Affonso Romano, Marina Colasanti e Ferreira Gullar.
Como consultora do MEC/FUNDESCOLA, coordenou a área de Linguagem e Língua Portuguesa de projetos de criação de material didático para cursos de formação continuada na modalidade Educação a Distância (PROFORMAÇÃO e GESTAR 1 E 2), para os quais também elaborou vários capítulos.
Também na área editorial, participou da coordenação geral, coordenou a área de Linguagem e criou capítulos dos manuais didáticos de Linguagem do Curso de Formação de Professores VEREDAS, da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais. Elaborou inúmeros trabalhos de orientação de leitura de obras literárias de diversos autores, como Millôr Fernandes, Orígenes Lessa, Carlos Eduardo Novaes (Nórdica), Bartolomeu Campos de Queirós, Flávia Savary, Leo Cunha, Cláudio Martins, Branca de Paula (Miguilim, Dimensão e Moderna), Luiz Fernando Emediato, Roberto Drummond, Carlos Herculano Lopes (Geração Editorial), Mirna Pinsky (RONA).
Igualmente relevante foi sua participação, como palestrante e em comissões, no Brasil e no exterior, tendo atuado, como palestrante e conferencista convidada, praticamente em todo o território nacional e em vários eventos internacionais, como em Bolonha (Itália), Paris (França), Buenos Aires e Córdoba (Argentina), Salto (Uruguai), San José (Costa Rica), Havana (Cuba), Póvoa de Varzim (Portugal).
Participou, em 1993, na comissão do IBBY (International Board on Books for Youth) , da avaliação do trabalho de ilustradores para compor a exposição da Feira de Livros para Crianças de Bolonha, e, por duas vezes (1994 e 1996), como representante do Brasil, no júri do IBBY do Prêmio Hans Christian Andersen, de premiação de Literatura e de Ilustração de obras para crianças.
Antonieta Cunha exerceu importantes cargos em entidades e no poder público: de 1970 a 1980, exerceu diversas funções na Faculdade de Letras da UFMG, como membro da Congregação, do Colegiado da Graduação e da Pós- Graduação, do Núcleo de Assessoramento à Pesquisa, e foi Coordenadora do Centro de Extensão; de 1991 a 1994, foi Presidente da Câmara Mineira do Livro; de 1992 a 1994, foi Membro do Conselho Diretor da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ); de 1993 a 1996, foi Secretária Municipal de Cultura de Belo Horizonte; em 1991 e 1992, foi Diretora da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil da Prefeitura de Belo Horizonte; de 2005 a 2008, foi Presidente da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte; em 2010 e 2011, foi Consultora da Fundação Biblioteca Nacional, e, em 2012 e 2013 foi Diretora do Livro e da Biblioteca, no MINC/Biblioteca Nacional.
Antonieta Cunha criou e executou inúmeros projetos ligados à leitura e à literatura, destacando-se: de 1979 a 1993, foi responsável pela criação e direção cultural da Casa de Leitura e Livraria Miguilim; de 1980 a 1993, pela criação, direção cultural e editorial da Editora Miguilim, com a publicação de mais de 100 obras de literatura infantil e juvenil; de 1980 a 1984, pela criação e coordenação do Projeto Fazendo Arte em Creches e Asilos (FUNARTE); em 1990/91, pela elaboração e execução da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte - BPIJBH; de 1996-2001, pelo Planejamento e Coordenação do projeto Cantinhos de Leitura, de aquisição de livros de literatura para o Ensino Fundamental das escolas públicas estaduais de Minas Gerais, e do projeto Bibliotecas Escolares, de aquisição de livros para a composição de acervo das escolas públicas estaduais de Minas Gerais.
Atuou também em diversos cursos e encontros: Seminário de Literatura Infantil - Festival de Inverno (1975); I Encontro de Professores de Comunicação e Expressão de BH - FALE/UFMG (1976); Semana de Literatura Infantil - FALE/UFMG (1976)Seminário de Literatura Infantil - Escola de Biblioteconomia da UFMG (1976); Debate internacional de Literatura Infantil - FALE/UFMG (1977); Coordenação dos Cursos não-formais de Redação - FALE/UFMG (1975-1978); Curso de Especialização em Língua Portuguesa da UNIR (Porto Velho) (1978-1989); Membro da Comissão Organizadora do Seminário Latino-Americano de Literatura Infantil, na Bienal de São Paulo (1978-1986); Curso de Especialização em Literatura Infantil e Juvenil - PREPES/PUC-MG (1990-1994); Curso de Especialização em Arte-Educação - PREPES/PUC-MG (1992-1996); Seminário de Leitura - Secretaria Municipal de Cultura e Câmara Mineira do Livro - Belo Horizonte (1990); Encontro Internacional de Leitura - Secretaria Municipal de Cultura e Câmara Mineira do Livro - Belo Horizonte (1992); Curadora da Feira do Livro em Belo Horizonte (2010); desde 2014: é Curadora da Feira do Livro de Joinville, SC.
