Miniatura

Acadêmico
Juscelino Kubitschek
Número de Cadeira
34 Patrono: Tomás Antônio Gonzaga
Data de Posse
03 de maio de 1975
Posição na Cadeira
3° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O médico, estadista e político Juscelino Kubitschek de Oliveira nasceu em 12 de setembro de 1902, em Diamantina, Minas Gerais. Figura central da história brasileira do século XX, sua trajetória foi marcada por uma ascensão meteórica, desde as origens humildes, no Vale do Jequitinhonha, até a Presidência da República.
Filho de João César de Oliveira, um caixeiro viajante que faleceu precocemente de tuberculose, e de Júlia Kubitschek, uma professora primária de ascendência tcheca, Juscelino herdou da mãe a determinação e o sobrenome que o tornou famoso.
Teve uma infância modesta: após concluir o curso primário, ingressou no Seminário Diocesano de Diamantina em 1914, onde recebeu ensino gratuito. Em 1917, concluiu o curso de humanidades mas, sem vocação para o sacerdócio, deixou o seminário.
Mudou-se para Belo Horizonte, e enquanto se preparava para o curso superior de Medicina, prestou, em 1919, concurso para a Repartição Geral dos Telégrafos. Aprovado, trabalhou como telegrafista durante todo o curso na Faculdade de Medicina, que concluiu em dezembro de 1927.
Em jornada dupla, estudou de dia e trabalhou à noite, forjou a disciplina e a capacidade de trabalho que o caracterizariam por toda a vida. Depois de formado, atuou como médico na Clínica Cirúrgica da Santa Casa de Misericórdia e, em 1930, viajou para Paris, onde se especializou em urologia no renomado Hospital Cochin.
Em 1931, de volta ao Brasil, foi nomeado médico do Hospital Militar da Força Pública de Minas Gerais. No mesmo ano, casou-se com Sara Gomes de Lemos, pertencente a uma família de grande prestígio político no estado, união que lhe abriu portas na sociedade mineira. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, atuou como capitão-médico na frente de batalha, onde sua competência e dedicação chamaram a atenção do interventor Benedito Valadares.
Foi pelas mãos de Valadares que Juscelino ingressou na vida pública. Em 1933, foi nomeado Chefe do Gabinete Civil do governo de Minas. No cargo, demonstrou grande habilidade política e administrativa. Filiado ao Partido Progressista – PP, elegeu-se deputado federal em 1934, iniciando seu primeiro mandato parlamentar em maio de 1935.
Em 1937, com o golpe do Estado Novo e o fechamento do Congresso Nacional, perdeu o mandato e retornou à medicina, assumindo a chefia do Serviço de Cirurgia do Hospital Militar. Sua volta à política ocorreu de forma inesperada.
Em abril de 1940, foi surpreendido com a publicação de sua nomeação para a Prefeitura de Belo Horizonte no diário oficial. Tomou posse e realizou uma administração transformadora, que se tornou um laboratório para seu futuro projeto nacional. Sem abandonar a medicina, que continuou a exercer nas manhãs, Juscelino Kubitscheck remodelou a capital mineira.
Com a redemocratização, participou ativamente da criação do Partido Social Democrático – PSD, sigla que reunia as forças políticas ligadas a Getúlio Vargas. Em 1945, foi eleito deputado na Assembleia Nacional Constituinte. Sua atuação conciliadora foi crucial para reunificar o PSD mineiro, o que lhe garantiu a indicação para disputar o governo do estado em 1950.
Em 31 de janeiro de 1951, tomou posse como governador e seu governo em Minas foi a antessala de sua presidência. Com o objetivo de tirar o estado de sua condição agropastoril e inseri-lo no polo industrial, criou a Centrais Elétricas de Minas Gerais – CEMIG, sob o comando do engenheiro Lucas Lopes.
Em 1955, depois do sucesso de sua administração - que o projetou como candidato à Presidência da República -, formou uma aliança com o Partido Trabalhista Brasileiro – PTB, e teve João Goulart como seu vice. A campanha foi marcada por intensa oposição da União Democrática Nacional – UDN, liderada por Carlos Lacerda, e por setores militares que o viam como herdeiro do getulismo.
Ao assumir a presidência em 31 de janeiro de 1956, Juscelino Kubitscheck criou uma “administração paralela” de grupos de trabalho e executivos que agilizavam as decisões e contornavam a burocracia. Realizou a instalação da indústria automobilística, a expansão da siderurgia e a construção de grandes hidrelétricas, como Furnas e Três Marias.
A “meta-síntese” de seu governo foi a construção de Brasília - que cumpria uma determinação constitucional - e transferiu a capital do país para o Planalto Central. A nova cidade, com plano-piloto de Lúcio Costa e projetos arquitetônicos de Oscar Niemeyer, foi erguida em menos de quatro anos.
Inaugurada em 21 de abril de 1960, Brasília tornou-se o símbolo máximo do otimismo, da modernidade e da integração nacional que marcaram os “anos dourados” do governo JK. Após deixar a presidência com altos índices de popularidade, elegeu-se senador por Goiás em 1961. Continuou a ser uma figura central na política, articulando sua candidatura para as eleições de 1965.
Com o golpe militar de 1964, teve seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos. Partiu para um exílio voluntário na Europa e, posteriormente, participou da formação da Frente Ampla, um movimento de oposição ao regime que reunia adversários históricos como Carlos Lacerda e João Goulart. A iniciativa foi extinta pela ditadura em 1968.
Afastado compulsoriamente da política, dedicou-se à vida empresarial; em junho de 1974 foi eleito para a Academia Mineira de Letras, em sucessão a Nilo Aparecida, na cadeira nº 34, patrocinada por Thomaz Gonzaga. Em 1976, foi eleito o “Intelectual do Ano” pela União Brasileira de Escritores, recebendo o troféu Juca Pato.
Dois anos depois, em 22 de agosto, Juscelino Kubitschek faleceu, vítima de um acidente automobilístico na Via Dutra. Seu velório e sepultamento - no Rio de Janeiro e em Brasília, respectivamente -, foram acompanhados por imensas manifestações populares, que se transformaram em um dos primeiros grandes atos públicos de repúdio ao regime militar.
Em 1981, seus restos mortais foram transladados para o Memorial JK, monumento projetado por Oscar Niemeyer em Brasília, em homenagem ao presidente que idealizou a capital. Publicou ainda, Uma campanha democrática, de 1959; A Marcha do Amanhecer, de 1962; Por que Construí Brasília, de 1974; Meu Caminho para Brasília, 3 volumes, de 1978.



