Miniatura

Acadêmico
Aires da Mata
Número de Cadeira
33 Patrono: Edgard Matta
Data de Posse
02 de outubro de 1938
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Filólogo, escritor, professor e folclorista Aires da Mata Machado Filho, nasceu em São João da Chapada, distrito de Diamantina, Minas Gerais, em 24 de fevereiro de 1909. Filho do professor Augusto Aires da Mata Machado e de Mariana Flora Godoy da Mata Machado, descende de importante família de políticos e escritores, como o poeta simbolista Edgar Mata. Casou-se com Maria Solange Mourão de Miranda.
Aires da Mata Machado Filho foi deficiente visual e como agravamento de sua deficiência, foi para o Rio de Janeiro e estudou o ensino secundário no Instituto Benjamin Constant, onde cursou Humanidades, Música e ainda aprendeu o Método Braille. Iniciou sua carreira de professor muito cedo, em 1928, ministrou aulas particulares de Português e ingressou como professor dos cursos primário e secundário, no Instituto de Cegos São Rafael, que ajudou a fundar. Aires Filho permaneceu no cargo até 1948.
Ainda em 1928, foi redator do Minas Gerais, produziu, por 30 anos, programas para a rádio Guarani e rádio Inconfidência, foi também redator do Suplemento Literário. Foi nessa época que iniciou suas pesquisas folclóricas, quando passava férias em sua terra natal, e dois ou três anos de estudos e leituras, em meados dos anos 1930, resultaram na obra O negro e o garimpo em Minas.
Em 1929, dedicou-se aos estudos filológicos e folclóricos, ao mesmo tempo em que iniciou sua atividade jornalística, e publicou vários trabalhos no órgão oficial do Estado, o Minas Gerais, que recebeu seu primeiro artigo. Daí em diante, passou a colaborar em muitos jornais e revistas de Belo Horizonte, do Rio de Janeiro e de São Paulo, e figurou entre os fundadores de O Diário e da Folha de Minas. Por vários anos assinou no Estado de Minas a coluna semanal Escrever Certo.
Posteriormente, em 1931, publicou Educação dos cegos no Brasil, em Belo Horizonte, pela Os amigos do Livro. Essa obra revelou sua grande preocupação ao longo da vida. Em 1938, ministrou curso particular de ortografia, por designação do governo Estadual, para professores e funcionários públicos.
Em 1938, foi eleito para a Academia Mineira de Letras, ocupando a cadeira nº33, como sucessor de Mário Antônio de Magalhães Gomes, fundador, patrocinada por Edgar de Godoy da Mata Machado, seu irmão. Em 1939, desde a fundação da Faculdade de Filosofia da Universidade Minas Gerais, conquistou o título de Doutor em Filologia Românica, e da qual foi catedrático, ocupando depois a cátedra da Faculdade de Letras da UFMG, cargo em que se aposentou, em 1979.
Em 1939, o texto O negro e o garimpo em Minas foi publicado pela Revista do Arquivo Municipal de São Paulo e o livro lançado, em 1943, pela Livraria José Olympio. A aceitação do trabalho foi tão grande no meio intelectual que, logo em 1945, foi agraciado com o Prêmio João Ribeiro da Academia Brasileira de Letras, destinado a trabalhos de “crítica, história literária, filologia e etnografia”.
Em 1943, foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Maria, mais tarde incorporada à Universidade Católica de Minas Gerais, onde lecionou Língua Portuguesa. Ministrou conferências sobre Linguística Geral e Literatura em cursos de extensão universitária entre 1943 e 1944; foi também chefe do serviço de redação do Conselho Administrativo do Estado de 1943 a 1946 e, em seguida, redator de debates no mesmo órgão, até sua extinção.
De março de 1947 a julho de 1948, foi professor no Curso de Formação de Professores do Instituto de Educação de Minas Gerais. Entre 1948 e 1951 foi, ainda, professor nos cursos de Folclore Aplicado à Educação, ministrados a professores rurais na Fazenda do Rosário, e atuou como Chefe do Serviço de Orientação Técnica de Ensino de Língua Portuguesa da Secretaria Estadual de Educação, no período de 1948 a 1951.
Promoveu, igualmente, concursos de redação em estabelecimentos de ensino de 2° grau e publicou orientações ao magistério quanto ao conteúdo e à metodologia da Língua Portuguesa. Em 1967, com a colaboração de Eduardo Sucupira Filho, publicou o Dicionário didático e popular da Língua Portuguesa. Em 1968, foi eleito Diretor e nomeado Professor de Língua Portuguesa e de Linguística Geral da Faculdade de Filosofia da Universidade do Vale do Jequitinhonha, em Diamantina.
