Miniatura

Acadêmico
Edgar Mata-Machado
Número de Cadeira
39 Patrono: Basilio da Gama
Data de Posse
24 de outubro de 1975
Posição na Cadeira
2° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O jornalista, jurista, filósofo, professor e político Edgar de Godói da Mata Machado nasceu em Diamantina, Minas Gerais, em 14 de maio de 1913. Filho do funcionário público estadual Augusto Aires da Mata Machado e de Mariana Flora de Godói da Mata Machado, Edgar Mata Machado foi descendente de uma tradicional família da política mineira.
Estudou Humanidades e Filosofia no Seminário Sagrado Coração de Jesus, de Diamantina, e legalizou o curso secundário em exames de madureza em Colégios de Pouso Alegre, Itanhandu e Belo Horizonte. Edgar Mata Machado casou-se com Yedda Novaes da Mata Machado, com quem teve dois filhos.
Após deixar o seminário, tornou-se professor de Latim, Inglês e Geografia no Ginásio Municipal de São João, em Campanha, Minas Gerais. Em 1934, iniciou sua carreira jornalística, participou da fundação do periódico católico O Diário, em Belo Horizonte, onde atuou por mais de uma década como redator e redator-chefe.
Na capital mineira, lecionou Português, Latim e Filosofia no Colégio Santa Maria. Iniciou o curso de Direito na Faculdade Livre de Direito da Universidade Minas Gerais, atual Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, na qual bacharelou-se em 1939. Enquanto universitário, militou em defesa das liberdades democráticas em oposição ao Estado Novo (1937-1945), no regime de Getúlio Vargas.
Em 1944, Edgar transferiu-se para o Rio de Janeiro para escapar da perseguição da qual foi vítima em Belo Horizonte, depois do lançamento, em 1943, do Manifesto dos Mineiros. Na capital federal, Edgar trabalhou na sucursal de O Diário, foi editor político de O Globo e do Diário de Notícias.
Em 1946, o professor jornalista Edgar Mata Machado cobriu a Constituinte da elaboração da nova Constituição brasileira, que selou a transição à democracia, preservada até 1964. Em 1947, iniciou sua carreira no serviço público, no governo de Milton Campos, quando foi nomeado Chefe do Gabinete Civil, função que ocupou até 1951.
De 1951 a 1955, Edgar elegeu-se deputado estadual pela União Democrática Nacional, e destacou-se líder da oposição e membro das Comissões de Redação e de Educação e Cultura, de 1951 a 1954. Paralela à vida pública, construiu, principalmente, uma sólida carreira acadêmica. Foi um dos fundadores da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas.
A partir da década de 1950, dedicou-se à Faculdade de Direito da UFMG, tornou-se livre docente em 1954 e catedrático de Introdução ao Estudo do Direito em 1956. Anos mais tarde, no governo de José de Magalhães Pinto, tornou-se Secretário do Trabalho e da Cultura Popular, secretaria que ele mesmo criou e instalou no governo.
No dia seguinte ao golpe militar em 1964, Edgar renunciou ao cargo de Secretário e se posicionou firmemente na oposição. Filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro – MDB, e elegeu-se, em 1966, deputado federal. Em 1968, cumpria em Brasília o mandato, em atuação contundente que o levou à cassação, em janeiro de 1969, com base no Ato Institucional nº 5 – AI-5.
Edgar Mata Machado não teve medo de assumir uma postura contrária ao regime, mas ela lhe custou muito caro. Foi compulsoriamente aposentado da UFMG e afastado de seu cargo na PUC Minas. Iniciou-se aí um longo período de perseguição política. Esse período, de 1968, foi também marcado por uma profunda tragédia pessoal.
O primogênito de Edgar e Yedda, José Carlos Novaes da Mata Machado, estudante de Direito da UFMG, que presidia o Centro Acadêmico Afonso Pena – CAAP, e fora eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudante, a UNE, que no ano de 1968 liderou passeatas de protesto contra a ditadura em todo país, foi preso pelo regime.
Um pouco antes disso, ainda no final de 1968, quando Edgar exercia os últimos dias de seu mandato, realizou-se a formatura da turma de José Carlos, que não pôde comparecer por estar preso. O professor Edgar foi convidado para ser o paraninfo da turma, e pronunciou um discurso comovente, no qual reafirmou sua fé na luta pelo direito contra a violência.
No início dos anos 1970, Edgar, sem saber do paradeiro do filho, pediu ao filho Bernardo que datilografasse uma cronologia dos acontecimentos e começou uma grande articulação para denunciar o caso. Em novembro de 1973, a dor se tornou irreparável quando recebeu o corpo de José Carlos, assassinado sob tortura em Recife pelos órgãos de segurança do regime.
Em 1975, Edgar da Mata-Machado foi eleito para a Academia Mineira de Letras em sucessão a João Camilo de Oliveira Torres, na cadeira nº 39, patrocinada por Basílio da Gama. Tornou-se, também, diretor cultural da Editora Veja de Belo Horizonte; seu trabalho estendeu-se ao Correio da Manhã e à Tribuna da Imprensa, bem como integrou o grupo fundador da Livraria Agir Editora, e colaborou em outros importantes veículos, como a Folha de Minas e o Estado de Minas, em Belo Horizonte, e O Globo e o Diário de Notícias, no Rio de Janeiro.
Com a anistia em 1979, Edgar da Mata-Machado recuperou seus direitos políticos e retornou para a Universidade. Ocorreram duas homenagens, uma na Faculdade de Filosofia e outra na Faculdade de Direito, quando recebeu o título de Professor Emérito, junto com outros professores também punidos pela ditadura.
Retornou à vida pública, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB, e foi eleito primeiro suplente do senador Itamar Franco em 1982. Depois, assumiu o mandato de Senador em duas ocasiões, em 1986, e em 1989, com a eleição de Itamar para a vice-presidência da República.
Com o fim do regime, filiou-se à União Democrática Nacional – UDN; em 1988, tornou-se um dos membros-fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB, e integrou também a Comissão Afonso Arinos, que elaborou o anteprojeto da Constituição de 1988. De 1990 a 1991, ocupou o cargo de Senador, quando Itamar Franco assumiu a vice-presidência da República.
Sua vida foi marcada por uma intensa e multifacetada atuação nos campos político, jurídico, acadêmico e cultural. Edgar da Mata-Machado faleceu aos 82 anos, no dia 09 de setembro de 1995, em Belo Horizonte.
Personalidade marcante na intelectualidade mineira e brasileira, publicou inúmeras obras, entre elas O problema do jornalismo, de 1940; Imagem da América, de 1944; Contribuição ao Personalismo Jurídico, de 1954; Direito e Coerção, de 1957; O cristão e a cidade, de 1959; Elementos de Teoria Geral do Direito, de 1972; Memorial de ideias políticas, de 1975; O modelo econômico e político brasileiro, em co-autoria, de 1983; Fé, cultura e liberdade, depoimento coordenado por Otávio Dulci e Lucília Neves, de 1993.



