
Cerimônia acontece às 19h30, na sede da Academia Mineira de Letras. O evento é aberto ao público e tem entrada gratuita
A Academia Mineira de Letras realiza, no dia 20 de outubro, às 19h30, a cerimônia de entrega do Prêmio Academia Mineira de Letras 2026 ao escritor mineiro Francisco de Morais Mendes, vencedor desta edição com o livro de contos A bala dos desarmados (Editora Sinete, 2025). O evento contará com a presença do autor e de Andrea Raso e Jair Raso, representantes da Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), patrocinadora da premiação. A cerimônia terá acessibilidade em Libras. Considerado um dos principais reconhecimentos à produção literária em Minas Gerais, o Prêmio AML concede R$ 40 mil ao autor vencedor. Em sua edição de 2026, foram avaliadas obras publicadas em primeira edição ao longo de 2025, nas categorias poesia, ficção em prosa, crônicas e ensaios. A escolha é realizada por indicação dos acadêmicos da instituição.
Em A bala dos desarmados, a palavra assume o papel de personagem e conduz histórias que exploram os ruídos e os limites da comunicação. Nos contos, a linguagem muitas vezes contraria sua função de comunicar: esconde intenções, dificulta o contato, embaralha sentidos e expõe as falhas na construção de significados. A obra dialoga com o tempo presente, marcado pela abundância de informação e, ao mesmo tempo, pela dificuldade de distinguir o verdadeiro do falso. “Muita satisfação de ter o livro ‘A bala dos desarmados’ reconhecido por uma instituição com o prestígio e o respeito da Academia Mineira de Letras. Esse reconhecimento dá ao livro um lugar de destaque no acervo cultural do Estado, do País. Por isso o sentimento é de gratificação, uma imensa alegria”, afirma Francisco de Morais Mendes.
Para o escritor, a premiação também tem um papel que ultrapassa o reconhecimento individual. “Para o autor o prêmio é um indutor, um estímulo forte para continuar escrevendo. Para a sociedade, o prêmio é um balizador, pois vai assinalar as obras que passaram pelo crivo de um corpo de especialistas. O livro destacado ganha visibilidade e pode chegar a um número maior de leitores”, destaca. Nascido em Belo Horizonte, em 1956, Francisco de Morais Mendes é jornalista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autor dos livros de contos Escreva, querida, A razão selvagem, Onde terminam os dias e Sacrifício e outros contos, publicado originalmente em Lisboa, em 2019, e posteriormente no Rio de Janeiro, em 2021. Ao longo da carreira, recebeu oito prêmios literários, entre eles o próprio Prêmio Academia Mineira de Letras, o Prêmio Minas de Cultura, do Governo do Estado, o Prêmio Cidade de Belo Horizonte, da Prefeitura de Belo Horizonte, e o Prêmio Autor 2018, em Lisboa.
A parceria entre a Academia Mineira de Letras e a Feluma reforça o compromisso de ambas as instituições com a valorização da cultura, da literatura e da produção intelectual em Minas Gerais. Por meio do patrocínio, a Feluma contribui para a continuidade de uma premiação dedicada ao reconhecimento de escritores e obras que ajudam a ampliar o alcance da literatura produzida no estado.
ACADEMIA MINEIRA DE LETRAS: TRADIÇÃO EM PREMIAÇÕES LITERÁRIAS
Desde muito cedo as Academias de Letras brasileiras tinham como uma de suas missões o reconhecimento da produção escrita contemporânea por meio da concessão de prêmios literários. No que diz respeito à Academia Mineira de Letras, em seus primeiros movimentos de premiação, em 1943, laureou João Camilo de Oliveira Torres com o Prêmio Diogo de Vasconcelos, pela obra O homem e a montanha: introdução ao estudo das influências da situação geográfica para a formação do espírito mineiro (publicada em 1944). Em 1947, uma outra condecoração, de nome Prêmio Bernardo Mascarenhas, foi atribuída a Paulo Tamm, pelo livro João Pinheiro (1947).