Nessa universidade como em outros centros de ensino superior do Rio de Janeiro e de São Paulo, integrou comissões examinadoras para concursos de cátedra ou livre-docência de Filologia Românica, Língua e Literatura Portuguesa, Espanhola, Francesa, Italiana e Inglesa. Literatura Brasileira, Literatura Hispano-Americana e Literatura Anglo-Americana.
Aires Filho foi membro das congregações do Colégio Municipal e do Colégio Estadual de Belo Horizonte e da equipe do Centro Regional de Pesquisas Pedagógicas de Minas Gerais; da Comissão Mineira de Folclore (CMFL) desde sua fundação em 1948 até 1980. Em 1963, foi Oficial-de-Gabinete do Secretário do Interior, Mário Casasanta; Assessor Técnico do Secretário da Educação, Heráclito Mourão de Miranda, de 1970 a 1971; Vice-Presidente do Conselho Estadual de Cultura; Secretário-Geral da Comissão Mineira de Folclore e membro do Conselho Nacional de Folclore, do extinto Conselho de Cultura Popular e do Conselho de Assistência aos Cegos.
Aires foi membro, também do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, da Academia Carioca de Letras e da Sociedade Brasileira de Folclore. Aposentou-se como redator do Minas Gerais, em cuja redação foi encarregado, sucessivamente, da página Pelo Ensino da rubrica Livros Novos, e dos editoriais da Comissão de Redação do Suplemento Literário.
Recebeu honrarias e condecorações, tais como a Grande Medalha da Inconfidência, em 1980, e a Comenda do Infante Dom Henrique, de Portugal. Em 1981 recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Traduziu os seguintes livros: Psicologia da criança e pedagogia experimental, da Ed. Claparede; Stalin, czar de todas as Rússias, De Eugene Lyons; A cidade e o mundo moderno, de A. N. Whiterhead; Para formar o caráter, de Fr. W. Foster, e O homem e as línguas, de Frederick Bodner. Aires da Mata faleceu em um acidente de carro em Sete Lagoas, aos 76 anos, em 1985.
Publicou as obras: Escrever certo (primeira série), Belo Horizonte, pela Os Amigos do Livro, em 1935; Escrever certo (segunda série), Rio de Janeiro, pela Ed. ABC, em 1938; Ortografia oficial, Belo Horizonte, pela Edições Mensagem, em 1938, com mais de seis edições; Problemas da Língua, Belo Horizonte, pela Liv. Rev, em 1941; O negro e o garimpo em Minas Gerais, Rio de Janeiro, José Olympio, em 1943 (Prêmio João Ribeiro, da ABL, 1944), 2ª ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, em 1964; O arraial do Tijuco: cidade Diamantina, Rio de Janeiro, pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1945, 2ª ed. São Paulo, pela Ed. Martins, em 1957; Araxá (com Sebastião de Affonseca e Silva), Belo Horizonte, pela Imprensa Oficial, em 1946; Em busca do termo próprio, Rio de Janeiro, pela Agir, em 1947, 3ª ed., Nos domínios do vocabulário, em São Paulo, pela Boa Leitura, em 1966; História de Castro Alves (para crianças), Belo Horizonte, pela Edições Rocha, em 1947; Tiradentes, herói humano, Belo Horizonte, Edição Siderosiana, em 1948; Português e literatura, Belo Horizonte, Ed. Minas Gerais, em 1950, 3ª ed. Belo Horizonte, ed. do Autor, em 1960; Curso de folclore, Rio de Janeiro, Livros de Portugal, em 1951; A correção na frase, Rio de Janeiro, Organização Simões, em 1953; Análise, concordância, regência, São Paulo, Boa Leitura, em 1966; Crítica de estilos, Rio de Janeiro, Agir, em 1956 (Prêmio Cidade de Belo Horizonte); Falar, ler e escrever, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, também em 1956; Camões (épico), Rio de Janeiro, Agir, em 1957; Ideias e poesias, Belo Horizonte, ed. do Autor, em 1960; Pequena história da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro, MEC, em 1961; Português fora das gramáticas, Belo Horizonte, Edição Siderosiana, em 1964; Aventuras de um caçador de palavras, Rio de Janeiro, Liv. Acadêmica, em 1965; O enigma do Aleijadinho e outros estudos mineiros, Rio de Janeiro, José Olympio, em 1975; Função da literatura infantil, do volume Ensaios sobre literatura infantil, Belo Horizonte, Secretaria de Estado de Educação, em 1980; O caso de Helen Keller, em 1981.



