Miniatura

Acadêmico
Abilio Barreto
Número de Cadeira
18 Patrono: Silva Alvarenga
Data de Posse
12 de setembro de 1926
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escritor, poeta e historiador brasileiro Abílio Velho Barreto, nasceu em Diamantina, Minas Gerais, em 22 de outubro de 1883. Filho de Francisco José Velho Barreto e de D. Josefina Vieira Barreto, ingressou no curso primário, onde traçou os primeiros versos, na escola Nossa Senhora do Rosário, em Santa Bárbara e Rio Manso, ambos em Minas. Casou-se em primeiras núpcias, com Nogueirinha Nogueira Barreto e, em segundas, com Hilda Zignago Barreto.
No final de 1895, com doze anos, transferiu-se para Belo Horizonte – ainda um canteiro de obras administradas pela Comissão Construtora da nova capital – e continuou os estudos secundários. Enquanto estudante, foi distribuidor dos primeiros jornais fundados na recém-fundada capital do Estado, o Bello Horizonte e A Capital. Em seguida, sucessivamente, trabalhou como caixeiro no comércio e foi aprendiz tipográfico.
Em 1898, aos quinze anos, ingressou na Imprensa Oficial, primeiro como tipógrafo e revisor, depois como redator interino do jornal Minas Gerais, enquanto prestava os cursos preparatórios. Abílio Barreto foi um dos fundadores e presidente da Associação Beneficente Tipográfica de Belo Horizonte, e iniciou sua carreira literária em Paraisópolis, Minas Gerais, onde lançou o periódico O Paraisópolis e organizou o Clube Literário e Recreativo Bruno de Paiva.
Em 1900, Abílio adotou o pseudônimo de Francisco Amado Jr e publicou Versos de um Autor Anônimo. Cinco anos depois estreou na literatura com Vernais e, em seguida, com Coralinas, em 1909, todas obras publicadas pela Imprensa Oficial.
Em 1924, foi promovido a Primeiro Oficial do Arquivo Público Mineiro, cargo em que se aposentou dez anos depois. Em 1926, foi eleito para a Academia Mineira de Letras, sucessor de Estevam de Oliveira na cadeira nº 18, patrocinada por Manuel Inácio da Silva Alvarenga.
Foi repórter da Folha Pequena e colaborou com diversos jornais do Rio de Janeiro e São Paulo. Figurou entre os fundadores, em Belo Horizonte, do Diário de Notícias, com Vasco Azevedo, da Folha do Dia, com Soares Brandão, da Folha de Minas, da revista Vida de Minas e do Grêmio Literário Júlio Ribeiro, cuja Vice-Presidência ocupou, e em ambas as repartições atuou como redator-secretário.
Em 1935, a convite do Prefeito Otacílio Negrão de Lima, dirigiu a organização do Arquivo Municipal e em 1941 foi convidado pelo prefeito Juscelino Kubitschek para organizar o Museu Histórico de Belo Horizonte, inaugurado em 1943. Sediado na antiga Fazenda do Leitão, nos arredores do antigo Arraial do Curral Del Rei, esse museu nasceu com o propósito de preservar a história da capital mineira.
Nessa época, conheceu ampla notoriedade como historiador e poeta ruralista. A par da atividade literária exerceu diversos cargos no serviço público, tais como na Secretaria das Finanças, no Arquivo Público Mineiro, pelo qual se aposentou após 35 anos de trabalho, e na Prefeitura de Belo Horizonte, da qual foi Secretário. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, ao Instituto Histórico e Geográfico de Ouro Preto, à Academia Fluminense de Letras e ao Instituto de Estudos Diamantinenses.
Em 17 de julho de 1959, em Belo Horizonte, Abílio Barreto faleceu, e em homenagem póstuma, em 1968, o museu ganhou nova denominação em homenagem ao primeiro diretor, tornando-se conhecido como Museu Histórico Abílio Barreto.
Além de importantes obras acerca da história de Belo Horizonte, Abílio publicou ainda as seguintes obras: Matizes, de 1910; Liz, de 1912; A avó, peça teatral em um ato, de 1912; Viagens e Conferências, de 1914; Cromos, livro de poesias, em 1º ed. pela Imprensa Oficial em 1918 e 2ª ed. pela Oliveira Costa & Cia., em 1924; A última serenata, poesias, de 1931, dedicada à perda da esposa. A noiva do tropeiro, de 1942, marcou sua estreia como romancista, no Rio de Janeiro, pela Sociedade Brasileira de Difusão Cultural. Até 1952, a obra Cromos ganhou sua 4ª edição aumentada, com acréscimo dos sonetilhos da obra Coralinas alterados nas estrofes.
Como historiador publicou a biografia Estevão de Oliveira e Silva Alvarenga (s/d); Belo Horizonte: memória histórica e descritiva – História antiga, de 1928, em Belo Horizonte, pela Imprensa Oficial; Belo Horizonte: memória histórica e descritiva – História média, de 1936, em Belo Horizonte, pela Livraria Rex; Urbo Belo Horizonte, de 1949, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; Resumo histórico de Belo Horizonte – 1701-1947, de 1950, Belo em Horizonte, pela Imprensa Oficial.
O biógrafo Augusto Fernandes publicou, em 1950, Nobre Vida, contando a história do poeta-jornalista. Abílio Barreto deixou inéditas algumas obras sem publicar, como Sua excelência, o Amor, uma comédia em três atos; Diamantina e o descobrimento de diamantes, também uma peça teatral; Viagens a Diamantina; Nas asas do amor, uma opereta; História do Caminho Novo; Belo Horizonte: memória histórica e descritiva – Período contemporâneo; Dolores, um romance em cartas; Contos e fantasias e Palestras literárias.