Antonieta Cunha teve importante participação na criação de cursos e em reformas do ensino em Minas Gerais, destacando-se: elaboração de anteprojeto de reformulação dos Cursos de Licenciatura na área de Comunicação e Expressão da UFMG (1972); representante da UFMG no Seminário sobre a Responsabilidade da Universidade na Formação de Professores de 1º e 2º Graus (Ensinos Fundamental e Médio) (1972); Presidência da Comissão para complementação. de currículos - FALE/UFMG (1971); Programa de Português e Literatura do Curso Normal de Minas Gerais (1963); Programa de Francês do Curso Normal de Minas Gerais (1963); Programa de Linguagem do Ensino ""Primário"" de Minas Gerais (1964); Programa de Enriquecimento de Currículos para alunos bem dotados da 5ª a 8ª séries (1976).
Como autora, publicou cerca de 20 livros, entre teóricos e didáticos, e alguns como tradutora, do inglês, francês e espanhol: Ler e redigir. Belo Horizonte: Editora Bernardo Álvares, 1967; Como ensinar literatura infantil. Belo Horizonte: Ed. Bernardo Álvares, 1968; O discurso indireto livre em Carlos Drummond de Andrade. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1971 (tese de doutoramento); A comicidade em Maria Clara Machado. Belo Horizonte: Ed. Bernardo Álvares, 1971; A poesia na escola. São Paulo: Discubra, 1976; Ensinando Comunicação em Língua Portuguesa de 1º Grau: Sugestões Metodológicas - 5ª a 8ª séries. MEC/DEF/UFMG: Fename, 1979 (parceria, coord: Magda Soares); O ensino de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no 2º Grau: Sugestões Metodológicas. MEC/DEM/UFMG: 1980 (parceria, coord: Magda Soares); Nos domínios da linguagem (com Orlando Bianchini). São Paulo: FTD, 1980. (4 vols); Literatura infantil: a procura do leitor. Belo Horizonte, FAE, 1986 (tese de Mestrado); O domínio da linguagem. (com Orlando Bianchini) São Paulo: FTD, 1987 (4 vols.); Literatura Infantil - teoria e prática São Paulo: Ática, 1983. (13ª ed.); Ler e Redigir. (4 vols.) São Paulo: Atual, 1990; Mergulhando no texto literário. (2 vols.) Belo Horizonte: SEED-MG, 2002; Poesia para crianças: conceitos, tendências e práticas. Curitiba: Positivo, 2013 (2 capítulos).
Além dessas obras, publicou as seguintes traduções e adaptações: Os olhos do cão siberiano, de Antonio Santa Ana. BH: Dimensão, 2012. (Prêmio de Melhor Tradução para Jovens, da FNLIJ); Temos de encontrar o Froggy, de Beti Rozen. Belo Horizonte: Dimensão, 2016; Meus Monstros, de Lemniscates. Belo Horizonte: Dimensão, 2015; Boa noite, Coruja!, de Lemniscates. Belo Horizonte: RONA, 2016; Leiturão - na trilha da leitura (Adaptação do livro argentino ""El Lecturón""). São Paulo: Tatu Editorial/Ática, 1993.
Publicou também obras para orientação de leitura: Um rosto perdido, de Orígenes Lessa. Belo Horizonte: Comunicação, 1978; Uma ideia toda azul, de Marina Colasanti. Rio de Janeiro: Nórdica, 1979; A língua de fora, de Carlos Eduardo Novaes. Rio de Janeiro, Nórdica, 1979; O escritor proibido, de Orígenes Lessa. Rio de Janeiro: Nórdica, 1979; Novas fábulas fabulosas, de Millôr Fernandes. Rio de Janeiro: Nórdica, 1980; Rua do Sol, de Orígenes Lessa. Rio de Janeiro: Nórdica, 1980; Tô pedindo trabalho, de Terezinha Alvarenga. Belo Horizonte: Miguilim, 1980; Correspondência, de Bartolomeu Campos Queirós: Governo do Estado de Minas Gerais, 1984; Coleção “História muda?” (3 títulos), de Cláudio Martins. Belo Horizonte: Dimensão, 2004; Contos degringolados, de Leo Cunha. Belo Horizonte: Dimensão, 2005; Caí do ninho!, de Cecília Cavalieri. Belo Horizonte: RONA, 2018; Meu nome é Fogo, de Hugo de Almeida. Belo Horizonte: Dimensão, 2018; As cores do arco-íris, de Nara Vidal. Belo Horizonte: Dimensão, 2018; O vestido, de Carlos Herculano Lopes. São Paulo: Geração, 2020; A grande ilusão, de Luiz Fernando Emediato. São Paulo: Geração, 2021; Dia de São Nunca à tarde, de Roberto Drummond. São Paulo: Geração, 1021; Toda vez, de Mirna Pinsky. Belo Horizonte: RONA, 2021.
