OSWALDO FRANÇA JÚNIOR É HOMENAGEADO PELA ACADEMIA MINEIRA DE LETRAS NOS 85 ANOS DE SEU NASCIMENTO

28/12/2021

Poucas pessoas sabem falar tão bem de Oswaldo França Júnior como a professora Maria Angélica Lopes, responsável por examinar nove dos treze romances do escritor em Voo certeiro: o novelístico de Oswaldo França Junior (Rio de Janeiro: 7 Letras, 2010). Por isso, ela é a convidada da Academia Mineira de Letras para a palestra “Nos 85 anos de Oswaldo França Júnior. O vídeo estará disponível no canal de YouTube da AML a partir das 11h do dia 28 de dezembro.

O evento acontece no âmbito do Plano Anual de Manutenção AML (PRONAC 203709), realizado mediante a Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Instituto Unimed-BH – por meio do incentivo fiscal de mais de cinco mil e duzentos médicos cooperados e colaboradores – e da CEMIG. Copatrocínio da Tambasa.

Na palestra, a professora emérita percorre a obra de Oswaldo França Júnior, tecendo uma análise detalhada sobre cada livro abordado em suas próprias publicações, apresentando os enredos, comentando as narrativas, situando os personagens, retomando os fatos e acentuando a relevância destes em cada momento da história do Brasil.

Segundo Maria Angélica Lopes, Oswaldo França Júnior ajudou a renovar a ficção nacional a partir da novelística que constrói uma história não oficial do Brasil, mas nem por isso menos verdadeira. Testemunha de época tumultuada, foi um dos ficcionistas a ousarem denunciar a situação sociopolítica do país.

De acordo com a professora, desde o primeiro romance, O Viúvo, as qualidades literárias saltam aos olhos do leitor, apesar dos fortes sentimentos que evoca. “O romance é realista, irônico e elegante. A simplicidade da narrativa a princípio engana, pois o autor deixa muito à sagacidade do leitor, a quem é dado encontrar em cada romance a chave do código hermenêutico descrito por Roland Barthes. Cada um dos doze livros apresenta notável continuidade e cada um deles oferece nova direção ao autor”, ressalta.

Em Jorge, um Brasileiro, por exemplo, o protagonista é o chamado “homem do povo”, de classe baixa, cujo valor o autor reconheceu e ilustrou também em seus outros romances. Jorge, um Brasileiro recebeu o Prêmio Walmap 1967, cujos juízes eram os célebres Guimarães Rosa, Jorge Amado e Antônio Olinto. O livro se tornou popular como filme e na televisão. De certo modo o romance indicou a descoberta de um novo herói, motorista e, portanto, operário.

Além de abordar a obra do escritor, a palestra também mostra como o impacto do cotidiano é um dos traços mais marcantes da ficção de França Júnior, como o é em Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector. Este cotidiano consiste em personagens modestas, intelectualmente despretensiosas como os enredos, mas com surpreendente profundidade intelectual e emocional.

A palestrante explica que “a história coletiva, com anonimato das personagens, imprime forte marca na ficção do autor. Suas narrativas se encadeiam de maneira original através de relações cotidianas: o olhar, as palavras ou a lembrança. As personagens se diferenciam por profissões, lugar na família, sexo e idade. O “aqui” se estende até tocar “o outro lugar””, revela.

Além das palestras on-line inéditas que integram a programação 2021, a Academia Mineira de Letras disponibiliza mais de 200 palestras já realizadas para que o público possa ver e rever. Durante o isolamento social, as redes sociais da instituição também estão repletas de poesias, crônicas e dicas de leitura.

 

Sobre a palestrante:

Maria Angélica Lopes nasceu em Belo Horizonte, onde passou a infância e adolescência. Fez bacharelato em Línguas Neolatinas na Universidade Católica de Minas Gerais. Após a formatura, foi convidada pelo governo dos Estados Unidos para lecionar português a alunos do Corpo da Paz, na Universidade do Texas, onde fez mestrados em Inglês e Francês. Casou-se com um jovem estadunidense e foi para Dayton, Ohio, onde lecionou na Wright State University. Depois lecionou português, espanhol, inglês, francês e literaturas em várias universidades de diferentes estados americanos. A última foi a University of South Carolina em Columbia, durante quase trinta anos. Aposentou-se como Professora Emérita. Atualmente mora em Cary, North Carolina.

 

SERVIÇO:

Palestra on-line “Nos 85 anos de Oswaldo França Júnior”, com Maria Angélica Lopes

 Data: a partir de 28 de dezembro, às 11h

Acesso: Youtube.com/c/AcademiaMineiraDeLetras

 

Instituto Unimed-BH

Associação sem fins lucrativos, o Instituto Unimed-BH, desde 2003, desenvolve projetos socioculturais e ambientais visando à formação da cidadania, estimular o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, ampliar o acesso à cultura, valorizar espaços públicos e o meio ambiente. Ao longo de sua história, o Instituto destinou cerca de R$140 milhões por meio das Leis municipal e federal de Incentivo à Cultura, viabilizado pelo patrocínio de mais de 5,2 mil médicos cooperados e colaboradores. No último ano, mais de 7 mil postos de trabalho foram gerados e 3,9 milhões pessoas foram alcançadas por meio de projetos em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Neste ano, todas as iniciativas do Instituto celebram os 50 anos da Unimed-BH. Clique aqui e conheça mais sobre os resultados do Instituto Unimed-BH.

Cemig

De onde vem a nossa força?

A Cemig, maior patrocinadora cultural de Minas Gerais, acredita na importância e na valorização da arte e da cultura para o desenvolvimento humano, econômico e social de uma população como possibilidade do alcance de um futuro melhor para as novas gerações.

A preocupação da empresa em promover a socialização e a democratização do acesso aos bens culturais do estado se baseia principalmente no compromisso da Cemig com a transformação social e inclusão, uma oportunidade de dialogar e trazer melhorias para a comunidade.

Nossa força também vem da cultura. Saiba mais em www.cemig.com.br

Acessar o conteúdo