Miniatura

Acadêmico
Abgar Renault
Número de Cadeira
17 Patrono: Conde de Prados
Data de Posse
10 de novembro de 1947
Posição na Cadeira
2° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escritor, poeta e professor Abgar de Castro Araújo Renault, nasceu em Barbacena, Minas Gerais, no dia 15 de abril de 1901, filho do professor de ascendência francesa Léon Renault e de Maria José de Castro Renault. Casou-se com D. Ignês Caldeira Brant Renault, com quem teve três filhos.
Em 1911, ingressou no Colégio Arnaldo, onde estudou latim, francês, inglês e alemão. Continuou os estudos preparatórios em Belo Horizonte e formou-se advogado pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte, em 1924.
Iniciou, muito jovem, sua atuação no magistério, em 1926. Foi professor de Inglês e Literatura no Ginásio Mineiro de Belo Horizonte, e de Português na Escola Normal Modelo, em 1930. Posteriormente, mudou-se para o Rio de Janeiro e tornou-se catedrático de Inglês no Colégio Pedro II, da capital federal, em 1936.
No decorrer da docência, de 1927 a 1930, exerceu o mandato de Deputado Estadual na 10ª legislatura e desempenhou o cargo de Secretário do Ministro da Educação e Saúde Pública Francisco Luís da Silva Campos, de 1930 a 1931. Até o final do ano seguinte, 1932, foi Diretor do Departamento do Interior e Justiça do Estado de Minas Gerais.
De 1935 a 1937, tornou-se assistente do Secretário de Educação e Cultura do antigo Distrito Federal, como também, de 1936 a 1938, lecionou Literatura Inglesa na antiga Universidade da Prefeitura do Distrito Federal, e Inglês na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, na Faculdade de Filosofia Santa Úrsula do Rio de Janeiro e na Faculdade de Filosofia do Instituto Lafayette do Rio de Janeiro.
No período entre 1938 e 1946, foi Diretor do Departamento Nacional de Educação e organizou e dirigiu o Colégio Universitário da Universidade do Brasil. Exímio tradutor e especialista de renome internacional, representou o Brasil em congressos internacionais de educação realizados no Panamá em 1943, em Londres em 1945. Participou, ainda, da criação da Unesco, na Iugoslávia, em 1948.
Entre 1945 e 1946, visitou oficialmente a Inglaterra, o Canadá e os EUA e pronunciou uma série de conferências em universidades norte-americanas sobre a Literatura e a Educação brasileiras. Em 1947, foi eleito para Academia Mineira de Letras, como segundo sucessor da cadeira nº 17, patrocinada por Camilo Ferreira Armond (Conde de Prados).
De dezembro de 1947 a setembro de 1950, atuou como Secretário Estadual da Educação e Saúde Pública do Governo de Mílton Soares Campos. Posteriormente, no período de novembro de 1955 a janeiro de 1956, foi Ministro da Educação e Cultura durante a Presidência de Nereu Ramos, ocasião em que criou o Instituto Nacional de Pesquisas Pedagógicas, o INEP, e o Instituto da Campanha Nacional do Material de Ensino.
De 1950 a 1967, foi professor de Literatura Inglesa, na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais. No Governo José Francisco Bias Fortes, novamente ocupou a Secretaria da Educação de Minas Gerais, de janeiro de 1956 a março de 1959, período em que também respondeu, em várias oportunidades, pelo expediente da Pasta das Finanças.
Em 1960, tornou-se professor visitante da Universidade de Nova Iorque e recebeu o título de Membro Honorário do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Stanford, EUA. Como convidado especial da Unesco, em 1961, participou, na Europa, do seminário sobre currículo, sobretudo para a escola elementar e, na Etiópia, da Conferência sobre as Necessidades Educacionais da África.
Em 1967, por nomeação do Presidente Costa e Silva, assumiu o posto de Ministro do Tribunal de Contas da União, cuja Presidência exerceu no biênio de 1970 a 1973, instituição em que se aposentou em 1981. Foi membro da Comissão de Negócios Estaduais do Ministério da Justiça; Diretor do Ensino Secundário do Ministério da Educação; membro da Comissão Revisora do Ensino, do Ministério da Educação e Cultura; membro do Conselho Nacional do Ensino; Vice-Presidente do Conselho Federal de Educação, órgão no qual atuou de 1967 a 1982.
Foi, ainda, Diretor-Geral do Centro Regional de Pesquisas Educacionais João Pinheiro, em Belo Horizonte; Presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa e membro do Instituto Inter-Aliado de Alta Cultura, da Comissão Consultiva Internacional do The World Book Encyclopaedia Dictionary e da Comissão Internacional de Alfabetização de Adultos, as duas últimas no âmbito da Unesco.
Abgar Renault recebeu inúmeras condecorações oficiais, nacionais e estrangeiras, entre elas de Professor Emérito da Faculdade de Letras da UFMG, as da Legião de Honra da França e da Ordem do Império Britânico. No Brasil, filiou-se à Sociedade Pestalozzi, à Associação Brasileira de Imprensa e à Associação Brasileira de Escritores.
Profundo conhecedor da obra de Shakespeare e contemporâneo de Carlos Drummond, Emílio Moura, Murilo Mendes e Cyro dos Anjos, participou ativamente do movimento modernista de Minas Gerais. Na poesia, conciliou as novas propostas com métodos e ritmos do verso tradicional, e realizou uma interessante mistura de pessimismo, ironia e bom humor.
Além de elevado número de poemas, artigos e traduções em revistas e jornais brasileiros e estrangeiros, publicou as obras A lua crescente, uma tradução de Rabindranath Tagore, Rio de Janeiro, J. Olympio, de 1942; Colheita de frutos, Rio de Janeiro, J. Olympio, de 1945; Pássaros perdidos, Rio de Janeiro, J. Olympio, publicado em 1947; Sofotulafai, Belo Horizonte, Imprensa da Universidade Federal de Minas Gerais, de 1951; A palavra e a ação, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, de 1952; O boi e o jumento do presépio, uma tradução de Jules SupervilIe, Rio de Janeiro, MEC/lNEP, publicada em 1963; A lápide sob a lua, Belo Horizonte, Imprensa da Universidade Federal de Minas Gerais, de 1968; Sonetos amigos, Belo Horizonte, Imprensa da Universidade Federal de Minas Gerais, também de 1968; Poemas ingleses de guerra, tradução, 2ª ed. Belo Horizonte, Imprensa Oficial, em 1970.
Em 1983, reuniu em livro a sua obra poética. Em 31 de dezembro de 1995, faleceu no Rio de Janeiro e foi sepultado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras.



