Miniatura

Acadêmico
Afonso Henriques Neto
Número de Cadeira
27 Patrono: Corrêa de Azevedo
Data de Posse
13 de setembro de 2011
Posição na Cadeira
5º Sucessor
Status
Membro atual
Contato
afonsohenriquesneto@gmail.com
Descrição Biográfica
O poeta, contista, romancista e tradutor Afonso Henriques Neto - cujo nome completo é Afonso Henriques de Guimaraens Neto - nasceu em Belo Horizonte, MG, em 17 de junho de 1944, filho de Himirene Papi de Guimaraens e do poeta Alphonsus de Guimaraens Filho. Fez o curso primário no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, em Belo Horizonte. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1956, em razão de seu pai trabalhar no gabinete do então presidente da República Juscelino Kubitschek. Nesta cidade realizou o curso secundário nos Colégios Anglo Americano e Franco Brasileiro. Seguiu com a família para Brasília em 1961, onde fez vestibular para o curso de Direito em 1962 na primeira turma da recém-criada Universidade de Brasília – UnB. Formou-se em 1966, mas, fora uma rápida estadia em um escritório de advocacia, nunca exerceu de fato a profissão. Em 1965 prestou concurso para a Câmara dos Deputados, onde trabalhou até 1972.
A verdade é que a literatura, principalmente a poesia, foi sempre o apelo mais forte desde o início. A biblioteca do pai poeta se transformou para ele em uma verdadeira universidade de letras. Lia tudo o que mais lhe interessava e passou a escrever com constância, publicando seus trabalhos no Suplemento Literário do jornal Correio Braziliense, da Capital Federal, e depois no Suplemento Literário do Minas Gerais. Suas maiores influências foram, em primeiro lugar, os poetas simbolistas franceses e brasileiros. Depois mergulhou nos modernos, essencialmente em Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes e Jorge de Lima. Dos portugueses, Cesário Verde e Fernando Pessoa se tornaram leituras de vida inteira. Leu também muito os românticos ingleses, principalmente John Keats, entre tantos outros grandes poetas. Admira a poesia greco-latina, tendo traduzido Catulo e Propércio.
Em 1972, muito em razão da ditadura militar que fechava todos os horizontes profissionais e culturais em Brasília, Afonso Henriques Neto deixou a cidade, retornando ao Rio de Janeiro, onde mora até hoje. Naquele mesmo ano de 1972, trabalhou na equipe do professor Antônio Houaiss, na realização da Enciclopédia Mirador Internacional.
Professor concursado do Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense – UFF, desde 1976. Defendeu tese de doutorado na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ em 1998. Trabalhou na Fundação Nacional de Arte – FUNARTE durante o período de 1976 a 2004. É membro da Academia Mineira de Letras, cujo patrono é seu avô, o poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens.
Afonso Henriques Neto publicou os seguintes livros de poesia: O misterioso ladrão de Tenerife (1972; em coautoria com Eudoro Augusto), Restos & estrelas & fraturas (1975), Ossos do paraíso (1981), Tudo nenhum (1985), Avenida Eros (1992), Piano mudo (1992), Abismo com violinos (1995), Eles devem ter visto o caos (1998), A água não envelhece (2001), Cidade vertigem (2005), Uma cerveja no dilúvio (2011), A outra morte de Alberto Caeiro (2015), Cantar de labirinto (2018; segunda edição em 2022), Eixo de abismo [Poesia reunida] (2023) e Nervos de mar (2024).
Ainda na área poética publicou: Ser infinitas palavras (2001); 50 Poemas escolhidos pelo autor (2003); Máquinas do mito – das artes & ideias híbridas (2014); Busca da gema nos destroços – Antologia poética (Lisboa, 2017); em 2021, A tulipa azul do sonho (Constança, a musa de Alphonsus de Guimaraens); Brumes de songe / Névoas de sonho – Antologia poética bilíngue publicada em Paris, França, pela editora L’Harmattan (2024), e em 2025 o didático livro das aventuras poéticas de uma adolescente: Viagem de Lorelei na Terra da Poesia.
Afonso Henriques Neto é autor do livro de contos Relatos nas ruas de fúria (2014) e dos romances Os odiados do sol (2019) e Músculos de contracultura (2025). Organizou o livro de traduções poéticas Fogo alto (Catulo, Villon, Blake, Rimbaud, Huidobro, Lorca e Ginsberg) em 2009. Foi o organizador e tradutor do livro Arthur Rimbaud – Antologia poética (2020).
Participou de diversas antologias, entre elas 26 poetas hoje (org. Heloísa Buarque de Hollanda, 1976), marco do que se convencionou chamar de “geração marginal” (poetas que de várias maneiras resistiram e combateram a ditadura militar oriunda do golpe de 1964); Correspondencia celeste – Nueva poesia brasileña (org. Adolfo Montejo Navas, Madrid, 2001) e Antologia de poesia brasilera contemporània (org. Ronald Polito, Barcelona, 2006).
Afonso Henriques Neto ocupa a cadeira 27 da Academia Mineira de Letras, para a qual foi eleito em 15 de setembro de 2010 e tomou posse em 13 de setembro de 2011.



