Miniatura

Acadêmico
Anibal Matos
Número de Cadeira
37 Patrono: Basílio Furtado
Data de Posse
15 de setembro de 1923
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escritor, pintor e paleontólogo Aníbal Pinto de Mattos nasceu no Arraial do Comércio, em Vassouras, província do Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1886, filho de José Francisco de Lima Matos e de Adelaide Pinto Matos.
Cursou seus estudos primários em Icaraí, Niterói, e frequentou o curso secundário no Mosteiro de São Bento e no Colégio D. Pedro II. Realizou seus primeiros estudos de desenho no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro e, posteriormente, estudou na Escola Nacional de Belas Artes na mesma cidade.
Em 1910, aos 24 anos de idade, ainda como aluno da instituição, conquistou Medalha de Ouro e classificação para o prêmio de viagem ao estrangeiro no Salão Nacional do Rio de Janeiro, mas abriu mão do prêmio para outro pintor, preferindo se casar. Em 1910, Aníbal Mattos casou-se com a sabarense Maria Ester de Almeida, com quem teve oito filhos, dentre os quais o pintor modernista Haroldo Matos e a pintora decorativa Maria Ester Matos, bem como dois dos seus bisnetos, Raquel Versieux e Leonardo Versieux.
Em 1912, mais tarde, já dedicado profissionalmente à Pintura, ganhou a Grande Medalha de Ouro. Em 1914, fixou residência em Belo Horizonte a convite de Bias Fortes para ocupar o cargo de professor da Escola Modelo que encerrou em 1944. Na capital mineira, logo produziu sua primeira exposição individual e vendeu quase todos os quadros, como comprovado nas matérias do jornal Diário de Minas.
Em 1916, Aníbal Mattos pintou uma de suas obras mais antigas e conhecidas, Paisagem com carro de bois, com imagens pastoris e montanhescas de Minas Gerais. Além de professor da Escola Modelo, trabalhou na Escola Prática de Belas Artes. Durante as décadas seguintes, dominou, com sua personalidade produtiva e inquieta, o pacato cenário das artes mineiras. Possuía uma sólida formação em arte acadêmica e observou, com cautela, os avanços do Modernismo em Minas Gerais.
Em 1918, fundou a Sociedade Mineira de Belas Artes onde se realizavam exposições de arte na capital mineira. A Sociedade promoveu também 45 exposições de artistas mineiros, cariocas e paulistas, inclusive a primeira mostra de arte moderna em Minas, a exposição de Zina Aita, assim como, seguidamente durante 15 anos, realizou 15 Exposições Gerais de Belas Artes sem o auxílio do governo.
Durante sua vida acadêmica, representou sua escola no Congresso Internacional de Estudantes realizado em Lima, Peru, como orador oficial da sessão solene de encerramento, na Universidad Mayor de San Marcos. Na ocasião, recebeu o título de Sócio Honorário da Sociedade Geográfica e da Sociedade Acadêmica de Lima.
Ainda como acadêmico trabalhou na redação de A Cidade do Rio, de José do Patrocínio, no Gazeta de Notícias e na Imprensa, de Alcindo Guanabara, e foi colaborador de outros jornais cariocas. Com seu amigo Lafayette Cortes, fundou, posteriormente, a Revista do Brasil e o semanário Folha Moderna.
Também no Rio de Janeiro, foi professor de Desenho no Liceu de Artes e Ofícios, fundou e foi professor do curso de Desenho anexo à Escola Remington, e secretário particular de seu antigo mestre Barão Homem de Melo.
Em 1923, foi eleito para a Academia Mineira de Letras como sucessor do fundador Olímpio Rodrigues de Araújo, na cadeira nº 37, patrocinada por Manuel Basílio Furtado. Foi secretário da Instituição em vários biênios, e presidiu a casa de 1931 a 1942. Ainda em 1923, conquistou o primeiro prêmio em concurso comemorativo do Centenário da Independência, no Rio de Janeiro, com a peça Bárbara Heliodora.
Em 1934, fundou a Escola de Arquitetura, da qual foi várias vezes Diretor, além de professor de Desenho, Arquitetura Analítica e Filosofia da Arquitetura e na Escola de Belas Artes de Minas Gerais, que em 1949, federalizou-se e foi incorporada à Universidade de Minas Gerais. Organizou, na Escola de Belas Artes, o Centro Artístico Juventas. Atuou como fundador da Biblioteca Mineira de Cultura, cuja direção das Edições Apollo publicou cerca de 40 obras. Fundou ainda o Centro de Proteção do Patrimônio Histórico e Artístico Mineiro e, com José Osvaldo de Araújo, a revista Novela Mineira.
Ainda em 1934, recebeu da Academia Brasileira de Letras Menção Honrosa pela peça Almas Solitárias. Realizou também 30 exposições individuais de pintura, na capital, e 15 em cidades do interior do Estado, onde, ao mesmo tempo, ministrou cursos gratuitos de artes plásticas.
Participante, desde então, das mais importantes iniciativas culturais do Estado, em Belo Horizonte, trabalhou, durante vários anos, no antigo Diário de Minas, para o qual escrevia crônicas e fazia crítica teatral e de belas-artes. Foi, por outro lado, membro dos Institutos Históricos e Geográficos de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Pará; da Academia de Ciências e Letras do Rio Grande do Sul e do Centro de Letras e Artes de Campinas, São Paulo; presidiu a Sociedade Brasileira de Estudo Pan-Americanos e o Conselho Nacional de Belas-Artes.
Aníbal Mattos deixou publicados 20 livros e estudos sobre paleontologia, 25 sobre História da Arte, 17 contendo ensaios, biografias, normas de ensino e até de criação de canários, além de 35 peças de teatro, novelas e poemas. O poeta faleceu em Belo Horizonte, em 26 de junho de 1969.
Recebeu muitas condecorações e Menções Honrosas, tais como o primeiro lugar no concurso aberto de peças históricas, com a peça Bárbara Heliodora, promovido pela empresa José Loureiro, do Rio de Janeiro, em 1914; Medalha de Prata, em 1916; Medalha de Bronze, em 1925; Grande Medalha de Prata, em 1926; condecorado pelo governo italiano com a Cruz da Cavalaria da Coroa por sua peça teatral Anita Garibaldi, em 1933, 1934 e 1935; Medalha de Bronze comemorativa do centenário de nascimento de João Pinheiro, no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, em 1960; Título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte, em 1965, e, em 1967, o diploma de Honra ao Mérito pelos relevantes serviços prestados à cidade de Belo Horizonte em prol do seu desenvolvimento artístico.
Foi autor de numerosa obra, destacadamente, Das origens da arte brasileira e As artes do desenho no Brasil, de 1934; O Sábio Dr. Lund e a Pré-história Americana, de 1933; Dois artistas do período colonial brasileiro: Mestre Valentim e Outros Estudos, de 1934; Estudos e apontamentos sobre José de Anchieta, de 1934; Monumentos Históricos, Artísticos e Religiosos de Minas Gerais, de 1935; Arte Colonial Brasileira, O sábio Doutor Lund e a pré-história americana, As artes nas igrejas de Minas Gerais e História da arte brasileira, todas de 1936; Das Origens da Arte Brasileira e O Barão Homem de Melo perante a história, de 1937; Pré-história Brasileira, de 1938; Peter Wilhelm Lund no Brasil e A raça de Lagoa Santa de 1941; Arqueologia de Belo Horizonte, de 1947; O Homem das Cavernas em Minas Gerais, de 1961, entre outras.



