
O escritor mineiro Benito Barreto será empossado como novo membro da Academia Mineira de Letras. Ele ocupará a cadeira de Nº 2, que pertencia ao poeta Oswaldo Soares da Cunha. Barreto será saudado pelo presidente da AML, Olavo Romano, e pelos demais intelectuais da casa durante a cerimônia de posse, apenas para convidados.
A nomeação foi recebida com muita surpresa e honra pelo escritor. “O meu ingresso na Academia Mineira de Letras é um marco, certamente, em minha vida de escritor. Eu não estava preparado para isto. O lançamento do meu nome e minha subsequente eleição se originaram na generosidade de amigos da Casa.“
Posse do escritor Benito Barreto na AML
Quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Horário: 19h30
Evento apenas para convidados
Sobre Benito Barreto
Nascido em 17 de abril de 1929, natural da cidade de Dores de Guanhães, Benito Barreto começou no jornalismo aos 16 anos, como revisor no jornal Folha de Minas, em Belo Horizonte. No emprego, teve seu primeiro contato com o pensamento socialista, o que o fez se unir ao Partido Comunista Brasileiro.
Após uma temporada de luta e manifestações contra a oposição política, o PCB enviou Barreto para Salvador, onde trabalhou no Jornal O Momento. Após sofrer uma pleurite que o deixou afastado da militância em 1950, ele volta a Belo Horizonte, ainda trabalhando como jornalista e publicando suas primeiras crônicas.
Seu primeiro romance, o “Plataforma Vazia” (1962) foi lançado quando Benito tinha apenas 30 anos. Pela obra, Benito recebeu o Prêmio Cidade de Belo Horizonte. Seus próximos trabalhos literários, “Capela dos Homens” (1968), “Multirão para matar” (1974) e “Cafaia” (1975) continuam a narrativa de seu livro de estréia e fecham a sua primeira saga literária.
Os quatro volumes formam tetralogia “Os Guaianãs”, que relatam a história de uma guerrilha no sertão de Minas Gerais e da Bahia, em paralelo à realidade vivida pelo Brasil durante a ditadura militar. Os dois primeiros livros da coleção foram traduzidos para o russo e publicados com tiragem de 100 mil exemplares na antiga União Soviética.
Barreto ainda escreveu o “Vagagem” (1978), livro de memórias da infância e de viagens da vida; “A última barricada” (1993), romance que reúne colunas publicadas no jornal Estado de Minas e anotações inéditas; e “Um caso de fidelidade” (2000), obra em que o autor reflete as incertezas do mundo globalizado que se sucede à derrocada do socialismo.
Entre 2009 e 2012, o escritor lançou sua segunda tetralogia ficcional, “Saga do Caminho Novo”, resultado de uma intensa pesquisa sobre a Inconfidência Mineira. A obra é composta pelos romances históricos “Os idos de maio”, “Bardos e viúvas”, “Toque de silêncio em Vila Rica” e “Despojos: a festa da morte na Corte”. A coleção recebeu por três anos consecutivos (2010, 2011 e 2012) o prêmio de melhor romance histórico do ano da União Brasileira de Escritores, seção Rio de Janeiro (UBE-RJ).



