Miniatura

Acadêmico
Orlando Vaz
Número de Cadeira
34 Patrono: Tomás Antônio Gonzaga
Data de Posse
05 de setembro de 2002
Posição na Cadeira
6º Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O advogado, escritor, professor e político Orlando de Oliveira Vaz Filho nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 29 de agosto de 1935. Foi o terceiro dos seis filhos do advogado e jornalista Orlando de Oliveira Vaz e Maria Luiza Mascarenhas Vaz, foi casado com Maria Isabel Vianna de Oliveira Vaz, com quem teve três filhos e quatro netas.
Orlando Vaz cursou o jardim de infância no Colégio Delfim Moreira, em seguida iniciou os estudos primários na Escola de Aperfeiçoamento e o curso ginasial no Colégio Anchieta; depois iniciou o científico no Colégio Imaco e Municipal, todos na capital mineira. Dedicado ao esporte, foi campeão mineiro de natação, categoria infantil, pelo Minas Tênis Clube, e vice-campeão brasileiro em nado de peito.
Orlando Vaz começou sua vida profissional muito cedo, aos 14 anos, trabalhou no Departamento de Estatística da Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas. Entrou para o curso de Direito na Faculdade de Direito da UFMG, onde bacharelou-se em 1963; ainda estudante, destacou-se como orador e fazia frequentes discursos no Centro Acadêmico Pedro Lessa – CAPL, e no Centro Acadêmico Afonso Pena – Caap, da Faculdade de Direito.
Em 1952, Orlando Vaz ingressou, como escriturário, na Caixa Econômica Federal, aposentou-se 37 anos depois, como procurador da entidade. A aposentadoria, no entanto, não o afastou das lides forenses. Pelo contrário, dedicou-se mais ainda ao exercício da advocacia.
Em 1954, a União Colegial de Minas Gerais realizou o Concurso Mineiro de Oratória, o qual venceu em 1º lugar. No mesmo ano, a União Brasileira de Estudantes – Ubes realizou o Concurso Nacional de Oratória, no Rio de Janeiro, em que Orlando Vaz também logrou o 1º lugar, representando Minas Gerais.
Em 1956, presidiu o VII Congresso Nacional dos Estudantes Secundários, realizado em Porto Alegre. Enquanto universitário, tornou-se jornalista, trabalhando no Estado de Minas, no Binômio – Jornal da Semana, no jornal Última Hora e no Diário da Tarde, para os quais realizou interessantes entrevistas.
Depois de formado, Orlando Vaz advogou ativamente quase 60 anos em Minas e em Brasília, nos tribunais superiores. Nunca mediu esforços para conquistar o que considerava justo e, muitas vezes, nem cobrava honorários. Participou de júris memoráveis e, junto com o grande amigo Oscar Corrêa, fez parte da defesa coletiva de um grupo de oito pessoas – professores e estudantes – injustamente acusadas de subversão, perante o Tribunal Militar instalado em Juiz de Fora.
Tornou-se um militante político filiado à União Democrática Nacional – UDN, onde atuou como suplente de deputado estadual na 5ª legislatura de Minas Gerais, de 1963 a 1967, e também disputou uma eleição para a Prefeitura de Belo Horizonte. Em 1969, o então chanceler José de Magalhães Pinto convidou Orlando Vaz para dirigir a Casa do Brasil na Cidade Internacional da Universidade de Paris.
Assumiu a instituição em um período conturbado, logo após a revolta estudantil de maio de 1968; reorganizou as finanças e a modalidade de admissão de estudantes na Maison; promovia atividades da cultura brasileira, como palestras e comemoração das datas nacionais, exposições e shows de artistas. Inaugurou uma galeria com obras de importantes pintores e escultores brasileiros.
