Miniatura

Acadêmico
Agripa Vasconcelos
Número de Cadeira
03 Patrono: Aureliano Lessa
Data de Posse
11 de maio de 1923
Posição na Cadeira
2° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Agripa Ulysses de Vasconcellos, filho de Ulysses Gabriel de Castro Vasconcellos e Orminda Guimarães de Vasconcellos, nasceu em 12 de abril de 1896, em Santa Luzia (MG), no distrito de Matozinhos – que se emancipou em 1943 –, e faleceu em 21 de janeiro de 1969, em Belo Horizonte (MG). Seus restos mortais repousam no Cemitério do Bonfim, localizado na capital mineira.
Iniciou sua formação escolar em Sete Lagoas, tendo como professores Cândido Maria de Azeredo Coutinho e sua esposa, Josephina Altina Ribeiro Wanderley. Sob a orientação de Caetano de Azeredo Coutinho, deu continuidade aos estudos em Belo Horizonte, para onde se transferiu por volta de 1910. Pouco depois, foi para Juiz de Fora, tendo frequentado as aulas de Brant Horta, Carlos Góes e Mário Magalhães, entre outros, no Colégio Granbery, de 1912 a 1914, aproximadamente.
Em 1915, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Já integrado ao ambiente universitário e gozando de certo prestígio junto aos colegas e mestres, em meados de 1918 compôs a primeira diretoria da Associação dos Acadêmicos Mineiros, na condição de orador oficial, tendo como confrades Benedito Valadares e Octávio Murgel de Rezende, líderes estudantis da Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro.
Ao fim da graduação, defendeu a tese intitulada Estudo Clínico de Aneurismas Arteriovenosos, aprovada com distinção, em 16 de dezembro de 1920. Discursou na cerimônia de colação de grau, como representante de turma. Na ocasião, foi elogiado pelo paraninfo da solenidade, o doutor Miguel Couto, que salientou o talento poético do formando. No transcorrer da sua graduação, publicou poemas na imprensa fluminense, com destaque para a revista Careta.
Recém-formado, transferiu-se para Sete Lagoas, onde fixou residência e passou a exercer a profissão no Hospital Nossa Senhora das Graças, na qualidade de cirurgião-chefe. Nos idos de 1921, participou da fundação da União dos Moços Católicos da cidade e, pouco depois, por volta de 1925, escreveu o hino do Ginásio Dom Silvério, posteriormente musicado por João Fernandino Júnior. Paralelamente, prestou serviços médicos em postos de atendimento da Estrada de Ferro Central do Brasil, de 1923 a 1926. Nessa altura, filiou-se à Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.
Em princípios da década de 1930, filiou-se ao Partido Civilista da Mocidade, de Minas Gerais, tendo sido um dos candidatos a deputado no pleito de 1933 para a Assembleia Nacional Constituinte. Contudo, não obteve os votos necessários para se eleger. É possível que estivesse morando em Belo Horizonte, nessa época.
Após as eleições de 1933, mudou-se para Caratinga, passando a clinicar ao lado do irmão, o doutor Aulus Sevinius de Vasconcellos. Ambos fizeram parte da comissão técnica da Sociedade de Assistência e Isolamento dos Leprosos, criada em 16 de agosto de 1933. Juntos, também, idealizaram, fundaram e dirigiram a Casa de Saúde Santa Helena, inaugurada em novembro de 1933.
Entre 16 de junho de 1936 e 10 de janeiro de 1938, empregou-se no Serviço de Higiene Escolar de Belo Horizonte. Na mesma cidade, coordenou a 2ª Zona Sanitária, de 15 de dezembro de 1946 até meados de 1949, tendo sido nomeado pelo então interventor federal em Minas Gerais, Noraldino Lima.
Depois, em fins da década de 1940, rumou para o estado da Bahia, onde atuou como cirurgião-chefe junto à equipe médica da Companhia Hidroelétrica do São Francisco, em Paulo Afonso. Em 1950, radicou-se em Recife, onde chefiou o serviço médico do Banco do Brasil até se aposentar, em fins de 1964. Nesse ínterim, colaborou no Diário de Pernambuco, publicando poemas, e trabalhou como médico na Fosforita Olinda S. A. – empresa do ramo de fertilizantes que existiu entre 1957 e 1968, aproximadamente.
Foi eleito para a Academia Mineira de Letras em 8 de outubro de 1922 e tomou posse aos 11 de maio de 1923, tendo sido recepcionado pelo acadêmico Carlos Góes. Fez parte da comissão de contas da entidade no biênio 1949-1950. Integrou, também, o Instituto Histórico de Ouro Preto e o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Além disso, foi escolhido para ser o patrono da cadeira 2 da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil; da cadeira 10 da Arcádia de Minas Gerais; e da cadeira 18 do Instituto Histórico e Geográfico de Pompéu. Do mesmo modo, tornou-se o patrono-mor da Academia Matozinhense de Letras, Ciências e Artes.
Suas principais obras são: Silêncio (1920); Láurea (1921); Profilaxia do Paludismo (1924), tese originariamente apresentada no 2º Congresso Brasileiro de Higiene, realizado em Belo Horizonte; De que Morreu Aleijadinho (1930); Suor de Sangue (1948), que recebeu o prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras, em 1949; A Morte do Escoteiro Caio (1951); Sementeira nas Pedras (1959); e As Diabruras da Comadre Raposa (196[3]), obra vencedora do prêmio Monteiro Lobato da Academia Brasileira de Letras, em 1965.
Em separado, destacam-se os romances da coleção intitulada Sagas do País das Gerais: Fome em Canaã - romance do ciclo dos latifúndios (v. 1); Sinhá Braba - romance do ciclo agropecuário (v. 2); A Vida em Flor de Dona Beja - romance do ciclo do povoamento (v. 3); Gongo Sôco - romance do ciclo do ouro (v. 4); Chica que Manda - romance do ciclo dos diamantes (v. 5); Chico Rei - romance do ciclo da escravidão (v. 6); e Ouro Verde e Gado Negro - romance dos ciclos do café e da abolição do cativeiro (v. 7), publicação póstuma. Outras duas obras foram lançadas após o seu falecimento: São Chico - romance do nordeste brasileiro (2004) e Corpo Fechado - lendas e contos (2008). Permanecem inéditos: História Crítica da Cirurgia Brasileira; Humildade Resignada; Vila Rica de Ouro Preto de Marília; Jardim Orvalhado; e Memórias de um Barbeiro Sangrador.

