Miniatura

Acadêmico
Alphonsus de Guimaraens
Número de Cadeira
03 Patrono: Aureliano Lessa
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Affonso Henriques da Costa Guimarães, filho de Albino da Costa Guimarães e de Francisca de Paula Guimarães Alvim, nasceu em 24 de julho de 1870, em Ouro Preto (MG), e faleceu em 15 de julho de 1921, em Mariana (MG).
Entre 1882 e 1886, estudou no Liceu Mineiro de Ouro Preto, onde conheceu e fez amizade com José Severiano de Rezende. Em seguida, ainda na cidade natal, ingressou no curso de Engenharia da Escola de Minas, porém, não concluiu sua formação. Pouco depois, em 1891, entrou para a Faculdade de Direito de São Paulo (posteriormente incorporada à USP). Em 1893, transferiu-se para a Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais, recém-fundada em Ouro Preto, finalizando o curso de Ciências Jurídicas em meados de 1894. Retornou, então, para a Faculdade de Direito de São Paulo a fim de obter o título de bacharel em Ciências Sociais, o qual foi conquistado no início de 1895.
Na sequência, atuou na comarca de Conceição (atual Conceição do Mato Dentro), primeiro como promotor e depois como juiz substituto, de 1895 a 1903, e novamente como promotor, de 1904 a 1906. Daí em diante, exerceu o cargo de juiz municipal em Mariana, até 1921.
Colaborou em dezenas de periódicos de vários estados brasileiros, sobretudo na região sudeste. Em Minas Gerais, contabilizam-se pelo menos dezenove títulos, publicados em doze municípios diferentes, a saber: A Vida de Minas, Diário de Minas, Horus, Lótus, Revista Mineira e Vita, de Belo Horizonte; A Evolução, de Caldas; Conceição do Serro, de Conceição – no qual se destacou como redator e diretor do hebdomadário; O Curvelano, de Curvelo; A Verdade, de Itajubá; Jornal do Commercio e O Pharol, de Juiz de Fora; O Alfinete e O Germinal, de Mariana; Almanack Administrativo, Mercantil, Industrial, Scientífico e Litterario, de Ouro Preto; Almanach de Passos, de Passos; Cidade do Patrocínio, de Patrocínio; O Sulmineiro, de Pouso Alegre; e, finalmente, Almanach Uberabense, de Uberaba.
A esses, somam-se dez títulos fluminenses, majoritariamente publicados na capital, quais sejam: A Illustração Brazileira, Fon-Fon, Gazeta de Notícias, O Imparcial, Oráculo, Revista Brasileira, Rio-Revista, Rosa-Cruz e Rua do Ouvidor, do Rio de Janeiro; e O Vassourense, de Vassouras. Os títulos paulistas, em número de sete, são os seguintes: A Cigarra, A Gazeta, Correio Paulistano, O Cenáculo, O Estado de S. Paulo, O Mercantil e O Pirralho, todos de São Paulo. Encerram esta diversificada e extensa lista de colaborações, à guisa de exemplo, outros cinco títulos, publicados respectivamente nas capitais dos estados da Bahia, de Pernambuco, do Espírito Santo, do Paraná e do Rio Grande do Norte: Gazeta de Notícias, Jornal do Recife, Commercio do Espírito Santo, Diário da Tarde e Diário do Natal.
No transcurso de sua prolífica vida literária, criou inúmeros pseudônimos – utilizados, em grande parte, nos quarenta e cinco exemplares de Conceição do Serro, que circulou entre 20 de março de 1904 e 12 de fevereiro de 1905 –, dentre os quais: “A. de G.”, “A. Greatman”, “Aff. Guimarães”, “Alfonso Guy”, “Alphonsus de Guimaraens”, “Alphonsus de Guymar”, “Alphonsus de Vimaraens”, “Alphonsus do Castelo Vimaraens”, “Antoine de Grandeuil”, “Beija-Flor”, “Bento de Oliveira”, “Catimbau”, “Circumspecto”, “Dandico”, “Dom Alphonsus”, “Dom Fuas”, “Duinhas”, “Fulippa”, “Gin”, “Guy”, “Guy d’Alvim”, “Hidalgo”, “João Carrilho”, “João das Selvas”, “João Ventania”, “Joaquim Araújo”, “José Marques”, “José Pereira”, “Jovelino Gomes”, “Juan de Matamores”, “Kirch”, “Kirch Wasser”, “Lady Beer”, “Lys Boa”, “M. Matias”, “Miss”, “Old-Tom”, “Procópio Pitanga”, “Punch”, “Punch and Gin”, “Quatrigerebas”, “Raimundo Manecas”, “Ritter Brau”, “Vicomte de Grandeuil”, “Whisky” e “Zé Candinho”.
Foi eleito para a Academia Mineira de Letras em 25 de dezembro de 1909, quando da fundação da entidade em Juiz de Fora. Tornou-se o patrono-mor da instituição, amiúde cognominada Casa de Alphonsus de Guimaraens. Nas palavras de Carmen Schneider Guimarães, em palestra proferida na Universidade Livre em 19 de março de 2009: “Sem que se percebesse, seu nome se ajustou ao patamar mais alto, tendo sido louvado por aprovação unânime. Patrono – o que protege espiritualmente, apadrinha. Patrono – advogado de suas causas intelectuais, desde que invocado no misticismo da palavra; patrocinador deste sodalício, convocado pelos méritos valiosos de sua magnífica obra, a fim de que dela se valham os acadêmicos para deleite e aprendizado. Patrono – que é exemplo e enobrece.”
Publicou, em vida, as obras que se seguem: Câmara Ardente (1899); Dona Mística (1899); Setenário das Dores de Nossa Senhora (1899); Kiriale (1902); Mendigos (1920); e Pauvre Lyre (1921). As publicações post mortem são: Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte (1923); Poesias (1938); Obra Completa (1960); e Poesia Completa (2001). Cabe sublinhar o protagonismo de seus filhos João Alphonsus e Alphonsus de Guimaraens Filho no processo de resgate e edição dos volumes póstumos.
Sua escrita epistolar foi reunida por Alexei Bueno no livro Correspondência de Alphonsus de Guimaraens (2002), que inclui tanto as cartas expedidas quanto as recebidas por meio das quais manteve contato com amigos, familiares e intelectuais, tais como: Adolfo Campos de Araújo, Archangelus de Guimaraens, Belmiro Braga, dom Silvério Gomes Pimenta, Joaquim Soares Maciel Júnior e José de Freitas Valle.
A casa onde viveu com a família entre 1913 e 1921, situada à rua Direita, em Mariana, foi transformada em museu pelo governo do estado de Minas Gerais. Inaugurado em 7 de março de 1987, o espaço promove ações expositivas e educativas a partir de um fascinante acervo composto por móveis, livros, fotografias, pinturas, textos manuscritos e objetos pessoais.



