Miniatura

Acadêmico
Nelson de Senna
Número de Cadeira
36 Patrono: José Eloy Ottoni
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O professor, historiador e jornalista Nelson Coelho de Senna, nasceu na Cidade do Serro, província de Minas Gerais, em 11 de outubro de 1876. Filho do político municipal e Coronel da Guarda Nacional Cândido José de Senna e de Maria Brasilina Coelho de Senna, tinha cinco irmãos. Casou-se com Emília Gentil Horta Gomes Cândido de Sena, com quem teve sete filhos, sendo cinco meninos e duas meninas.
Passou a infância e a adolescência no Serro, fez o curso primário com os seus pais e iniciou o curso secundário com seu irmão Policarpo. Ao completar quinze anos de idade, seguiu para Diamantina e cursou humanidades na Escola Normal, ocasião em que participou da fundação do periódico O Aprendiz, em 1893.
Em 1894, foi residir em Ouro Preto onde completou os estudos preparatórios no Colégio Mineiro e em seguida matriculou-se na Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais. Em 1895, foi eleito presidente da Sociedade Beneficente Mineira dos Estudantes e ingressou na carreira docente atuando no ensino secundário.
Nesse mesmo ano passou a integrar o quadro de funcionários da Secretaria de Polícia de Minas Gerais e, posteriormente, da Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas e Viação, onde chegou a Auxiliar de Gabinete de Francisco Sá, de quem foi chefe de gabinete. Em abril de 1896, exonerou-se deste cargo, ano em que editou o jornal estudantil A Academia, e foi nomeado, mediante concurso, professor catedrático de História do Brasil no Ginásio Mineiro. No ano seguinte bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais.
Mudou-se para Belo Horizonte logo após a inauguração da nova capital. Em 1906, iniciou a série de publicações do Anuário de Minas Gerais. No ano seguinte participou ativamente da fundação do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, do qual foi membro. Ainda em 1907, foi eleito deputado estadual e foi reeleito para outras três legislaturas consecutivas de 1907 a 1922.
Enquanto cumpria o mandato, em 1910 foi eleito para a Academia Mineira de Letras, na qualidade de fundador da cadeira n° 36, que tem como patrono José Elói Otoni. Dois anos depois assumiu as funções de professor de Economia Política, Direito Administrativo e Legislação de Terras na Escola Livre de Engenharia de Minas Gerais, instituição posteriormente integrada à Universidade Federal de Minas Gerais, da qual se tornaria professor catedrático.
Em 1914, apresentou na Assembleia mineira um projeto de lei visando à doação de terras devolutas aos trabalhadores, o que causou intensos debates entre seus pares. Em 1922, no decorrer da sua legislatura, entre 1921 e 1923, foi eleito deputado federal por seu estado natal na legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM). Deixou a Assembleia Legislativa e assumiu, em março, sua cadeira na Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e exerceu o mandato até dezembro de 1923.
Reeleito em 1924 e 1927, integrou a Comissão de Marinha e Guerra, bem como a Comissão de Diplomacia e Tratados. Novamente eleito para a legislatura iniciada em maio de 1930, teve seu nome incluído na lista de "depurados" (não reconhecidos) produzida pela Comissão de Verificação de Poderes da Câmara, que incluiu os integrantes da Aliança Liberal, bem como quem apoiou o movimento revolucionário contra o governo Washington Luís.
Afastado da esfera política, mantinha as atividades de jornalista, literato e professor. Em outubro de 1943, publicou o Manifesto dos Mineiros, obra que foi um dos 92 signatários do documento que defendia o fim da ditadura do Estado Novo, entre 1937 e 1945, e a redemocratização do país.
Ao longo de sua trajetória profissional, foi ainda presidente do Conselho Superior de Instrução Pública de Minas Gerais e colaborou nos jornais Estado de Minas, O Belo Horizonte, A Província e Diário de Minas. Membro de reconhecidas instituições políticas e culturais no Brasil, foi sócio efetivo e benemérito do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), integrou os quadros do Instituto Arqueológico de Recife, do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano e da Academia de Letras de Pernambuco.
No exterior, participou da Academia Colombiana de Jurisprudência, do Centro de Periodistas de Santiago do Chile e da Academia Nacional de História, na Venezuela. Entre as diversas condecorações que recebeu, ressaltam os títulos de professor Honoris Causa, concedidos pela Faculdade de Filosofia do Rio de Janeiro e pelo Instituto Americanista da Universidade de Vurzburg, na Alemanha.
Com uma vasta obra publicada, além de numerosos artigos em revistas e jornais, e de discursos e conferências em livretos, publicou Memória histórica e descritiva da cidade e município do Serro, em Ouro Preto pela Tip. Ferreira Lopes, em 1895; Páginas tímidas, um livro de contos e escritos pela Tip. Silva Cabral, em 1896; Contos sertanejos, um livro de lendas e fragmentos, Porto, Portugal, em 1903; Serranos ilustres, esboços biográficos, 2ª ed. Belo Horizonte, de 1905; A idade da pedra no Brasil, Belo Horizonte, Tip. Beltrão, de 1905; O rio Doce, Belo Horizonte, de 1905; Bacia do rio Doce, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1906; Notas e crônicas, São Paulo, Tip. A. Campos, de 1907; Os índios no Brasil, pela Imprensa Oficial, Belo Horizonte, em 1908; Contribuições para um futuro mapa do estado de Minas Gerais, de 1910; Contribuição etnográfica dos padres da Companhia de Jesus e dos cronistas leigos dos primeiros séculos da história da pátria, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, em 1914; Geografia do Brasil, Rio de Janeiro, Pimenta e Melo e Cia., em 1922; Alguns estudos brasileiros – I série, Belo Horizonte, em 1927 e Africanos no Brasil, em 1938.
Nelson de Senna assinava seus trabalhos com seu nome próprio, e ainda com os pseudônimos Annes Selnon, Ennius de Hesse, Nessuno, Paulo de Cotegipe e Pelayo Serrano. O professor Nelson faleceu em Belo Horizonte, no dia 2 de junho de 1952.