Além disso, escreveu mais de 50 artigos para jornais e capítulos para livros e revistas especializadas em Leitura e Literatura, entre os quais: Uma lacuna no estudo da literatura. Rio de Janeiro. FNLIJ, 1970; A poesia, essa desprestigiada. BH. Minas Gerais (Supl. Pedagógico). Jul/1974; Alguns problemas da literatura infantil (ou por que nossos alunos não leem). BH: Minas Gerais (Suplemento Pedagógico), Abr/1975; O teatro na escola. BH: Minas Gerais (Suplemento Pedagógico), Abr/1975; Reconstituição de texto. AMAEducando, BH, jul/1975; A linguagem na literatura infantil. Revista do Conselho Estadual de Cultura de Minas Gerais, nº 8; A produção poética para crianças no Brasil. Rev. de Letras da PUC/Rio; A exploração da literatura na escola, ou A tortura feita com sutileza. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1979; Exploração da leitura: imposição ou opção?. Minas Gerais (Suplemento Pedagógico), Jul/1979; Depoimento dos autores. Minas Gerais. (Suplemento Pedagógico), Jul/1979; Leitura - questão (sempre) emergente. Minas Gerais (Suplemento Literário), BH, 1981; A obra infantil de Graciliano Ramos. FNLIJ, nº 60, 1985; A inovação linguística na obra de Lygia Bojunga Nunes. In: Literatura infantil: um gênero polêmico. Petrópolis, Vozes, 1984; Biblioteca Infantil. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG. 1984; Revisitando Elvira Vigna. Releitura. nº 2. BH, Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, 1992; Elza Beatriz: o poeta em vigília. Releitura nº 4. Belo Horizonte, BPIJBH, 1992; Quando o professor erra. Fazendo Artes nº 4. Rio de Janeiro, FUNARTE, 1984; Artigos semanais no Estado de Minas, de jan/79 a jun/80.
Antonieta Cunha escreveu, também, Programas de Ensino para o sistema educacional de Minas Gerais: Programa de Português e Literatura para o Curso Normal, in: Revista de Ensino, da Secretaria de Estado da Educação de MG. 1964; Programa de Francês para o Curso Normal, in: Revista de Ensino, da Secretaria de Estado da Educação de MG. 1964; Currículo e Programas dos Cursos de Licenciatura em Comunicação e Expressão. Publicação da UFMG, Belo Horizonte, 1972; Programa de enriquecimento de currículo para alunos bem-dotados da 5ª a 8ª séries. Comunicação e Expressão. MEC, Belo Horizonte, 1976; Programa de enriquecimento de currículo para alunos bem-dotados da 5ª a 8ª séries. Manual de orientação para supervisores, orientadores e professores de alunos bem-dotados. MEC, Belo Horizonte, 1976.
Sua atuação tão diversificada está registrada nos dizeres de algumas medalhas que recebeu. Da Câmara Mineira do Livro: “O reconhecimento e a gratidão da comunidade livreira pela incansável luta e dedicação de uma vida à causa do livro e da literatura.” (13 de maio de 2012); do Instituto Cultural Aletria: “Por sua valiosa contribuição no trabalho de difusão e valorização da arte de contar histórias nas Escolas e Bibliotecas de Minas Gerais.” ( 20 de março de 2010); do Centro Mineiro de Danças Clássicas: “Nossa homenagem à Secretaria Municipal de Cultura de Minas Gerais, na pessoa da Sra. Antonieta Antunes Cunha, pelo apoio cultural, por acreditar no desenvolvimento artístico, incentivando a formação do ser humano em se tornar cada vez mais digno de confiança e admiração.” (28/12/96).
Antonieta Cunha ocupa a cadeira nº 9 da Academia Mineira de Letras, para a qual foi eleita em 12 de julho de 2023 e tomou posse em 09 de agosto de 2023.



