O que a encadernação revela sobre a história dos livros? Debate na AML discute materialidade da cultura escrita

07/10/2026

Mesa reúne especialistas da UFMG, USP e Unicamp para discutir as relações entre encadernação, edição, conservação e colecionismo; encontro gratuito será seguido do lançamento de livro que reúne estudos de pesquisadores de dez países

Antes mesmo de abrir um livro, há uma história para contar. Costuras, capas, papéis, materiais, técnicas e marcas de uso revelam modos de produzir, circular, preservar e se relacionar com a cultura escrita. É a partir dessa perspectiva que a Academia Mineira de Letras recebe, no dia 7 de outubro, às 15h, a palestra de lançamento de Encadernação: Práticas Editoriais, Colecionismo e Conservação. O encontro reunirá especialistas de diferentes áreas para discutir a encadernação como prática, objeto e parte fundamental da história dos livros. A atividade terá tradução em Libras. Participam da mesa Ana Utsch (UFMG), Fernanda Brito (UFMG), Alice Gontijo (USP) e Rodrigo Camargo de Godoi (Unicamp), com mediação de Eliana Dutra (UFMG). A conversa parte do lançamento do livro, organizado por Ana Utsch, com colaboração de Alice Gontijo, para abordar a história, as técnicas, os usos e os significados da encadernação e suas conexões com práticas editoriais, colecionismo, conservação e as chamadas artes do livro.

Com mais de 30 estudos de pesquisadores de dez países — Brasil, África do Sul, Colômbia, Cuba, Espanha, França, Itália, México, Reino Unido e Suécia —, Encadernação: Práticas Editoriais, Colecionismo e Conservação propõe compreender a encadernação não apenas como acabamento, mas como um objeto histórico complexo. Ao longo do volume, são investigados os saberes técnicos envolvidos na produção dos livros, o trabalho de profissionais do setor, os circuitos comerciais, as práticas de colecionamento, os códigos simbólicos e as políticas de preservação do patrimônio. Os estudos percorrem diferentes espaços e perspectivas: das oficinas às editoras, das bibliotecas às livrarias, passando por discursos técnicos e pela literatura. História do livro, biblioteconomia, design, estudos literários, artes visuais e conservação-restauração se encontram para investigar como a materialidade participa da construção dos sentidos atribuídos aos textos.

Para Ana Utsch, voltar o olhar para essa dimensão material é especialmente relevante em um momento de transformação das formas de leitura e de circulação dos textos. “Em um momento marcado pelas transformações das práticas de leitura e pela circulação digital dos textos, voltar a atenção para a materialidade do livro permite compreender dimensões da cultura escrita que frequentemente permanecem invisíveis”, afirma. Para a pesquisadora, a encadernação ocupa um lugar privilegiado nessa discussão por articular “história, técnica, criação, conservação e memória”. Mais do que discutir como os livros são feitos, a mesa propõe pensar o que os livros revelam quando observados também como objetos. Marcas de fabricação, escolhas estéticas, técnicas de encadernação, formas de conservação e modos de circulação ajudam a contar histórias que nem sempre estão registradas nas páginas, ampliando a compreensão sobre a própria cultura escrita.

A palestra é uma iniciativa da AML, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Artes e Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários, ambos da Universidade Federal de Minas Gerais, e do Ateliê Editorial. O evento acontece no âmbito dos projetos “Academia Mineira de Letras Manutenção e Funcionamento 2026 (CA 2024.3810.0027)”, incluído na Lei Estadual de Incentivo à Cultura e “Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 256536)”, previsto na Lei Federal de Incentivo à Cultura. O evento tem o patrocínio da CEMIG, a energia da cultura, e do Instituto Unimed-BH – por meio do incentivo fiscal de mais de cinco mil e novecentos médicos cooperados e colaboradores. O evento tem apoio da Minasmáquinas.

SOBRE OS PALESTRANTES

Alice Gontijo é doutora em Estudos Literários pela Faculdade de Letras da UFMG, mestre em Artes, na linha de Preservação do Patrimônio Cultural, e bacharel em Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis pela Escola de Belas Artes da UFMG. Atua no Laboratório de Conservação e Restauro do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP) e desenvolve pesquisas nas áreas de Cultura Gráfica, Preservação do Patrimônio e Conservação-Restauração, com ênfase em acervos bibliográficos e documentais e em obras artísticas em papel. Integra a Red Latinoamericana de Cultura Gráfica (RED-CG) e projetos de pesquisa e extensão dedicados à cultura e à memória gráficas, como “Documentar: fontes para a cultura gráfica” e “Museu Vivo Memória Gráfica”. Possui experiência profissional e docente na área de conservação-restauração e colaborou na organização, na tradução e na elaboração de conteúdos para a publicação Encadernação.