Em Paris, Orlando Vaz frequentou o Institut d’Études Politiques – FNSP, e o Institut de Criminologie et de Droit Pénal de Paris – ICP. Durante o governo militar, de 1970 a 1974, assumiu o posto de embaixador do Brasil na França o general Aurélio de Lyra Tavares; nessa época, Orlando enfrentou cortes financeiros e ameaças, inclusive de sequestro de seus filhos. Retornou a Belo Horizonte com a família em dezembro de 1971.
De volta à capital mineira, exerceu a advocacia, trabalhou como procurador da Caixa Econômica Federal e lecionava, à noite, no Colégio Municipal. Em 1975, o prefeito de Belo Horizonte, Luiz Verano, convidou Orlando Vaz para assumir a Secretaria Municipal de Educação, cargo que ocupou até 1978.
Enquanto Secretário Municipal de Educação de Belo Horizonte, construiu 11 escolas na capital e elaborou o Plano Educacional de Belo Horizonte. Em 1979, tornou-se Diretor-Presidente da empresa Águas Minerais de Minas Gerais – Hidrominas, por 36 meses e, no final de 1989, atuou como Secretário Particular do Ministro da Justiça, Oscar Dias Corrêa, em Brasília.
Em 1988, a convite de seu amigo Oscar Corrêa, então ministro do Supremo Tribunal Federal, Orlando Vaz tornou-se seu secretário particular e foi nomeado ministro de Estado da Justiça, a convite, também, do presidente Sarney. Deixou os filhos adolescentes em Belo Horizonte e partiu com a esposa para Brasília, onde permaneceu por pouco mais de um ano.
Já no governo do presidente Collor, descontente com os rumos da política, renunciou ao cargo e retornou a Belo Horizonte, onde dedicou-se novamente à advocacia e às suas atribuições como procurador da Caixa Econômica Federal.
Em 2002, foi eleito para a Academia Mineira de Letras em sucessão a Gerson de Britto Boson na cadeira nº 34, patrocinada por Thomaz Gonzaga. Presidiu a instituição de novembro de 2010 a maio de 2013 e detinha o título de presidente emérito. Entre outras atividades, em 2002, participou, por designação do presidente Murilo Badaró, da comissão encarregada de atualizar os estatutos da AML.
De um estilo enxuto, claro, objetivo e de grande capacidade de síntese, Orlando Vaz publicou inúmeras crônicas, artigos, monografias, estudos, pesquisas e livros sobre assuntos variados, a maioria, porém, sobre a educação e a cultura. Além da produção escrita, Orlando Vaz proferiu palestras e foi, muitas vezes, paraninfo de formandos de diversas áreas.
Em 2005, ministra palestra na Universidade Livre intitulada Precatórios, abordagem sobre esta polêmica questão. Em 13 de outubro de 2012, proferiu palestra sobre o tema Diálogo entre a literatura brasileira e a italiana, no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. No dia 10 de dezembro de 2012, em comemoração aos 120 anos da Faculdade de Direito da UFMG, Orlando Vaz, palestrou sobre O pensamento de Milton Campos como governador de Minas.
Recebeu as honrosas homenagens da medalha do Mérito Educacional Helena Antipoff; medalha de bronze, prata e ouro Santos Dumont; e medalha de Honra da Inconfidência Mineira. Orlando de Oliveira Vaz Filho faleceu aos 88 anos, em 8 de dezembro de 2023, em Belo Horizonte.
Entre suas publicações, destacam-se: Otávio Mangabeira, trajetória de uma consciência; O desafio do mercado externo; Trading, alavanca do progresso; Minas no quadro da exportação; Tecnologia da exportação; Filosofia para o comércio externo; Porta Africana para o Brasil; Uma associação níger-brasileira; Saldo na África do Sul; Entre o Saara e a Europa; Perspectivas comerciais com o Senegal; Por um projeto luso-brasileiro; No tempo dos meus 18 anos; Pedro Aleixo: um nome na história, Milton Campos: um nome, uma escola; Em favor da criança pré-escolar; Visão Política da Educação.