Tudo indica que apenas em 1947 foi encontrado o mecenas que permitiu a criação do prêmio anual, o empresário Othon Linch Bezerra de Melo. Assim, no mesmo ano foi estabelecido, pela AML, o regulamento do “Prêmio Othon Linch Bezerra de Melo – Academia Mineira de Letras” no valor de Cr$20.000,00, a ser concedido anualmente a obra de autor mineiro publicada no ano imediatamente anterior. O prêmio agraciou, em 1948, Murilo Rubião pela sua obra O ex-mágico (1946). Assim, a partir de 1948 até 1969, o prêmio foi concedido regularmente, exceção feita ao ano de 1958, em que “não foi conferido a ninguém, em virtudes de tramitação do processo, através de incidentes vários”.
Dentre os premiados, destacam-se Lúcia Machado de Almeida premiada em, 1953, com a obra Passeio a Sabará; Afonso Ávila, em 1954, premiado por Açude; Zilah Corrêa de Araújo, com Uma flor sobre o muro, recebeu a premiação, em 1956; Maria Luiza Ramos, em 1959, com Psicologia e estética de Raul Pompéia; Ângela Vaz Leão, em 1961, premiada por História de palavras; Maria José de Queirós, em 1963, por Do indianismo ao indigenismo. Dos agraciados, alguns se tornaram acadêmicos posteriormente, como nos casos de Henriqueta Lisboa (premiada em 1950, com ingresso na AML em 1963), Wilton Cardoso de Sousa (premiado em 1951 e tornado acadêmico em 1983), Edison Moreira (premiação, 1952; ingresso, 1965), Waldemar Pequeno (premiado em 1955, ingresso em 1973), Maria José de Queiroz (agraciada em 1963, ingresso em 1968).
A primeira referência ao nome “Prêmio Academia Mineira de Letras” remonta a 1950, quando foi ele concedido a Emílio Moura, pelo livro de poemas O espelho e a musa, publicado no ano anterior, sem que se saiba tratar-se de premiação avulsa ou já do prêmio que passa a ser atribuído com mais regularidade a partir de 1966. É de 1964 o registro de que a Academia Mineira de Letras havia recebido, naquela data, doação de um lote de ações do Banco da Lavoura de Minas Gerais. Entre os destaques desta nova fase, estão: Mário Palmério, premiado em 1966 por Chapadão do Bugre (1965); André Carneiro, em 1967, por Espaçopleno (1966); Moacyr Scliar, em 1968, por O Carnaval dos Animais (1968); Wilmar Silva, em 2002, por Arranjos de Pássaros e Flores (2001); e Murilo Badaró, em 2004, por Vida e Obra de Afonso Arinos de Melo Franco (2006).
Em 2023 a Academia Mineira de Letras retomou a premiação, com apoio de Fernando Moreira Sales, premiando Laura Cohen, por Caruncho (2022). Em 2024, premiou José Eduardo Gonçalves, por Pistas Falsas (2023). Em 2025, a Academia Mineira de Letras contou com o patrocínio da Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma) e laureou Maria do Carmo Ferreira, Poesia reunida (2024). A parceria se manteve no ano de 2026 e agora premia Francisco de Morais Mendes, por A bala dos desarmados (2025).
SOBRE O AUTOR VENCEDOR DO PRÊMIO AML 2026
Francisco de Morais Mendes (Belo Horizonte, MG, 1956), jornalista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, é autor dos livros de contos Escreva, querida, A razão selvagem, Onde terminam os dias e Sacrifício e outros contos (Lisboa, 2019; Rio de Janeiro, 2021). Vencedor de oito prêmios literários, entre eles o Prêmio Academia Mineira de Letras, o Prêmio Minas de Cultura, do governo do Estado, o Cidade de Belo Horizonte, da Prefeitura Municipal, e Prêmio Autor 2018, em Lisboa.
| SERVIÇO Cerimônia de entrega do Prêmio Academia Mineira de Letras 2026 para Francisco de Morais Mendes, por A bala dos desarmados (2025). Data: 20 de outubro, a partir das 19h30 Local: Academia Mineira de Letras [Rua da Bahia, 1466 – Centro] Entrada gratuita |
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