Ana Utsch é professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, onde integra o Programa de Pós-Graduação em Artes (EBA) e o Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários (FALE). Cofundadora da Red Latinoamericana de Cultura Gráfica, coordenou o projeto que deu origem ao Museu Tipografia Pão de Santo Antônio. É bolsista do CNPq, autora de Rééditer Don Quichotte (Classiques Garnier, 2020), Panorama de la Encuadernación (Uniandes, 2022) e organizadora de Encadernação: práticas editoriais, colecionismo e conservação (Ateliê Editorial, 2026).

Eliana de Freitas Dutra é professora titular aposentada da Universidade Federal de Minas Gerais e professora do Programa de Pós-Graduação em História da UFMG. Vice-Presidente do International Committee of Historical Sciences (ICHS) entre 2015 e 2026, realizou pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) e na Université de Versailles Saint-Quentin. É pesquisadora na área de História, com ênfase em História do Brasil, atuando principalmente nos temas: intelectuais, nação e identidade nacional, cultura política, memória histórica, imaginário político, livros e edições e anos 1930. Coordena o projeto Coleção Brasiliana: Escritos e Leituras da Nação.

Fernanda Brito é Professora Adjunta do curso de graduação em Conservação-Restauração de Bens Móveis Culturais da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, na Escola de Belas Artes. Possui pós-doutorado pela UFMA, doutorado (2019) e mestrado (2015) pelo programa de História da Ciência pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP, onde realizou pesquisa sobre a tradição, técnica e história da encadernação no Brasil. Realizou curso de aperfeiçoamento em Escritura y Documentación: Paleografía, Diplomática y Archivística, pela Universidad Complutense de Madrid (2015) e de Conservação e Restauração de Material Gráfico e Obra de Arte sobre Papel pelo Centro Técnico Templo da Arte. Possui pós-graduação em Gerência de Sistemas e Serviços de Informação pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (2013) e graduação em Educação Artística, com Licenciatura Plena em Artes Plásticas pela Faculdade Paulista de Artes (2006).

Rodrigo Camargo de Godoi é Professor Associado e Livre-Docente em História do Brasil Império no Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH-Unicamp), onde integra os programas de Pós-Graduação em História e de Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistória). É pesquisador e coordenador do Núcleo de Estudos da Edição, Literatura e Imprensa (NEELIM). É mestre em Teoria e História Literária (2010) e doutor em História Social (2014) pela Unicamp. Realizou estágios de pesquisa na Vanderbilt University (Nashville, EUA, 2020) e no Max-Planck-Institut für Rechtsgeschichte und Rechtstheorie (Frankfurt am Main, Alemanha, 2022). É autor, entre outros trabalhos, de Francisco de Paula Brito: A Black Publisher in Imperial Brazil (Vanderbilt University Press, 2020). Suas pesquisas concentram-se na história da cultura impressa e literária do Brasil oitocentista, com especial interesse pela história do livro e da edição, imprensa, autoria e propriedade literária, bem como liberdade de imprensa e de expressão no Brasil oitocentista.

INSTITUTO UNIMED-BH

O Instituto Unimed-BH completa 23 anos em 2026 e conta com o apoio de mais de 5,9 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH. A associação sem fins lucrativos foi criada em 2003 e, desde então, desenvolve projetos socioculturais e socioambientais visando à formação da cidadania, estimulando o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, fomentando a economia criativa, gerando trabalho e renda para diversas famílias, valorizando espaços públicos e o meio ambiente, através de projetos patrocinados, apoiados e realizados em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

Acesse www.institutounimedbh.com.br e saiba mais.

CEMIG

A Cemig segue ampliando o incentivo ao setor cultural de Minas Gerais, patrocinando diferentes expressões artísticas em todas as regiões do estado. Democratizar, descentralizar e ampliar o acesso às práticas culturais é um compromisso da companhia com a arte mineira. Ao incentivar a cultura, a Cemig fortalece a tradição, a memória e as raízes, sem deixar de ter a inovação e a tecnologia como aliadas. Estar ao lado da cultura de Minas Gerais é contribuir para a valorização da identidade, para o desenvolvimento do estado, para a movimentação da economia criativa e para a geração de emprego e renda.

SERVIÇO 
Artes do Livro, encadernação e materialidade dos textos
Com Ana Utsch (UFMG), Fernanda Brito (UFMG), Alice Gontijo (USP), Rodrigo Camargo de Godoi (UNICAMP). Mediação de Eliana Dutra (UFMG)
Lançamento de  Encadernação: Práticas Editoriais, Colecionismo e Conservação, organizado por Ana Utsch com colaboração de Alice Gontijo
Data: 07 de outubro, a partir das 15h
Local: Academia Mineira de Letras [Rua da Bahia, 1466 – Centro] 
Entrada gratuita

INFORMAÇÕES PARA IMPRENSA

comunicacao@academiamineiradeletras.org.br

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